AVISO AOS NAVEGANTES

Estamos no Ano 3 desta nossa revista eletrônica CaririCult. Uma construção coletiva que nos aproxima através da poesia maior que é a vida. Mais vale dizer: cada colaborador é responsável pelas suas opiniões aqui emitidas.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

A BAGAGEM DURANTE A VIAGEM DA VIDA (AUTOR DESCONHECIDO)



Quando sua vida começa,
você tem apenas uma mala pequenina de mão...

A medida em que os anos vão passando,
a bagagem vai aumentando.

Porque existem muitas coisas que você recolhe pelo caminho...
Porque pensa que são importantes.

A um determinado ponto do caminho começa a ficar insuportável carregar tantas coisas
Pesa demais...

Então você pode escolher:

Ficar sentado a beira do caminho,
esperando que alguém o ajude,
o que é difícil...

Pois todos que passarem por ali já terão sua própria bagagem
Você pode ficar a vida inteira esperando ...

Ou você pode aliviar o peso,
esvaziando a mala.

Mas, o que tirar ?

Você começa tirando tudo para fora, e vendo o que tem dentro...
AMIZADE AMOR
AMOR AMIZADE
AMIZADE
AMOR AMIZADE
AMOR

Nossa !!!
Tem bastante, e curioso...
Não pesa nada !!!

Mas tem algo pesado....
Você faz força para tirar....
É a RAIVA - como ela pesa !!!
Aí você começa a tirar, tirar e aparecem

a INCOMPREENSÃO,
o MEDO,
o PESSIMISMO...

Nesse momento, o DESÂNIMO quase te puxa pra dentro da mala ....

Mas você puxa-o para fora com toda a força, e
aparece um SORRISO, que estava sufocado
no fundo da sua bagagem....

Pula para fora outro sorriso e mais outro,
e aí sai a FELICIDADE...

Você coloca as mãos dentro da mala de novo e tira pra fora a TRISTEZA...
Agora, você vai ter que procurar a PACIÊNCIA dentro da mala,
pois vai precisar bastante....

Procure então o resto:
FORÇA ESPERANÇA CORAGEM
ENTUSIASMO EQUILÍBRIO RESPONSABILIDADE
TOLERÂNCIA BOM HUMOR

Tire a PREOCUPAÇÃO também, e deixe de lado.
Depois você pensa o que fazer com ela...

Bem, sua bagagem está pronta para ser arrumada de novo!
Mas pense bem no que vai colocar lá dentro !!!

Agora é com você...
E não se esqueça de fazer isso mais vezes...

Pois o
caminho é
LONGO,
MUITO LONGO

MORAL DAHISTÓRIA:

Por isso: PEGA LEVE!

Seja FLEXÍVEL E TOLERANTE COM O OUTRO!

Todo mundo tem um fardo a carregar nessa viagem da vida.

Não critique as “falhas” dos outros que estão com certeza na sua mala também.
Respeite e será respeitado.

Ame e será amado.

Sirva e será servido pelo outro também.

A vida é um bumerangue...o que você lançar sem consciência voltará para você com a mesma carga e força que você lançou.

Seja Feliz e faça o outro feliz também.

Elogie sem exagerar.

Critique sem magoar.

NAMASTÊ (reconheço que o Deus que está em mim está em você também).

A vida é uma escola e o professor é a nossa conduta POSITIVA (DEUS EM NÓS!).

Domingo, 5 de Julho de 2009

passos

O mundo não está me devendo nada
a noite não está me vivendo
as pessoas vivendo,
o avental me prende pela cintura
há ignorância no isolamento, eu sei e
não saberei o que pensa quem apenas olha

angústia é uma dívida paga a si mesmo
e a rua já deve sentir falta das minhas andanças
tempo de ostra, os pés andando sobre a corda
ensaio é assim, sem platéia, vaias de dentro

a casa da vizinha bem limpinha
escuto a vassoura varrendo
ignoro a falta do pano molhado
no assoalho da minha
e vasculho paredes
faxinas começam do alto
derrubo teias fininhas e caprichadas
a rua acelerada, eu olhando
às vezes...

SOPA DE LETRAS by LUPIN


Hoje o tempero é do humorista peruano(?),PALOMO.Bom apetite!

Dádiva

Uma castanha sobre a mesa
rodeada de formigas

mas sem dentadas
espera a boca do poeta.

Muitos passaram antes
não perceberam a doçura da castanha
ou tiveram medo das pequenas formigas.

Agradeço aos meus fantasmas
e saboreio a alma da doce semente.

impossibilidade

não sabes quão duro foi não escrever
os mínimos versos para desentulhar o coração
território ladeado de gente sem futuro

sonho impossível aos que viriam
e viveriam apinhados ao redor da cidade
cachorros no escuro

como seria possível?
como seria possível um mundo
cujos caminhos levam à periferia
um mundo de portas que abrem compartimentos
escuros e fétidos?
como é possível um mundo
onde a dor é parte de sua estrutura?

se sorrires ele se acaba um pouco
com sede de tua dor

por isso não foram
escritos aqueles versos

do silêncio
fez-se uma lavoura

de
p a l a v r a s

Sonho-te - Por Claude Bloc

São estes os passos
que se alastram pela solidão da tarde.
E o sorriso não consegue domá-los
nem contê-los.
Chegam-me as réstias
o resto, o pó de tuas palavras
A aspereza de um gesto
desnecessário
Hoje sonho-te
e tuas mãos estão inertes
e se calam
no calor da tarde.
.
Texto e fotos - por Claude Bloc

20 CONSELHOS SAUDÁVEIS PARA MELHORAR A QUALIDADE DE VIDA



20 conselhos das Universidades de Medicina Harvard e Cambridge.
Publicaram recentemente um compêndio com 20 Conselhos saudáveis para melhorar a qualidade de vida de forma prática e habitual :

1- um copo de suco de laranja
diariamente para aumentar o ferro e repor a vitamina C..

2- salpicar canela no café
(mantém baixo o colesterol e estáveis os níveis de açúcar no sangue).

3- trocar o pãozinho tradicional pelo pão integral
O pão integral tem 4 vezes mais fibra, 3 vezes mais zinco e quase 2 vezes mais ferro que tem o pão branco.

4- mastigar os vegetais por mais tempo.
Isto aumenta a quantidade de químicos anticancerígenos liberados no corpo. Mastigar libera sinigrina. E quanto menos se cozinham os vegetais, melhor efeito preventivo têm.

5- adotar a regra dos 80%:
servir-se menos 20% da comida que costuma comer, evita transtornos gastrintestinais,
prolonga a vida e reduz o risco de diabetes e ataques de coração.

6- LARANJA o futuro está na laranja,
que reduz em 30% o risco de câncer de pulmão.

7- fazer refeições coloridas como o arco-íris ..
Comer DIARIAMENTE, uma variedade de vermelho, laranja, amarelo, verde, roxo e branco em frutas e vegetais, cria uma melhor mistura de antioxidantes, vitaminas e minerais.

8- comer pizza, macarronada ou qualquer outra coisa com molho de tomate.
Mas escolha as pizzas de massa fininha. O Licopeno, um antioxidante dos tomates pode inibir e ainda reverter o crescimento dos tumores; e ademais é melhor absorvido pelo corpo quando os tomates estão em molhos para massas ou para pizza .

9- limpar sua escova de dentes e trocá-la regularmente .
As escovas podem espalhar gripes e resfriados e outros germes. Assim, é recomendado lavá-las com água quente pelo menos quatro vezes à semana (aproveite o banho no chuveiro), sobretudo após doenças, quando devem ser mantidas separadas de outras escovas.

10- realizar atividades que estimulem a mente e fortaleçam sua memória...
Faça alguns testes ou quebra-cabeças, palavras-cruzadas, aprenda um idioma, alguma habilidade nova... Leia um livro e memorize parágrafos; escreva, estude, aprenda. Sua mente agradece e seus amigos também, pois é interessante conversar com alguém que tem assunto.

11- usar fio dental e não mastigar chicletes .
Acreditem ou não, uma pesquisa deu como resultado que as pessoas que mastigam chicletes têm mais possibilidade de sofrer de arteriosclerose, pois tem os vasos sanguíneos mais estreitos, o que pode preceder a um ataque do coração. Usar fio dental pode acrescentar seis anos a sua idade biológica porque remove as bactérias que atacam aos dentes e o corpo.

12- rir.
Uma boa gargalhada é um 'mini-workout', um pequeno exercício físico:
100 a 200 gargalhadas equivalem a 10 minutos de corrida.
Baixa o estresse e acorda células naturais de defesa e os anticorpos.

13- não descascar com antecipação.
Os vegetais ou frutas, sempre frescos, devem ser cortados e descascados na hora em que forem consumidos. Isso aumenta os níveis de nutrientes contra o câncer. Sucos de fruta têm que ser tomados assim que são preparados.

14- ligar para seus parentes/pais de vez em quando.
Um estudo da Faculdade de Medicina de Harvard concluiu que 91% das pessoas que não mantém um laço afetivo com seus entes queridos, particularmente com a mãe, desenvolvem alta pressão, alcoolismo ou doenças cardíacas em idade temporã .

15- desfrutar de uma xícara de chá.
O chá comum contém menos níveis de antioxidantes que o chá verde, e beber só uma xícara diária desta infusão diminui o risco de doenças coronárias. Cientistas israelenses também concluíram que beber chá aumenta a sobrevida depois de ataques ao coração.

16- ter um animal de estimação.
As pessoas que não têm animais domésticos sofrem mais de estresse e visitam o médico regularmente, dizem os cientistas da Cambridge University. Os mascotes fazem você sentir se otimista, relaxado e isso baixa a pressão do sangue.
Os cães são os melhores, mas até um peixinho dourados pode causar um bom resultado.

17- colocar tomate ou verdura frescas no sanduíche.
Uma porção de tomate por dia baixa o risco de doença coronár ia em 30%, segundo cientistas da Harvard Medical School; vantagens outras são conseguidas atráves de verduras frescas.

18- reorganizar a geladeira .
As verduras em qualquer lugar de sua geladeira perdem substâncias nutritivas, porque a luz artificial do equipamento destrói os flavonóides que combatem o câncer que todo vegetal tem. Por isso, é melhor usar á área reservada a ela, aquela caixa bem embaixo ou guardar em um tape ware escuro e bem fechado.

19- comer como um passarinho.
A semente de girassol e as sementes de gergelim nas saladas e cereais são nutrientes e antioxidantes. E comer nozes entre as refeições reduz o risco de diabetes.

20- e, por último, um mix de pequenas dicas para alongar a vida:
-comer chocolate.
Duas barras por semana estendem um ano a vida.
O amargo é fonte de ferro, magnésio e potássio.
- pensar positivamente .
Pessoas otimistas podem viver até 12 anos mais que os pessimistas, que, além disso, pegam gripes e resfriados mais facilmente, são menos queridos e mais amargos.
- ser sociável.
Pessoas com fortes laços sociais ou redes de amigos têm vidas mais saudáveis que as pessoas solitárias ou que só têm contato com a família.
- conhecer a si mesmo .
Os verdadeiros crentes e aqueles que priorizam o 'ser' sobre o 'ter' têm 35% de probabilidade de viver mais tempo, e de ter qualidade de vida



Gislene Farias de Oliveira
http://gislenefarias.no.comunidades.net

Leia e envie seu artigo para:
Id on line Revista de Psicologia
Edição eletrônica em http://idonline.no.comunidades.net

My way (Do meu Jeito) – Frank Sinatra



E agora, que o final está perto,então, eu abro a última cortina!
Meu amigo, vou dizer claramente...
Vou contar minha história,
da qual tenho certeza.

Eu vivi uma vida cheia.
Eu viajei por todas as estradas.
E, mais... muito mais que isto tudo,

Eu fiz do meu jeito!

Arrependimentos, eu tive poucos...
Mas, mesmo assim,
muito poucos para mencionar.

Eu fiz o que tive que fazer.
E, fiz tudo, verdadeiramente,
sem isenção...

Eu planejei cada caminho,
cada passo cuidadoso ao longo
da estrada...

E, mais, muito mais que isto tudo,

Eu fiz do meu jeito!

Sim, houve vezes,
tenho certeza que você soube...
Quando dei um passo maior
do que podia...

Eu passei por tudo e fiquei de pé!

E fiz do meu jeito!

Eu amei, sorri e chorei...
meus tempos de fartura e minha
parte nas perdas...

E, agora que as lágrimas estão acabando,
eu acho tudo tão divertido!...

Pensar que fiz aquilo tudo!...
E, posso dizer:

Não timidamente!

"Não, oh não, não eu...

Eu fiz do meu jeito!

Pois o que é um homem?
O que ele tem?
Se não for ele mesmo,
então, não fez nada!


Para dizer as coisas que ele sente... Verdadeiramente...

E... não as palavras de alguém
que se ajoelha!

A história mostra que suportei os
murros da vida...

E... fiz do meu jeito!

Sim...foi do meu jeito!

nilsonhussar@yahoo.com.br

Sábado, 4 de Julho de 2009

Leia Hoje no CHAPADA DO ARARIPE...

chapada 04-07-2009a

60 matérias na edição de hoje, dia 04 de Julho de 2009

- Juazeiro participa de evento nacional sobre turismo
- Juazeiro: Conferência Nacional de Segurança Pública
- Ministro Carlos Lupi em Juazeiro do Norte
- Visita de Cid Gomes à Uece acaba em confusão
- 373 transplantes já foram realizados no Ceará este ano
- Iguatu conquista título de “Escola Nota 10″
- Os Males da Socialização no Brasil - Por: Robson Fernando
- Lembrando Padre Frederico Nierhoff
- Vacinação infantil no Cariri
- Concurso público de Nova Olinda é suspenso pelo MP
- Aurora: Disputa do Rally dos Sertões passa por terras aurorenses
- TCM divulga lista oficial dos municípios a serem fiscalizados
- Bandidos roubam e abandonam veículo em Icó
- Lions Clube de Iguatu empossa novos sócios
- Juazeiro do Norte é o Brasil, na Lua!
- CHINA: Fabricantes de PCs já instalam filtro de internet
- Padre Clairton - 35 anos de vida Sacerdotal
- Saída de dólares do país é maior do que entrada em US$ 1,227 bilhão em junho
- Crato: Hospital privado está em crise - Por: Elizângela Santos
- Ronda do Quarteirão sim, mas o resto…
- O cíume no ponto negro de Caetano
- Joe Jackson na perspectiva da exploração social e econômica
- Chega de Coronéis !
- Lula chega a Paris e volta a defender o G20
- Rebelião Generalizada - Por: Darlan Reis
- Cariri Cangaço e o Rei do Baião.
- Tipos Populares do Crato - Galeria Fotográfica ( 4 )
- Amigo - Por: João Marni de Figueiredo
- Balão Cativo - Por: Dr. José Flávio Vieira
- Preparar o espírito - A Mídia e o Irã - Arimatéia Macêdo
- Quatro pessoas morrem em acidente com ônibus a caminho de Paraty
- Bancos devem reformular fundos de investimentos até o fim do ano
- Há vida literária na web, dizem escritores
- Empresas se precipitaram ao reduzir jornada de trabalho e salários, diz professor
- Governo interino de Honduras inicia desligamento da OEA
- Sobe para 83 o número de pessoas com gripe suína no Rio de Janeiro
- Com reajustes, gastos com funcionalismo podem aumentar para até 5,2% do PIB
- Homicídios no Rio de Janeiro aumentaram 9,4% nos primeiros quatro meses do ano
- Minha Casa, Minha Vida recebeu 581 propostas de empreendimentos habitacionais
- Saudade dos fantasmas de antigamente
- Seminário Internacional de Turismo de Base Comunitária
- Imagens do filme “Alice no País das Maravilhas”
- Fim de Semana… - Por: José Nilton Mariano Saraiva
- Eu usava óculos – por Carlos Eduardo Esmeraldo
- Reportagem sobre o padre Cícero
- Melhorias para o Trânsito de Juazeiro do Norte
- Rally dos Sertões passou em Juazeiro do Norte
- Cid anuncia a construção de 30 cadeias no Interior
- Iguatu: depois de ser reconhecido pela UNESCO, Programa Agente da Educação ganha reforço
- Nova fuga na Delegacia Regional de Iguatu
- Áurea - Por: João Mendes Filho
- Trabalhadores fazem Grito da Terra - Por: Antonio Vicelmo
- Dom José Cardoso deixa a arquidiocese de Recife
- Juazeiro: Programação especial em louvor ao Padre Cícero
- VI Festival Junino de Ponta da Serra

...
...

E mais 6.500 artigos de 2006 a 2009 para você ler !

www.chapadadoararipe.com

O Diário do Cariri


O PODER DO COMPROMETIMENTO



Goethe
"Enquanto não estivermos compromissados, haverá hesitação, a possibilidade de recuar, e sempre, a ineficácia. Em relação a todos os atos de iniciativa (e de criação), existe uma verdade elementar - cuja ignorância - mata inúmeros planos e idéias esplêndidas: que no momento em que definitivamente nos compromissamos, a providência divina também se põe em movimento.
Todos os tipos de coisas ocorrem para nos ajudar, que em outras circunstâncias nunca teriam ocorrido. Todo um fluir de acontecimentos: formas imprevistas de coincidências, encontros e ajuda material, que nenhum homem jamais poderia ter sonhado encontrar em seu caminho, surge a nosso favor, como resultado da decisão.
Qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar. A coragem contém em si mesma, o poder, o gênio e a magia".


Goethe:
“A criatura é muito frágil, pois sai em busca de algo e não o encontra. Forte, porém, é Deus, pois se em busca da criatura, logo a alcança e a tem em sua mão” (apud Orlando Bitar, p.76)


Goethe:
“Se devo escutar a opinião de outrem, há de ser exposta com positividade; de problemática já estou saturado” (apud Orlando Bitar, p.12)

devaneio

ontem era um sinal sobre os telhados
sinal de um tempo
cuja envergadura cedeu
como ruínas, suas próprias ruínas

o que restou?
palavras desenhadas nas franjas da aurora?

um rosto de mulher espreita-me,
perguntas sobre o que no caminho se perdeu
o que eram conchas
hoje e amanhã, memórias de naufrágios
restos de pedras que no vento
se arrastam e se dispersam

do fundo de sua voz, uma pergunta:
por que escreves um poema num tempo
desastroso para a poesia?
o furor da voz contra o céu e a cidade
se espalha e se apaga
por que escreves? por que escreves?
por que à paixão das palavras
não te fizeste impermeável?
o teu poema será entalhado em cinzas,
nas cinzas de um esforço em abrir caminho
onde a dor fincou suas raízes

Do seriado: "Coisas da República"


Sarney enfrenta a "maldição" do Senado
A secretaria de imprensa da presidência do Senado mudou a explicação para a omissão da compra de uma casa em Brasília avaliada em R$ 4 milhões em declarações do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), à Justiça Eleitoral. Segundo nota divulgada no fim da tarde, a assessoria informa que o erro foi cometido "por esquecimento, depois de feita a atualização patrimonial". A denúncia foi feita em reportagem publicada hoje pelo jornal O Estado de S.Paulo. Na primeira nota, divulgada mais cedo, a justificativa para a omissão era que o contador, por equívoco, teria repetido na declaração à Justiça Eleitoral apresentada em 2006 a mesma lista de bens de 1998, quando ainda não constava a compra da casa. No entanto, a lista de bens de 1998 é diferente da de 2006, quando cinco novos bens foram incluídos ao patrimônio do senador.


Nos últimos anos, três ex-presidentes do Congresso foram punidos com a perda do cargo ou do mandato por envolvimento em casos de corrupção, fraudes e irregularidades variadas. O senador Antônio Carlos Magalhães, que já morreu, usou sua autoridade para permitir, entre outras coisas, a violação do sigilo do painel de votações. O senador Jáder Barbalho se aproveitava das prerrogativas de presidente para obter vantagens financeiras através das quais conseguiu acumular uma vistosa fortuna. O senador Renan Calheiros, o último a deixar pela porta dos fundos a presidência, mantinha uma rede de amigos empreiteiros para todo o tipo de obra, inclusive bancar sua despesas pessoais. Há quatro meses, o senador José Sarney, o atual presidente, vaga por um labirinto de acusações que a cada dia apequenam sua biografia. Acuado, ele chegou a pensar na semana passada em comunicar a renúncia - hipótese que ainda não está descartada. Seria o quarto presidente a deixar o cargo em catorze anos.
Existe um problema envolvendo aquela imponente cadeira azul de couro, desenhada pelo arquiteto Oscar Niemayer e um dos símbolos maiores do poder da democracia e não é ergonômico. Os senadores José Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho e ACM têm outras características em comum. Todos eles são oriundos de poderosas oligarquias políticas do Nordeste, acostumadas a apoiar o governo de plantão, seja ele qual for. Essa simbiose alimenta a liderança política regional e, em contrapartida, garante estabilidade ao governo no Congresso. Sarney, Renan, Jader e ACM apoiaram todos os governos desde a redemocratização, em 1985. A única exceção, mesmo assim temporária, foi o senador ACM, que tentou aproximar-se de Lula, mas foi rejeitado por divergências históricas com o PT -quando o PT, é claro, ainda tinha divergências históricas.
O presidente Sarney tenta convencer seus colegas que a avalanche de denúncias de irregularidades é um problema institucional que passa ao largo de sua responsabilidade. Não é. Nas últimas duas décadas, Sarney presidiu o Congresso três vezes e participou decisivamente da eleição de seus sucessores todos, à exceção de ACM, ex-ministro das Comunicações do governo Sarney, peemedebistas próximos a ele. A máquina administrativa do Senado, que tem incríveis 10 000 funcionários e é pontuada de casos escabrosos de irregularidades, também era conduzida por um servidor indicado por Sarney, o ex-diretor-geral Agaciel Maia.
(Fonte: Veja)

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Gorilas de Tegucigalpa

Balão Cativo

"Dentro de mim mora um grito.
De noite, ele sai com suas garras, à caça
De algo para amar."
(Sylvia Plath)

Noite de São João. Fogos ribombavam ao redor das fogueiras. Meninos hipnotizados com o brilho das chuvinhas, mal perceberam quando um balão cruzou os céus e , pouco a pouco, se foi distanciando das dimensões terrestres. À medida que, impulsionado pelo vento, ia subindo, mais e mais se tornava imperceptível e inatingível. Sem lastro que o amarrasse à terra, ao sabor do vento, o balãozinho se foi perdendo de vista, até ser consumido pela própria chama íntima que lhe servia de motor. Cá embaixo, a festa continuou com o mesmo estardalhaço. A ninguém interessava a pequena e distante tragédia do balãozinho. Seu trajeto significou apenas um brilho a mais no firmamento, numa noite grávida de tantos fulgores e cintilações.
Michael Jackson , um dos mais completos artistas destes últimos séculos, fez um trajeto curto e fulgurante como nosso balãozinho junino. Vida exígua, estrada cintilante, ergueu aos céus o seu balão atormentado. Sequer se deu conta que a luminância que dele irradiava , se intensa e ofuscante, era apenas a conseqüência das chamas que consumiam sua frágil estrutura. Michael sempre fora um balão sem lastro. Precoce gênio do pop, a mídia , como uma forte lufada de vento, o tomou de assalto ainda aos cinco anos. Levado de supetão às alturas, o ar lhe foi ficando cada vez mais rarefeito. É que, em troca, haviam lhe roubado o menino que nunca pôde ser. Bilionário, famoso, nada lhe faltava : apenas este lastro fundamental. Com ventos tão oblíquos , carregou seu dirigível acorrentado , à deriva. Michael procurou , durante toda a existência, desesperadamente, aquela criança que lhe foi roubada: nas mulheres em quem buscou o regaço materno; em filhos que não gerou; no parque que construiu para si mesmo, o Neverland , sintomaticamente chamado de “Terra do Nunca” ; no pai que nunca teve.
A mesma mídia que ajudou a criar o mito mais popular da história da música e que lucrou imensamente com ele; encheu as burras , novamente, na sua derrocada , explorando escândalos midáticos de toda espécie e, agora, com seu desaparecimento, empanturra mais uma vez os cofres : Michael volta a vender discos como nunca. Tudo é festa. O velório do Rei do Pop já se arrasta por mais de uma semana, atapetando todos os noticiários de fofocas e futricas. Com exceção de algumas de crocodilo, de alguns fãs, não há lágrimas derramadas. Nem da esposa, nem dos amigos, nem dos irmãos. O pai, então, aparentemente, só se preocupa com o testamento. A mídia toda aguarda , ansiosa, o resultado da necropsia. Todos sabem que Michael morreu de um acidente com um dos inúmeros anestésicos que utilizava continuamente para aplacar sua dor. Qual ? A quem interessa? O astro, na realidade, padeceu em conseqüência da dor e não do analgésico, a terrível dor de lhe terem amputado sem qualquer analgesia, o menino que devia ter brincado de esconde-esconde nas ruas, com outras crianças, chupado o dedo, jogado bola e soltado pipa. Sem esse menino seu balão , voou à deriva, numa enganadora liberdade, mas nunca deixou de ser um reles balão cativo: fama, lama, chama.


J. Flávio Vieira

A BELEZA, A SENSIBILIDADE E A HIGIENE DA ALMA



"O que distingue o homem ordinÁrio e o homem gênio é que, para ser feliz, o primeiro tem de se esquecer de si mesmo e de perder a consciência da sua individualidade, o segundo tem de se concentrar em si mesmo e de tomar posse do seu ser" (FEUCHTERSLEBEN,1914,pp.186).
FEUCHTERSLEBEN, BARÃO DE - Higiene da Alma, 8ª ed., Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira, 1914, p.205. trad.: Ramalho Ortigão.


DA SENSIBILIDADE
(trechos do livro ENSINAR E APRENDER - KRISHNAMURTI)

"Alguns dos professores daqui falavam comigo, há alguns dias, sobre a importância da sensibilidade, como é necessário ter-se um corpo sensível, uma mente ágil. O homem que está cônscio do ambiente em que vive, assim como de cada movimento do pensar e do sentir, é um todo harmonioso, é sensível. Como surge tal sensibilidade? De que maneira, é possível um completo desenvolvimento do corpo, das emoções, da capacidade de pensar profunda e amplamente, a ponto de o ser inteiro tornar-se surpreendentemente alerta a tudo à sua volta, a cada desafio, a toda influência? E será isto possível em um mundo como este, um mundo em que o conhecimento técnico, por ser bem remunerado, é de grande valor, e no qual um engenheiro ou especialista em eletrônica assume tal importância? Será isto viável? Os políticos, os técnicos em eletrônica, transformam-se em maravilhosas máquinas humanas, porém levam vida muito limitada. São pessoas atribuladas, sem qualquer profundidade. Tudo o que sabem pertence a seu pequeno mundo; o mundo determinado pela sua especialidade.
Uma vida baseada em conhecimentos tecnológicos é uma vida estreita, sem amplitude. Está fadada a gerar angústia, sofrimento. Poderá a pessoa, com tal habilitação, realizar seu trabalho, ganhar a vida, e ainda viver com intensidade, clareza, visão? Eis o problema. A vida não é meramente ir ao escritório dia após dia. A vida é extraordinariamente rica, importante, mas para isso o ente humano tem de ser perceptivo, possuir uma sensibilidade capaz de apreender a beleza. Como sabem, há algo de admirável em relação ao belo. A beleza nunca é pessoal [individual], embora nós a tornemos assim. Enfeitamos o cabelo com flores, vestimos requintados sáris, usamos bonitas camisas e calças, somos elegantes e procuramos mostrar-nos tão atraentes quanto possível; mas essa é uma beleza bem limitada. Não digo que não devam usar boas roupas, mas isto não é apreciar a beleza. A apreciação da beleza está no ver uma árvore, um quadro, uma estátua, no ver as nuvens, os céus, os pássaros a voar, a estrela matutina e o ocaso por trás daquelas montanhas. Para contemplarmos a grandiosidade da beleza temos de superar nossas insignificantes vidas.
Pode ser que vocês tenham gosto. Sabem o que significa ter bom gosto? É saber combinar as cores, não usando aquelas que se choquem, não dizer coisas cruéis sobre os outros, ser bondoso, perceber os atrativos de uma casa, ter belos quadros, salas com proporções exatas. Tudo isso revela bom gosto, que é cultivável. Mas ter bom gosto não eqüivale a apreciar o belo. Este nunca é pessoal [individual]. Quando a beleza é personalizada [individualizada], incorpora-se ao eu. O interesse próprio é a fonte do infortúnio. A maioria das pessoas, sabemos todos, não são felizes. Elas têm dinheiro, boa posição, poder, mas só há vacuidade em seu coração. A fonte desse vazio, desse desespero, desse conflito e profunda angústia, é um sentimento de culpa e medo.
Apreciar verdadeiramente a beleza é ver uma montanha, é extasiar-nos com o encanto das árvores; ver o fluir de um rio e com ele seguir do princípio ao fim; perder-se na magnificência, na pujança, na rapidez do rio. Porém, nada disso se acha ao nosso alcance se apenas nos preocupamos com o poder, com o dinheiro, com uma carreira. Esta é apenas uma parte do viver, e quando só nos interessamos por uma fração da existência, tornarmo-nos insensíveis, o que leva a uma vida oca e infeliz. Uma vida insignificante sempre produz angústia e confusão, tanto à própria pessoa, como aos que lhe são próximos. Não estou pregando moralismo, apenas expondo os fatos existenciais.
Cabe a seus professores não só educá-los, parcialmente, senão também de maneira total; e fazê-lo de modo que não sejam sugados pelo mesquinho sorvedouro da existência, habilitando-os, assim, a terem uma vida plena. Esta é a função do educador. A correta educação aprimora o ser inteiro, a mentalidade do homem. Propicia à mente e ao coração uma certa profundeza e a capacidade de apreciar e sentir o belo".

A VERDADE DE CADA UM


Certa vez um sujeito se aproximou de um grupo e incomodado com uma enorme verruga no nariz indagou: “Vocês sabem o que está acontecendo com o meu nariz?”. O grupo era formado de indivíduos de diversas formas e correntes de pensamento. Havia nesse grupo um filósofo, um biólogo, um físico, um químico, um antropólogo, um místico, um religioso e um espiritualista. O filósofo pediu a palavra e respondeu: “Meu caro amigo, o teu problema é de ordem existencial e somente solucionará essa questão quando utilizar toda a sua capacidade de entendimento de sua própria natureza, pois segundo Sócrates deves conhecer-te a ti mesmo. Assim, conhecendo a si mesmo, conhecerás a natureza da tua própria criação”. Em seguida, o biólogo tomou a palavra e disse: “Meu irmão, não se preocupe pois a biologia já vem desvendando o mistério do sistema químico-físico mais profundo das células. Já descobrimos que a maioria dos nossos problemas é de ordem genética. Nesse sentido, você deve ter herdado certo tipo de genes de seus antepassados. E como a ciência já vem fazendo estudos sobre a “geografia” genética da natureza humana, logo nós teremos uma solução para todo tipo de verruga localizada”. Logo em seguida, o físico disse: “Meu companheiro, a questão está na estrutura atômica de seu sistema energético. O teu corpo é formado por diversos níveis de energia e certamente a realidade quântica de seu organismo está dando a você a impressão de existir uma anormalidade, mas isso é pura ilusão. Isto porque segundo a física quântica a erva não é verde, a neve não é fria e a pedra não é dura. Tudo são percepções que criamos de nós mesmos”. O químico se apressou e disse: “Caro colega, a matéria é formada por sistemas atômicos e processos químicos acontecem num processo de transformação muito veloz. A verruga nada mais é do que uma troca de substâncias num fluxo de radicais livres. Isso é uma questão ortomolecular. Mude a sua alimentação e isso desaparecerá”. O antropólogo emendou dizendo: “A cultura alimentar tanto quanto a cultura social estão criando as condições para o surgimento de um processo de anomalia física. Mude os seus hábitos sociais também. Busque um clima mais suave e ameno que o ph do seu sangue mudará também. E assim o seu organismo responderá e se adaptará num equilíbrio perfeito”. O místico percebendo o silêncio afirmou: “Lembre-se de que você é parte de uma ordem cósmica e por causa disso as energias cósmicas que atravessam o seu sistema energético está encontrando dificuldades. O que você vê como verruga é um estrangulamento da energia Ki conhecida pelos orientais. Procure harmonizar os seus chakras e o fluxo de energia voltará a funcionar normalmente. Faça ioga (lê-se iôga) e você encontrará o seu ponto de equilíbrio interior e assim se curará”. O religioso então falou: “Deus está presente em tudo, inclusive em você. Aceite esse mistério e converta o seu problema pela fé. O nosso propósito aqui nesse plano e mundo é aprender a converter tudo pelo poder da fé. Tenha fé em Deus e tudo sairá bem”. O espiritualista finalizou dizendo: “Meu irmão espiritual, entenda que a nossa missão é transcender a carne. A verruga é uma prova que lhe foi dada para que você trancenda-a e cumpra a sua missão espiritual. Tudo nesse plano é teste e autosuperação”.

Moral da História: Não existe uma única verdade, mas vários ângulos e perspectivas diferentes que se complementam para formar um todo holístico da compreensão de que somos mistérios e revelações de um propósito cósmico muito maior do que nossas pretensões racionais. Se fixar numa perspectiva, é abandonar as demais e com isso se perde a oportunidade de compreender que a verdade não é uma soma ou subtração de quaisquer perspectivas, mas a aceitação de que cada um de nós prescreve uma parte da realidade porque é sujeito criador e não um mero espectador da realidade. Deixar-se conduzir por uma única perspectiva apenas é alienar-se em si mesmo daquilo que é mais fantástico no ser humano: a liberdade de criar e estruturar a sua própria realidade complexa, plural e holística.

Obs.: se alguém desejar fazer um comentário, por favor não faça no anonimato e não seja agressivo e desrespeitoso com a verdade e o modo de comunicação diferente do outro. Portanto, que seja ético e democrático. Não aceito comentários anônimos...pois indica medo, covardia ou maldade no coração.
Prof. Bernardo Melgaço da Silva

SEM PLAVARAS

Sonhos sonhados - Por Claude Bloc


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Embaraçante aquela umidade em seu rosto. Levantou-se. Desligou o computador. Apagou a luz e pôs-se a relembrar o momento aflitivo por que passara. Deitada, manteve-se em silêncio absoluto. Pensava apenas. Mas não conseguia sonhar. Mantinha um duelo íntimo com essas lembranças que incomodavam.... Chorava? Sentia-se boba, insegura.
A morna sensação de tristeza ia se dispersando na madrugada. Pequenas coisas, pequenos céus pareciam perambular pela sua memória. Palavras. Muitas delas. Todas povoando os vazios de sua alma. Onde encontraria as respostas que buscava?
Cruzou as pernas tentando dissipar o desconforto e a tensão Na escuridão, miríades de estrelinhas imaginárias circulavam pelo seu quarto... Pensava no mar, na maresia., os tais caminhos já percorridos. O mar varrendo o passado e o repetido prazer de encontrar nele um sorriso que nunca vira.
Escutava os sons da noite. Remexia-se impaciente na cama. O sono não chegava! Pensamentos esvoaçantes iam e vinham... Mas... estava ali deitada, estranha, sem reação, sem vontades nem desejos. Olhava para o teto, para as paredes negras da noite. Sentia um par de olhos seguindo seus movimentos... O mesmo que incognitamente vasculhava sua vida através da telinha e a acompanhava noite após noite, madrugada a dentro. Suspirou longa e pausadamente... Lembrou-se novamente de seu discurso sentido e triste. Queria passar incólume por tudo isso, não como uma presa, mas por entre admiração e respeito.
Passou os dedos por entre os cabelos em desalinho e fechou os olhos desalentada. Tentava não pensar, mas tudo lhe vinha aos borbotões. Tudo lhe soava como um instigante mistério. Queria saber, sentir a verdade. Por que lhe sonegavam a verdade?
Enrodilhou-se procurou abrigo no interior do novelo que lhe enchia o peito. Sentiu que a saudade não morava longe. Habitava ali mesmo na sua solidão.
Não lhe vinham respostas. Somente as estrelas bebiam-lhe as lágrimas dos sonhos sonhados.

Texto e imagem de Claude Bloc

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

SOPA DE LETRAS by LUPIN


A SOPA hoje é um duelo entre dois grandes frasistas:LA ROCHEFOUCAULD y MILLÔR.Bom apetite!

Mulheres à beira de um ataque de nervos

Vi uma discussão bizarra no Blog do Crato e aí, como se dizia antigamente, caiu a ficha. Fotografadas ficaram chateadas porque foram publicadas fotos suas que elas não gostaram (diga-se de passagem, as fotos eram boas) As alegações é que as fotos mostravam rugas ou que eram distorcidas. Fico impressionado com a auto-imagem que algumas pessoas possuem. Ou com a vaidade disfarçada com mil nomes. Ou com a desculpa escondida na "naturalidade" da expressão "vaidade feminina". São essa pessoas que, além de ter uma visão ultrapassada do que seja fotografia , não admitem críticas. Se protegem em um mundo da "boa educação" onde só se pode falar coisas "belas". Como se beleza fosse um conceito absoluto. Inconteste. E a produção "artística" ficasse presa em um passado romantizado cuja melhor representação é a nostalgia. Fotógrafos! Fotografem dos mais diversos ângulos! A beleza está nos olhos de quem vê!

Estabelecendo o elo entre Yoga e ciência


http://www.valeyoga.com.br/yoga_noticias/category/yoga-e-espiritualidade/
23 de October de 2007 as 1:41 pm • Categoria Yoga e Espiritualidade, Notí¬cias Internacionais, Yoga e Saúde, Índia

Conheça H.R. Nagendra, na descrição do site livemint.com.

Vestido de branco, descalço, ele se apresenta para platéias repletas de estudantes e os encanta. Nagendra é vice-reitor da Universidade Swami Vivekananda Yoga Anusandhana Samsthana, conhecida pela sigla SVYASA, na Índia. A instituição participa de projetos de pesquisa, junto com importantes universidades americanas, como a Johns Hopkins e a Harvard, para entender cientificamente os efeitos do Yoga no corpo humano. Os testes clínicos investigam como o Yoga pode ser usado para lidar com doenças atuais, como a asma, as alergias, o colesterol, o diabetes e a pressão alta. A SVYASA oferece também programas de mestrado e doutorado que unem o Yoga a vários ramos da ciência, da administração de empresas, espiritualidade e ciências humanas. Esse casamento – Yoga e ciência - faz sentido para ele, que fez doutorado em engenharia mecânica na Índia; trabalhou na Universidade de British Columbia, no Reino Unido; no centro de vôo espacial Marshal, da agênca espacial americana NASA; e na Faculdade de Engenharia de Harvard, nos EUA. Nagendra pensa com a racionalidade de um engenheiro, mas se sente atraído pelo misticismo. “Todo cientista que admiro – de Einstein a Newton – se voltou para o misticismo na fase mais madura da vida”, disse. “Há muitas coisas que a ciência não consegue explicar”...

Materialismo Histórico

Alguns alunos me perguntam e pedem que eu explique de forma simplificada o que é o Materialismo Histórico. Isso não é tarefa simples.

Tentarei começar uma discussão, mesmo sabendo que não é num blog que dá para se explicar a questão.

O termo Materialismo Histórico é utilizado para designar a teoria e o método de interpretação da História proposto por Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895). Sabe-se que nenhum deles ostentou a condição de “historiador”, inclusive foram excluídos do âmbito acadêmico e científico de sua época, sofrendo perseguição policial e política.

É inegável que o marxismo sofreu forte crítica nos meios acadêmicos devido à crise do chamado “socialismo real”. Baseado no fato que os regimes que se intitulavam socialistas terem como ideologia oficial o marxismo-leninismo, com a derrocada dos mesmos, a teoria marxista foi proclamada obsoleta pela imprensa burguesa e assim considerada por muitos no mundo acadêmico. No entanto, antes dessa “última” crise do marxismo, é válido lembrarmos que, em muitas outras ocasiões tal concepção foi assim considerada. Em 1908, Vladimir Ilich Ulianov, conhecido como Lênin (LENINE, V. I. Marxismo e Revisionismo, in: Obras escolhidas. São Paulo: Alfa-Ômega, 1979, p. 40-46.) se colocava sobre a questão:

"Inútil falar da ciência e da filosofias burguesas, ensinadas escolasticamente pelos professores oficiais para embrutecer as novas gerações das classes possuídoras e ‘amestrá-las’ contra os inimigos de fora e de dentro. Esta ciência não quer nem ouvir falar de marxismo, declarando-o refutado e destruído; tanto os jovens homens de ciência que fazem carreira refutando o socialismo, como os velhos decrépitos, guardiães dos legados de toda a espécie de ‘sistemas’ caducos, se lançam sobre Marx com o mesmo zelo."

Depois, se alguém se interessar, eu volto a discutir o tema.


Rebelião Generalizada

Fonte: Portal Vermelho

"O site 5septiembre, do jornal de mesmo nome, de Cienfuegos, sul de Cuba, publicou esta entrevista por internet com o veterano jornalista hondurenho Eduardo Coto. Coto transmite a situação em San Pedro Sula, segunda maior cidade de Honduras (1 milhão de habitantes, no noroeste). Diz que os atores sociais responderam ao golpe "de forma admirável" e "é algo incrível o modo como se criou consciência aqui em Honduras". Veja a íntegra.

O rastro de sua intensa atividade não me deixa mentir: Eduardo Coto, velho jornalista independente hondurenho (um filho de mesmo nome também exerce a profissão), está nas filas da rejeição do golpe desde o domingo, 28 junho, data da quartelada contra o presidente constitucional, Manuel Zelaya.


Desde antes até: na tarde de sábado, Coto e várias centenas de pessoas realizaram uma manifestação em frente à catedral da Igreja São Pedro Apóstolo, em favor da "quarta urna" [consulta ao povo sobre uma Assembléia Constituinte].


Sabe-se o que aconteceu a seguir. Na madrugada de 28, militares mascarados tomaram de assalto a residência do presidente. Este foi sequestrado, de pijama, para Costa Rica, em uma manobra espúria que tentam apresentar ao mundo como um ato legal.


Pouco depois o povo saiu às ruas para protestar contra a usurpação. Desde então, Eduardo Coto permanece em vigília diante da igreja dedicada ao padroeiro da bela cidade hondurenha.


O
5 Setiembre digital contatou-o via internet, apresentando estas perguntas:

Eduardo Coto: A mesma que no resto do país: um estado permanente de rebelião desde o próprio domingo, quando nos demos conta deste golpe, este murro na democracia hondurenha. Estamos em estado de rebelião, como autoriza a nossa Constituição caso exista um governo espúrio como esse encabeçado por Roberto Michelleti, a quem desconhecemos como governante dos hondurenhos.

5septiembre: Como os atores sociais responderam à greve geral convocada pelo movimento pró-volta do presidente Zelaya?

Coto: Admiravelmente. É algo incrível o modo como se criou consciência aqui em Honduras, e graças a esse apelo feito pelo presidente da República, a convocar uma consulta ao povo. Eu pertenço ao partido da oposição, mas creio que em nenhum lugar do mundo se deve proibir, considerar ilegal, uma consulta ao povo.

5septiembre: O que está previsto para a cidade? Existe algum apoio aos movimentos que protestam na capital, Tegucigalpa?


Coto: Como os principais meios de comunicação estão a serviço da oligarquia, da plutocracia hondurenho, só informam o que diz o golpista a partir do Palácio Presidencial afirmou o golpe Michelleti. Aqui nós estávamos desconectados, mas pouco a pouco vamos nos dando conta de que não é só Tegucigalpa, não é só San Pedro Sula. Agora se somam Puerto Cortés, El Paraíso, comunidades no oeste, centro e sul do país. A rebelião é generalizada.

5septiembre: Zelaya anunciou que vai voltar a Tegucigalpa para retomar suas funções. Você conhece algum preparativo para viabilizar o regresso do presidente? Como é que o povo de Honduras recebeu a notícia?


Coto: Bem, o único projeto que existe é recebe-lo com aplausos e os vivas do povo hondurenho, principalmente a classe média, a classe pobre hondurenha, exceluídas pelos setores plutocráticos que hoje têm espaços abertos.


5septiembre: Eduardo, sabemos do seu protesto pacífico e da sua decisão de fazer uma greve de fome. Conte com a solidariedade com o povo de Cuba, especialmente o povo de Cienfuegos, que permanece mobilizado, denunciando o golpe e exigindo o retorno do presidente.


Coto: Veja, dou um admirador dos bravo, heróico povo cubano, desde [José] Martí [poeta e herói da independência de Cuba] e seus contemporâneos até os líderes atuais, que mantiveram acesa a tocha da liberdade. Saudações, compatriotas de Honduras! Saudações, queridos irmãos em Cuba!


Por último, colega uma mensagem para os cerca de 400 estudantes hondurenhos que cursam medicina em Cuba, em Cienfuegos. Para meus queridos compatriotas, um chamamento a que se esforcem. Desvelem-se, sacrifiquem-se, estudem, vocês são o futuro deste país. Sintam-se confortados, pois seus pais, seus amigos, estão aqui com o povo dizendo não ao golpe Roberto Michelleti, o Caim [Coto faz um trocadilho entre o apelido do chefe do golpe, Bain, e o personagem da Bília que teria sido o primeiro assassino da humanidade].


5septiembre: Muito obrigado Eduardo. Cuide-se."


http://www.5septiembre.cu

Nos passos de Dom Hélder



Diário de Pernambuco ( 02/07/09)



A pergunta mais frequente ontem, no meio católico, era como ficará a Igreja depois da saída de dom José Cardoso.
Sincero nas conversas, voltado à oração e ao momento atual da Igreja, novo arcebispo assumirá em agosto.




Mesmo sem dom Fernando Saburido ter assumido o comando da arquidiocese, a terceira mais importante do Brasil, havia o consenso de que a condução da Igreja será bem diferente do modo que hoje faz dom José. Os sinais das mudanças, segundo integrantes e estudiosos da Igreja, estariam nas entrevistas de dom Fernando à imprensa e na carta aberta que ele enviou ontem ao arcebispo. A expectativa, como o futuro arcebispo enfatizou, é de que o modelo centrado nas questões internas da Igreja cede lugar ao modelo voltado às ações pastorais, o que se aproxima à forma eclesial implantada por dom Helder Camara entre 1964 e 1985."Eu sou mais voltado para a pastoral", enfatizou dom Fernando. Ser pastoral, trocando em miúdos, seria voltar-se para ouvir, reunir-se com as comunidades. Dar espaço maior aos leigos e às organizações. Nesse sentido, o futuro arcebispo é claro. Ele disse ainda não ter um plano para o desafio de administrar uma arquidiocese com mais de cem paróquias e com mais de 2 milhões de católicos declarados. "Cada pessoa tem a sua cabeça, a sua maneira de trabalhar. Mas não tenho nada programado. Vamos fazer uma assembleia com os padres, com o povo e ver o que é mais urgente, o que Deus está querendo", anunciou. Ao agir assim, o futuro arcebispo estaria atendendo ao desejo de grande parte das pessoas que atuaram no arcebispado de dom Helder e que se afastaram da Igreja com a chegada de dom José. Doutor em teologia, Inácio Strieder, disse não ter dúvidas de que dom Fernando terá um novo jeito de gerir a Igreja local. "A perspectiva é totalmente diferente do que existe hoje. Dom Fernando já sinalizou que ouvirá os diversos setores da Igreja. Isso não será difícil porque ele conhece bem a arquidiocese", analisa. A seu favor, acredita Strieder, o bispo de Sobral teria a característica de ser aberto ao diálogo e a maneira tranquila de lidar com pontos de vista diferentes. "Ele age com tolerância" argumentou, fazendo referência ao comportamento de dom José diante de críticas. O historiador Severino Vicente, autor do livro Entre o Tibre e o Capibaribe, obra que fala da chamada Igreja Progressista, também vê na nomeação de dom Fernando possibilidades de mudança. "Mas não acredito que ele fará o mesmo que dom Helder fez. Está por vir uma Igreja com o jeito próprio de dom Fernando", frisou. Dom Fernando seria um religioso que agrada aos progressistas, órfãos desde a saída de dom Helder, e aos conservadores, órfãos com a aposentadoria de dom José. Um bispo hábil no diálogo, sincero nas conversas, voltado à oração e sintonizado com o momento em que vive a Igreja. Desligado da Igreja por determinação de dom José, padre Reginaldo Veloso disse não está esperando por um novo dom Helder. "Basta que seja um pastor que saiba ouvir seu rebanho, dar uma palavra de conforto e de esperança". Muitos padres e bispos acreditam que dom Fernando atende a esses pré-requisitos. "Ele sempre foi um homem leal a dom José, à Igreja e sabe muito bem ouvir os pobres", disse o presidente da CNBB - Regional Nordeste 2, dom Antônio Muniz. Agora, é esperar. (J.P)"Trechos da carta a dom José Cardoso"Caríssimo Dom José, Recebi com emoção a comunicação de que o Santo Padre Bento XVI me nomeou Arcebispo de Olinda e Recife. O primeiro sentimento a me invadir o coração foi o de temor e de indignidade (...)Através de V. Excia, gostaria de transmitir a todo o povo da arquidiocese que, humildemente, aceitei o chamado da Igreja, em espírito de fé e obediência. O meu lema episcopal "Secundum Verbum Tuum" me motiva a imitar a "Serva do Senhor" que corajosamente respondeu SIM ao chamado de Deus, apesar da sua "pequenez" (...)Conto muito com o seu apoio e colaboração de todos, para juntos darmos prosseguimento à missão e reforçarmos a construção de uma Igreja ministerial, de comunhão e participação, a serviço do Reino de Deus, especialmente, voltada para os interesses dos mais pobres e necessitados(...)Durante vários anos, especialmente nos cinco anos em que fui Bispo Auxiliar (2000/2005), trabalhamos na unidade. Olinda e Recife foi para mim uma verdadeira escola que me preparou para assumir a Diocese de Sobral. Hoje,atendendo ao chamado do Santo Padre, retorno mais experiente e com um único propósito: Servir(...)

Crato intolerado pelo governador – por Pedro Esmeraldo



Toda a população cratense, ainda ressabiada pela atitude inconseqüente e intolerante das autoridades governamentais em querer tirar do local o “parque de exposição”, dizendo palavras desconexas com o desejo de ampliar o campus da URCA para ser instalado em outra localidade que não satisfaz ao desenvolvimento do Crato. Convém notar, que esse parque foi construído, há muitos anos e que vem se agigantando, tornando-se uma das maiores festas populares do Nordeste.
Por isso, todo cratense anda revoltado, com uma pulga atrás da orelha e vem gritando com vozes vibrantes como que, querendo, com espírito de revolta ofuscar esse pensamento dissonante do senhor governador, não aceitando essas medidas descabidas, que a nosso ver, tem o fito de prejudicar o bom andamento dos festejos do Crato.
Por outro lado, alertamos aos cratenses que não durmam, apesar de sermos um povo ordeiro, não devemos esmorecer com medidas arbitrárias desses políticos que foram beneficiados com uma votação estrondosa e que nem sequer contempla o Crato com obras coadjuvantes ao seu desenvolvimento.
Avisamos ainda, que, esperamos que o governo retire essas medidas estapafúrdias, querendo tirar do Crato, com urdiduras a fim de beneficiar unicamente um só município do Cariri. Isso é um desaforo, um desrespeito à cidade do Crato.
Com isso, viemos alertar a essas autoridades, e ao mesmo tempo, pedindo que não mexam com o Crato, deixem o Crato em paz, pois todos andam em comum acordo, que nós os cratenses, saberemos caminhar dentro da ética e elevaremos o espírito de homem sério, lutando pela prática democrática, com amor ao trabalho. De antemão, procuraremos dialogar com essas autoridades, mostrando o bom desempenho de homens dignos e altivos, seguindo pela estrada do bem e da verdade, conquistando com o nosso trabalho a melhoria de qualidade em busca do futuro próximo, que com certeza, confiante em Deus alcançaremos.
Quanto aos problemas da URCA, afirmamos que esse seu problema é político e não de espaço físico, pois há um conjunto de homens e mulheres, sem vocação dirigindo a URCA, conduzindo-a a bancarrota, sem nenhuma expressão administrativa.
Notamos ainda que na URCA há terrenos para alongar suas áreas universitárias sem precisar invadir o espaço da exposição do Crato. Para se ter uma idéia ampla acrescentamos que na URCA há terreno de sobra, pois além do campus do pimenta possui um terreno na faculdade de direito, o prédio do Colégio Municipal e uma gleba de terra invadida no parque de exposição e que até agora não diz para que fim é destinado. Alertamos ainda que o pessoal da URCA não se satisfaz quer mais espaço e que notamos o seu desejo é: prejudicar o Crato.
Cratenses, tomemos cuidados em não aceitar essas medidas escandalosas, vamos lutar, pois com união seremos um Crato gigante e impetuoso.

Crato, 02 de Julho de 2009

Deu no Terra Magazine: a lavagem de dinheiro no futebol

O Terra Megazine por Bob Fernandes publica importante assunto para se pensar o momento da economia. Uma matéria do blogueiro Fábio Kadow sobre um relatório do Financial Action Task Force, agência internacional criada em 1989 pelo então G7 para fiscalizar e combater a lavagem de dinheiro no mundo todo. E quem se encontra profundamente na lavanderia do dinheiro sujo? O futebol que há pouco mais de um dia festejou com estádio cheio a compra milionária de Kaká e Cristiano Ronaldo para um time espanhol. Diz o blogueiro: “o dinheiro do tráfico de órgãos e de drogas, sonegação fiscal e corrupção estão no cotidiano do esporte. E a Inglaterra, com nove dos 20 clubes da milionária Premier League sendo administrados por estrangeiros, é um dos locais preferidos para essas pessoas que investem dinheiro ilegal no futebol.”

E confirma a prática com a explicitação de casos reais: “jogadores que disputam a Premier League (suas identidades não foram reveladas) chegaram a confirmar que, seguindo acordos feitos pelos seus agentes, recebem seus salários ou o pagamento pelos direitos de imagem em paraísos fiscais, fugindo do fisco inglês. Não se trata de mais um escândalo, apenas do modo como evoluiu o capitalismo real na ponta da exploração de atividades criminosas e na ponta do emprego financista.

Todos estão de acordo que talvez o modo verdadeiramente eficaz de combater práticas danosas à humanidade com o fito de exploração econômica seja o próprio controle da moeda nas mãos dos exploradores. Sem recursos, deixariam de ser exploradores, se tornando iguais aos demais. Como as moedas são dos Estados Nacionais e de algum modo passam pelos Bancos Centrais, entre outras instituições, não restam dúvidas que o combate à lavagem de dinheiro passa pelo fim dos paraísos fiscais. Aí não tratamos apenas daquele vezo liberal da ira aos impostos, mas do controle fiscal como instrumento de controlar a origem daquele dinheiro. Sem controlar as lavanderias, o crime organizado irá adiante: financiado milícias armadas, corrompendo as instituições do Estado, criando instrumentos mafiosos na dinâmica econômica e social e, especialmente, destruindo a inteireza da humanidade desejada por todos.

E a questão é de natureza política e de algum modo revolucionária. No corpo do relatório (link http://www.fatf-gafi.org/dataoecd/7/41/43216572.pdf ) se observa o quanto no negócio do futebol a estrutura é enorme. Com dados de 2006 se estimavam 265 milhões de jogadores, ou seja, 8% da população mundial. Deste total de jogadores, 38 milhões estavam registrados em alguma liga. Existem 301.000 clubes e entre os 20 países com maiores números de jogadores registrados estão: Alemanha (mais de 6 milhões); USA (mais de 4 milhões) e Brasil (mais de 2 milhões).

Mais politizada se torna, pois o negócio do futebol se concentra na Europa com faturamento de 13,8 bilhões e este se concentra em cinco ligas (68%). Em outras palavras o problema do capitalismo mundial continua sendo do sistema financeiro e este além dos problemas de bolhas de mercado, tem os paraísos fiscais, a lavagem de dinheiro de atividades criminosas entre tantas.
A verdade é que não se pode confiar num modelo líquido e certo para a evolução dos fenômenos econômicos, sociais e políticos. Do mesmo modo que a confiança de Marx e Engels na evolução do capitalismo para o socialismo foi atropelada pela burocracia que seqüestrou os meios econômicos dos seus povos, igualmente se dirá do capitalismo nesta fase de desenvolvimento. Aqui degenerando em ligas de interesses corporativos, violentas como as máfias, as milícias, traficantes, negociantes da violência, da corrupção de toda natureza e da destruição social.

O PODER DO SOM E DA MENTE (TEXTOS E FIGURAS RETIRADOS DA INTERNET)















Dom José Cardoso deixa a arquidiocese de Recife - por Armando Rafael



O Vaticano anunciou nesta quarta-feira, 1º de julho, que o papa Bento XVI aceitou o pedido de renúncia apresentado por dom José Cardoso Sobrinho com base no cânon 401, parágrafo 1o, que prescreve a renúncia do bispo ao completar 75 anos. Dom José apresentou sua renúncia há um ano, mas somente depois de ter completado 76 anos, o Vaticano aceitou a renúncia do arcebispo de Olinda e Recife. Ele governou aquela arquidiocese por quase 25 anos.

Dom José Cardoso ficou conhecido em todo o mundo em face do verdadeiro “estrondo publicitário” articulado para denegrir a Igreja e favorecer a legalização do aborto no Brasil. No entanto ele recebeu caloroso apoio no meio católico mundial a ponte de ser distinguido com o prestigioso prêmio Cardeal von Galen, concedido pela instituição católica norte-americana Human Life Internacional (HLI). O prêmio foi entregue ao bispo pernambucano no último mês de abril.
Todo mundo lembra a campanha que mídia pró-aborto (nacional e internacional) moveu contra dom José Cardoso, de forma virulenta, adulterando fatos (por exemplo, difundindo a notícia de que a menina corria risco de morrer, o que ficou comprovado ser falso). Tentava assim jogar violentamente a opinião pública contra a posição da Igreja Católica, que defende a vida desde a concepção. Na ocasião, alguns eclesiásticos e leigos assumiram escandalosa posição contrária ao arcebispo, portanto em oposição à clara doutrina católica sobre a matéria.
Mas ele teve sua coragem reconhecida por ter defendido a vida. Foi uma atitude heróica. E ver um arcebispo de 75 anos não ter medo de ser impopular, é louvável. A mídia atacou Dom José no mundo inteiro; ele não foi atacado por uma coisa má que tenha feito, mas por uma coisa boa.
Com a dignidade que sempre o caracterizou Dom José Cardoso Sobrinho informou que vai residir no Convento Carmelita de Camocim de São Felix, no Agreste pernambucano, depois do dia 16 de agosto, data em que ele passará o comando da arquidiocese a Dom Fernando Saburido, que foi seu bispo-auxliar de 2000 a 2005, indicado por dom José Cardoso para aquela função.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Noite

Casamento excremento o nosso -
mesmo depois de lavado o vaso
e puxada a descarga

não me lembro de uma música
que me traga boas lembranças.

Desde o princípio
vivemos mútua traição
em pensamentos e distância.

Como é doloroso
limpar o peixe congelado

com o dedo ferido
e o esparadrapo sujo.

Casamento fajuto o nosso -
mesmo depois de triturados os ossos
nem os cães mendigos aceitam farelo.

Morramos então satisfeitos
com a nossa demência
distante da sombra inimiga.

O céu da cidade

Quando a cidade ainda era criança ouvia histórias de Trancoso ao luar ou em noites estreladas. Foi nesta era que aprendeu a mais improvável das idéias. O tempo e o espaço não existiriam por eles, dependiam dos astros no universo. E então ela compreendeu, mesmo uma menina ainda aprendiz, entre o alto do Seminário e de São Francisco, que o céu era invenção de seus próprios corpos celestes.

Por isso na parte do seu umbigo, a qual brincava chamando-o Siqueira Campos, ela imaginava que ali se reuniriam os astros do céu para longas noites de brincadeira. E como uma criança de sentido na vida, todas as noites ela punha as estrelas, os satélites, os cometas, asteróides, corpos cadentes, pulsares e quasares para animada conversa.

A criança entendia que todos deveriam nas noites se encontrar. Sem qualquer censura a quem quer que fosse. Sem dimensões, hierarquias ou primazias, apenas a reunião para que assim o céu surgisse em sua natureza dependente dos corpos reunidos.

De vez em quando o sol queria mediar alguma coisa, dizer que ele era o principal, pois ocupava com seu brilho metade do tempo. Mas a criança dizia-lhe: o tempo é matéria de todos os corpos celestes. Não adiantava o sol querer censurar, se vingar com seus raios candentes, se aborrecer com os outros astros, ele apenas o era em face dos demais.

Pois naquele céu da cidade a estrela mais amorosa, doce com estas luzes matutinas e vespertinas, canto das ladainhas com cheiro de vela iluminada, era uma necessidade inarredável. A estrelinha com algumas sombras enrugadas, uma cicatriz da eventualidade, não era imagem dos espelhos côncavos, era um astro mantenedor do céu da cidade.

Feito aquelas estrelas da constelação de câncer, que dizem do incontrolável em multiplicação, mas são tímidas e misteriosas, ligadas às tradições. Mesmo que lhe digam abismo, é o signo do sonho, da ternura, imaginação e da memória tenaz que fixa e idealiza as recordações, acontecimentos e sentimentos do passado para se proteger contra as incertezas do futuro. Sedutor e sensual. Com seus textos e figuras retiradas dos jardins do mundo.

E sempre lá as estrelas do Cruzeiro do Sul, no traço do caminho da via láctea, a rota que do litoral aponta para a origem. Como é para sul, se veste de outras possibilidades que não apenas as mesmas normas assim do modo costumeiro, o seu contrário que até se diz que norteia. Os astros constelares destes céus que se dizem luzes.

E o céu necessita dos pulsares que não cessam, mesmo quando despido de suas lagartixas ou das formas continentes do cotidiano. Os pulsares são tantos e dispersos no planisfério da praça que em cada canto vem a narrativa de um tipo da cidade, uma voz das correntezas franciscanas; mais adiante uma voz feminina em dupla com o outro gênero.

Quasares como sugestão do indecifrável, na fronteira do universo, quase a cabeça luminosa de toda uma galáxia. Cometas anunciando os velhos tempos, puxando uma cauda luminosa entre o medievo e a modernidade. Alguma estrela polar essencialmente traduzindo o espaço como uma forma determinada pela intensa luminosidade de tal astro. E são todos, a cidade sabe que nenhum pode ausentar-se sob pena que o céu não se mostre.

Mesmo o buraco negro é necessário como parte positiva de tamanha conjugação. Certo que a palavra fala em negativo, no sumidouro de todas as partículas, mas também de uma força que tende a resolver tudo por origem. Aquele antes em que o horizonte de tantos eventos nem promessa seria. Apenas o irrealizado.

A cidade sabe a importância do céu, sem ele jamais chegaria à vida adulta.

Tchau !





01/07/2009 - 12h02
Papa aceita renúncia de bispo de PE que excomungou envolvidos em aborto

Na Cidade do Vaticano



O papa Bento 16 aceitou, um ano depois de apresentada, a renúncia do arcebispo brasileiro que, em março, protagonizou um escândalo internacional ao excomungar os envolvidos no aborto praticado em uma menina de nove anos que havia sido violentada sexualmente pelo padrasto. Hoje, o Vaticano anunciou que o monsenhor José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Olinda e Recife, teve a renúncia aceita, mas não fez alusão ao escândalo. Para o lugar de Cardoso Sobrinho, Bento 16 nomeou o monsenhor Antonio Fernando Saburido, informou a Secretaria de Imprensa da Santa Sé.
A renúncia do arcebispo foi apresentada há um ano, meses antes do incidente, porque o prelado atingira o limite de idade estipulado pela lei canônica para o exercício da função. O arcebispo de Olinda e Recife se envolveu em um escândalo internacional no dia 5 de março, quando anunciou publicamente que o médico que realizou o aborto e a mãe da menina vítima de estupro estavam sumariamente excomungados. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o L'Osservatore Romano, jornal oficial do Vaticano, e o presidente de La Pontifícia Academia da Vida, monsenhor Rino Fisichella, distanciaram-se da decisão do arcebispo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva censurou o prelado pela medida. No entanto, o arcebispo rechaçou as críticas e alegou ter aplicado a lei e a verdade da Igreja Católica.

Site UOL

Risos

Dentro do meu ventre
tem uma concha

com peixinhos frenéticos
e encantados.

Dão choques,
mudam de cores.

Bebem todo o mau-olhado
sobre mim lançado

e alegres
enxugam-me as orelhas.

CAMINHOS PARA A FELICIDADE (TEXTOS E FIGURAS RETIRADOS DA INTERNET)


Sétimo Mês

Ao caminhar com as próprias pernas
a Verdade não me acompanha.

A ventania que me cega
me empurra abismo abaixo

é sinal que não tenho forças
e que sou uma mentira.

Possuído por silenciosa magia

a mesma que abre a boca dos esquilos
e agasalha o lânguido corpo das minhocas

dou-me por completo
às balas perdidas,

às pedradas do alto,
ao tropeço repentino,

à altivez serena.

Ao caminhar com as próprias pernas
divago, mudo de caminho, piso em merda
de cachorro.

Mal-humorado não percebo
que a merda é de andorinha
e que os sonhos ainda me salvam.

OS MUTANTES (TEXTOS E FIGURAS RETIRADOS DA INTERNET)








Terça-feira, 30 de Junho de 2009

O ciúme no ponto negro de Caetano

Dorme o sol à flor do Chico, meio-dia
Tudo esbarra embriagado de seu lume
Dorme ponte, Pernambuco, Rio, Bahia
Só vigia um ponto negro: o meu ciúme


Existem canções, ou poesias, ou imagens que são paradoxais: explodem no coração tão universais como se todos compreendessem igual, ao mesmo tempo que trazem experiências pessoais que nem o compositor imaginou. Feito desde a primeira vez em que ouvi a música “O Ciúme” de Caetano Velloso. Seguramente a Bahia litorânea de Caetano não era a minha, mas Juazeiro e Petrolina eram, mesmo sendo esta pernambucana. Como os amores que atordoaram minha incompletude em plena Ilha do Fogo. Ou na Praça da Matriz, na Rua da Apolo, um acarajé no fim de tarde.

O ciúme lançou sua flecha preta
E acertou no meio exato da garganta
Quem nem alegre nem triste nem poeta
Entre Petrolina e Juazeiro canta
Velho Chico vens de Minas

E a primeira vez que a ouvi ou pelo menos prestei atenção na sua letra foi pela voz de Maria Bethania em disco não tão remoto no tempo. Mas o ciúme veio de longe, pelo leito do São Francisco desde as alterosas do sudeste, no planalto da Serra da Canastra.

De onde o oculto do mistério se escondeu
Sei que o levas todo em ti, não me ensinas
E eu sou só, eu só, eu só, eu
Juazeiro, nem te lembras dessa tarde
Petrolina, nem chegaste a perceber
Mas, na voz que canta tudo ainda arde

O ciúme, gêiser inesperado de águas geladas, cortantes como navalha de congelador. Misterioso como as serras de Minas, ensimesmadas numa cadeia de centenas de quilômetros, tão volumosas como o próprio oculto do ciúme. Tão exuberantes como o espontâneo do amor.

Tudo é perda, tudo quer buscar, cadê
Tanta gente canta, tanta gente cala
Tantas almas esticadas no curtume
Sobre toda estrada, sobre toda sala
Paira, monstruosa, a sombra do ciúme

E Juazeiro me era um contínuo desde o curtume até a loja de couros. Camurças, solas, solados. Esticada película de um mundo em transformação, tão corrente como as águas do rio, mas tão permanentes como a ponte que ainda hoje é.

Luzes serenas - Por Claude Bloc

Foto: por Claude Bloc


Sabe-se que a vida é teia
Além dos vórtices do tempo
Limbo das quimeras: lida, luz, esteio
Ao alcance do destino.
Timbre insólito na voz
Indomada e bela
Efígie, esboço, traço
Libertação da alma.


Luzes serenas, como sereno é o olhar, o riso, o instante. A arte no som da voz, a voz na tez da noite. Ar festivo, copos e comeres, ruído e risadas. Espaço pleno da alegria vibrante. Nas vozes o cristal, em tons bemois, infindos solfejos em pleno azul.
"... eu não sabia que você existia..."

Por Claude Bloc

Arraiá do Lula - outra visão.

Charge de Elvis para o Correio Amazonense

PENSAMENTO PARA O DIA – 30/06/2009



Não-violência (Ahimsa) significa não causar mal a pessoa alguma, o que não quer dizer simplesmente abster-se de causar danos aos outros com os membros do corpo ou com armas. A não-violência também precisa ser praticada com a pureza da mente, da língua e do corpo. Não deveria haver sentimentos ruins, pois isso também é uma forma de violência. Causar dano corporal ao outro é violência, mas falar de forma áspera também é violência. Sua fala deveria ser doce, agradável e benéfica. Todas suas ações deveriam ser úteis aos outros.
SATHYA SAI BABA

Baseado em Fato Verídico

Vanderlei tem uma careca luzidia.
Os olhos faiscantes.
O sorriso malandro.

Trabalhava no Sesi
quando caiu sobre sua cabeça
uma majestosa peruca de touro.

Pegou na cama a sua amada
com um negão pé tamanho 46.

Coitado do Vanderlei.
Passou enlouquecidamente
a chorar e a gargalhar e a repetir baixinho:
"tenho outra, ora, eu já tenho outra..."

Certo dia,
um colega seu de trabalho
percebendo atrás da moita
um entusiasmado esconde-esconde
passo ante passo deslumbrou o chapa
dando grau em uma jumentinha.

Digamos,
uma jumentinha olhar ressacado de Capitu
e as ancas levemente arrebitadas
de ninfeta do Rio.

Vanderlei sussurrava aos ouvidos da jumentinha
que ninguém lhe roubaria do coração
tampouco da alma tal eterno amor.

E beijava-lhe a crina
e lhe acarinhava o dorso.

A jumentinha com os olhos ressacados
arrebitava ainda mais as ancas douradas.

O colega de Vanderlei não se conteve.

Às gargalhadas e aos brados
jogando pedras, pedregulhos, gravetos
assustou o idílio carnal dos olhos ressacados
da jumentinha.

A mesma, morrendo de vergonha,
fechou a grutinha, apertou as ancas
e aos saltitantes galopes
arrastou o seu amado Vanderlei
do brejo até o estacionamento do Sesi.

O dono da jumentinha à polícia.
Deu queixa.
Vanderlei demitido por justa causa.

Pouco tempo após o despudorado evento
a jumentinha sumiu do terreno baldio
onde outrora um ninho de paixão.

Quinze anos passaram-se.
E ainda dizem as más línguas
que Vanderlei hoje um crente temente
cuida da sua jumentinha com decência e zelo.

Bem, agora uma senhora de idade.
Os olhos remelentos. As ancas arriadas.

Enquanto isso no "Arraiá do Torto"...


Renovação

Não sou de rastejar por muito tempo
cheirando mofo de sofá antigo.

Diga adeus ao monge de olhar lacrimejante.
O riso agora é de mulato -
largo e cortante.

O céu azul do último dia de junho
os andaimes levitando.

Solto a pipa do meu peito
sempre guardada com o rabo florido
para instantes de ventania e renascimento.

Mãos sem cerol,
dou linha
e sobe alto.

Diga adeus ao barroco rabugento -
o silêncio agora é de leveza
e contentamento.

Já comprei a cama box solteiro
pouco a pouco conquisto as paredes.

As formigas ainda se resguardam
do meu perfume desconhecido.

Não demora muito,
uma migalha de bolacha -
zapt!

Blog da Petrobrás

Charge de Bessinha para A Charge Online

SABEDORIA INCOMUM (TEXTOS E FIGURAS RETIRADOS DA INTERNET)










DANÇANDO E APRENDENDO A VIVER (TEXTOS E FIGURAS RETIRADOS DA INTERNET)























Necropsia

Deixe-me ser santo,
um sujeito bacana.

Renovo minha alma
no deserto da colina.

Não preciso cavar com as próprias unhas
um poço profundo para que brote da fonte
água pura e benta.

Deixe-me ser santo
asinhas meio caídas
arrastando-se pelo pântano.

A Verdade arde,
o fogo transparente.

Começo hoje a plantar um novo jardim
na varanda de jarros tristes.

Não espalho sementes.
Espero a boa vontade dos pássaros -
Os férteis bicos de longas jornadas.

Deixe-me ser santo,
a testa larga e os olhos míopes.

A saudade do outro suporta-se -
mas a ausência da estranha cumplicidade
conquistada com os objetos domésticos
amedronta e enlouquece.

Quanta falta me rasga o peito
das paredes silenciosas,
dos cantos lúgubres das salas,
quartos, atrás da geladeira.

Onde diabos se meteu
minha pequena lagartixa.

Morreu de fome,
de tristeza.

Saudade de gente passa -
mas criar laços
com a tímida surdez
dos copos, taças, pratos
de outra casa
é infernal.

Deixe-me ser santo,
admirar o dedo quase decepado
debaixo de uma tampa de cisterna.

Alguém há de beber do meu sangue.
As lágrimas já perderam o sal
e o rumo do mar.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Deixem o Parque em Paz - por Jurandy Temóteo

Entre as novas exigências do Ministério da Educação, para que a URCA seja renovada sua autorização de funcionamento como universidade, é preciso que ela tenha, em plena atividade, até a próxima inspeção do MEC: um curso de doutorado e três de mestrado.Do contrário, a URCA regride; retrocede de universidade para instituto.

Causou espanto e apreensão a divulgação pelo secretário Camilo Santana, no noticiário de maior audiência da Rádio Educadora, da pretensa mudança pelo governo Cid Gomes, do Parque Permanente de Exposições Agropecuárias do Crato.
Alegar que aqueles hectares com milhões de reais investidos em sua infra-estrutura seriam destinados à ampliar o Campus do Pimenta, da URCA, e de que o Parque de Exposições tem de sair da cidade, indo para uma área - que não tem nada - anexa ao Juazeiro, são desculpas inconsistentes e inconvenientes aos interesses do Crato.Contrários a mudança já se pronunciam o prefeito Samuel Araripe, a Câmara Municipal do Crato, a Associação Comercial do Crato, o CDL - Clube de Dirigentes Lojistas do Crato, o advogado e agropecuarista Raimundo de Oliveira Borges, a revista A Província, o cronista Pedro Esmeraldo.
Em Uberaba (MG), onde acontece há mais de 60 anos, a maior feira de exposições de Zebu do mundo, o parque é dentro da cidade e só tem causado benefícios para aquela população urbana; nem se cogita em mudá-lo.
Como é que se pretende relegar patrimônio tão grande - o do Parque Permanente de Exposições Agropecuárias do Crato, no Pimenta -, que vem se consolidando por mais de meio século, e é hoje a maior festa popular, no gênero, do interior do Nordeste e a quinta, em importância, do Brasil, para vê-la, a contra-gosto, anexada, impositivamente, ao Juazeiro?
A quase totalidade dos cratenses que não está comprometida com interesses mesquinhos, em detrimento da nossa comunidade, posiciona-se contra esta nociva pretensão.Respaldar-se nesta falsa premissa de ”beneficiar” a URCA é esconder o problema maior desta universidade. Aliás, ela já tem, dentro do parque, um pavilhão cedido, há mais de seis anos, mal aproveitado, passando a maior parte do ano fechado.
O prefeito Samuel Alencar Araripe ofertou para a URCA alguns hectares, no Muriti, em terreno contíguo onde estão construindo o Centro de Convenções, a Faculdade Católica e o Campus do Crato, da UFC. Por que o desinteresse em receber esta doação?
Respaldar-se numa falsa premissa de ”beneficiar” a URCA anexando o Parque Permanente de Exposições é desviar o foco do problema maior - este sim, angustiante - da Universidade Regional do Cariri.
Que a nossa população agora saiba, sem se esconder a Verdade: o problemão da URCA é o da própria sobrevivência.
Entre as novas exigências do Ministério da Educação, para que a URCA seja renovada sua autorização de funcionamento como universidade, é preciso que ela tenha, em plena atividade, até a próxima inspeção do MEC: um curso de doutorado e três de mestrado.

Mas . . . só existe um de mestrado e nenhum de doutorado. Com o agravante de que, há cada semestre, ela vem perdendo seus mestres e, principalmente, seus doutores, inviabilizando projetos de pesquisas indispensáveis para captação de recursos, credenciamento, credibilidade e sobrevivência desta nossa instituição de ensino superior.

Do contrário, a URCA regride; retrocede de universidade para instituto.A hora agora é de salvar a URCA e deixar o Parque Permanente de Exposições Agropecuárias do Crato em paz.

Assembléia do Coletivo Camaradas será no Gesso

O Coletivo Camaradas promove a Assembléia Geral tendo como pauta principal a discussão e aprovação de estatutos. O grupo discute arte, marxismo, ativismo, cultura, intervenções urbanas e políticas públicas.

Com o intuito de se aproximar e conhecer realidade social, o Coletivo Camaradas realizará Assembléia Geral neste sábado, dia 04 de julho, na sede do Projeto Nova Vida, na Comunidade do Gesso, no Crato, a partir das 14 horas. O intuito da Assembléia é garantir os procedimentos legais para inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ.

A Comunidade do Gesso é um local simbólico para o Coletivo Camaradas, tendo em vista que foi nesta comunidade que esse grupo conseguiu fazer um trabalho consistente que possibilitou realização de oficinas, intervenções, registro fotográfico, produção de documentário, cartões postais, livretos e de uma exposição no Centro Cultural do Banco do Nordeste – CCBNB Cariri.

Para a cantora Maria Gomes, integrante do Coletivo, a intenção é favorecer o dialogo com o grande público. Ela destaca que a escolha do local para a Assembléia do Coletivo visa fortalecer essa integração com a comunidade.

Rebecca Sedrim, também integrante do Coletivo e acadêmica de Psicologia ressalta que o coletivo visa construir um novo conceito de arte juntamente com a sociedade. Ela destaca que é preciso consolidar o coletivo e formar novas pessoas que acreditam no poder transformador da cultura. Rebecca frisa que a arte não precisa estar relacionada as elites e que deve estar próxima do grande público.

Documentário "Cabaré" será exibido na comunidade
Logo após a Assembléia, a partir das 18h30, será exibido ao ar livre, o documentário: “Cabaré – Memórias de uma vida”. O documentário faz um resgate histórico da Comunidade do Gesso, antiga zona de prostituição que por décadas foi excluída das políticas públicas do Município. Para Alexandre Lucas que dirigiu o documentário apresentar-lo à comunidade é possibilitar que as pessoas se sintam parte do processo deste registro. Ele frisa que o grupo está interessado em fazer arte com o povo e para o povo. “Não queremos fazer uma arte para os artistas, mas para as pessoas que não tem acesso ao processo de fruição da arte”, conclui.


Um pouco da História
O Coletivo foi criado no final de 2007, com o objetivo de discutir arte numa perspectiva marxista. Neste curto período realizou e participou de diversas atividades, tanto na região do Cariri, como nacionalmente. Destacando-se a realização da Mostra desUSA de Artes Visuais, a luta contra exclusão dos artistas na Expocrato, a Exposição Ninho com trabalhos de presidiários da Cadeia Pública do Crato, a participação na Mostra Baiana Arte e Guerrilha, no Encontro Nacional dos Pontos de Cultura em Brasília, integrou a programação da Bienal da UNE em Salvador, participou do Movimento da Parada Gay em Juazeiro do Norte e da Semana da Mulher no Crato e realizou trabalho registro audiovisual e fotográfico na comunidade do Gesso, antiga zona de prostituição da cidade do Crato que resultou na produção do documentário e da exposição no Centro Cultural do Banco do Nordeste “Cabaré – Memórias de uma vida” e atualmente trabalha na produção de um novo documentário que tratará sobre “A festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio” e elabora o Projeto “Coletivo na Periferia”. O Coletivo também mantém o blog: http://www.coletivocamaradas.blogspot.com/ que funciona como espaço aberto para divulgação de textos,eventos e trabalhos ligadas a arte e a cultura, pessoas que não são do grupo podem ser colaboradores do blog.

Brasília é uma festa: "Arraiá do Torto" recebe ministros e barra penetra

Nunca verás um São João como este
Até a ministra Dilma Rousseff, que finalizou a parte do tratamento contra o câncer há poucos dias, compareceu à festa. Um casal que não constava na lista de convidados foi barrado. O homem identificou-se como "deputado João Marques"

De chapéu de palha, camisa xadrez e gravata borboleta vermelha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu convidados na fria noite do último sábado para o Arraiá do Torto, festa junina na residência oficial da Presidência.
Organizada pela primeira-dama Marisa Letícia, a festa começou por volta das 20h30 e recebeu convidados devidamente trajados a caráter. Os ministros compareceram em peso. Apareceu até a chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à sucessão presidencial em 2010, Dilma Rousseff, que não era esperada, pois havia encerrado a primeira etapa do tratamento contra o câncer na quinta-feira.
Seguindo os anfitriões, homens optaram pelas camisas xadrez e as mulheres, por vestidos coloridos. Chapéus de palha foram usados por quase todos. Por volta das 21h30, uma procissão pela área interna da Granja foi liderada por Lula e primeira-dama. O presidente segurava um estandarte com as imagens dos santos de junho e todos rezavam o Pai Nosso. Depois, foi feita uma queima de fogos de artifício de mais de cinco minutos.
(Fonte: jornal O POVO, 29-07-2009)

A manutenção, intensidade e continuidade da modernidade.

Estimulado por um ensaio de Idelber Avelar (O pensamento da violência em Walter Benjamin e Jacques Derrida) e uma resenha feita pelo Marcos Leonel de um livro de Peter Gay sobre o Modernismo, retorno a este tema que me é caro e que tanto trabalho me deu ao escrever o livro Paracuru.

Toda ocasião em que a modernidade seja tema, tema em si mesmo, torna-se um paradoxo de dualidade, pois vivemos sua era (mesmo que uma pós ou uma desconstrução desta) e assim torna-se mais difícil vê-la de fora. De qualquer modo a modernidade, ou os tempos históricos que vivemos tem sido o mais estimulante para os poderosos recursos que a humanidade possui ao olhar para si. Onde se encontraria o lugar deste desafio paradoxal do pensamento, da cultura e do progresso humano desde o Renascimento, passando pela Reforma, pelo Iluminismo (a Ilustração) e a Revolução Burguesa? Encontra-se na própria natureza da REVOLUÇÃO.

Mesmo que formas abrandadas da análise da contradição tenham surgido no pensamento humano, o certo é que a dialética tem sido poderosa para os tempos revolucionários. E são tempos revolucionários pelo enorme poder dispersor mundial que as formas e as idéias que alicerçam a modernidade possuem inclusive pelos instrumentos institucionais (como Estados Nacionais, a sistematização das finanças mundiais e as corporações produtivas espalhadas como multinacionais e todos aliados a um comércio mundial quase orgânico).

Se retornarmos aos tempos das sucessivas revoluções francesas, incluindo o tempo imperial e a de 1848, o certo é que as classes sociais que se uniram para superar o feudalismo já traziam promessas diferentes para cada classe no novo que se estabelecia. Ao sedimentar-se como a classe do poder, a burguesia ao tentar conservar as regras vitoriosas dos diversos momentos revolucionários, tornou-se violenta por natureza. A partir daí temos a violência da burguesia como aquela preservadora do direito e a dos operários com a fundadora de outros direitos.

Igual como resenha o Leonel em Peter Gay, a estética da modernidade como a superação dos cânones existentes (a era Vitoriana já era pós-revolução inglesa e de ascensão do poder da burguesia) e de alguma forma a adição do “estar” à velha regra da filosofia idealista do “ser”. Isso revela ou iria em oposição ao desejo da burguesia de “conservar” a ordem por ela conduzida e como se fez em todas as eras da história, alcunhando a “impossibilidade” do mundo ser de outra forma.

Acontece que a luta de classe não foi nem uma ideologia (ou diretriz política) ou uma arma de ação, a modernidade como conceito em arte, estilo de vida e na cultura se encontra na matriz dialética de “um outro mundo é possível”. E esta “possibilidade” (Marx poderia ter tido uma “visão” da história influenciada apenas pelas enormes lutas para fundar o novo) se tornou o movimento contínuo da humanidade.

A intensidade do movimento e sua continuidade sustentam-se na consolidação de novos direitos como os trabalhistas, humanos e sociais na velha ordem burguesa e como “novidade” (uma “possibilidade” pré-revolucionária) nas culturas e economias dos demais continentes. Por isso mesmo a modernidade é um fenômeno mundial, igual jamais tenha talvez se encontrado na história, que feito um bumerangue se volta continuamente para o corpo europeu que a fundou.

ATITUDE ZEN (TEXTOS E FIGURAS RETIRADOS DA INTERNET)

















Domingo, 28 de Junho de 2009

Os governos das Américas e o Golpe Militar de Honduras

Hoje um grande teste para o momento original que vivem as Américas. Com Barack Obama nos EUA, os presidentes de Esquerda pela América Latina. Além do mais eleições para alternância de poder, derrotas e vitórias. As Américas vivem de fato um novo tempo?

Então vem o golpe de Honduras. Irá se sustentar? Sabemos que nenhum golpe de Estado se sustenta sem apoio de Nações Estrageiras fortes. Durante a noite vamos observar as falas dos presidentes das repúblicas nos três continentes. Amahã vamos sentir as medidas práticas.

O grande teste é o seguinte: se de fato os golpistas mantiverem o poder e ele não for restaurado ao presidente eleito, tudo o mais se reverte. Em saltos da história não é possível conviver simultaneamente com a afirmativa e a negativa na mesma frase.

SOPA DE LETRAS by LUPIN


O tempero de hoje é do MARLON BRANDO.Pensei em acrescentar um comentário,mas achei desnecessário.A frase é uma sacada bem humorada,e só.Bom apetite!
Utilidade

Um dia fiz um poema para um cara
que não usava meias
outro dia ao me encontrar
tirou os sapatos, os pés cheiravam,
até pó pra chulé já usava, o desgraçado
tornou o mundo menos fedorento
com um verso que não valia
nem uma moeda de prata

O QUE ESTAMOS BUSCANDO? O MISTÉRIO DO SENTIDO DA UNIDADE DE SER



Bernardo Melgaço
O que estamos buscando? Qual a orientação que queremos dar em nossas vidas? Certamente, não queremos apenas "quantidade de vida", ou mesmo "vida incompleta". Almejamos algo mais. Algo que possamos desfrutar completamente em vida. Ou seja, algo que possua valor, peso, sentido, dimensão e, portanto, QUALIDADE. Queremos encontrar a essência das coisas da vida.

Queremos encontrar sem saber o que, como e onde. Tateamos no escuro da percepção na busca da essência das coisas da vida. Por isso, ansiamos em encontrar em cada coisa esse ponto, esse centro essencial. Sabemos por experiências, que a vida só tem sentido quando vislumbramos encontrar uma referência dessa essência fundamental. A essência que nos anima. Todo nosso esforço, todas as nossas descobertas têm por intenção, mesmo indiretamente, a reorientação de nossas visões para o centro essencial da vida. É a vida e a sua existência a questão chave. Viver por viver não tem valor, não tem significado algum. Precisamos experimentar o belo, o agradável, o saboroso, o extasiante, o apaixonante, o romântico, o sútil, o amoroso, o confiável, e assim por diante. Essa é a busca que consciente ou inconscientemente realizamos todos nós.

É essa experiência tateante que nos empurra para frente. Inevitavelmente caimos, mas logo levantamos. Sofremos e desejamos. Matamos e morremos. Mas, o grande sonho é a esperança de encontrar, ou melhor, de experimentar a grandeza de algo superior a nós mesmos (em nós mesmos).

Daí o surgimento da crise. Mas, também como consequência o conflito e a oportunidade de encontrar a trilha da Verdade maior: "Vocês conhecerão a Verdade. A Verdade vos libertará". É preciso continuar. Desistir nunca. Assim, com nossa visão obscurecida, caimos e mergulhamos num oceano de conflitos, guerras, desajustes e desequilíbrios. E poucos são os "buscadores" que escapam da força magnetizadora do mundo das formas. De "buscadores" nos tornamos vítimas. Nos misturamos ao mundo que no início queríamos desvendar. É o paradoxo do caminho do homem em busca da essência das coisas.

Assim, mesmo inconsciente, desejamos encontrar uma referência do caminho certo. Em dado momento nos perguntamos: qual é o caminho verdadeiro? Será que existem vários caminhos? Ou, será que existe apenas um único caminho? Buscamos aqui e ali essas respostas tanto na ciência quanto na religião. Tentamos decifrar, interpretar e traduzir os caminhos traçados pelos grandes mestres que passaram pela Terra. Mas, isso é tudo em vão. Não encontramos, de pronto, a resposta adequada. Várias são as referências, os marcos deixados por aqueles que conseguiram caminhar. Mas, tudo em vão.

Existe um mistério que permeia a nossa busca da essência das coisas. Os marcos deixados nos apontam em direção à perfeição, à beleza e à unidade. De forma que, ficamos na intenção, no desejo de querer "uma estrela no céu, enquanto nossos pés estão presos na Terra".

Romper com os grilhões que nos aprisiona ao "chão da Terra" é o desafio de sermos totalmente livres para vivenciarmos a "estrela no céu". De maneira que, estamos sempre conformados com esse destino que nós mesmos criamos. É preciso ganhar asas e voar para pontos mais altos do nosso "céu-ser". Mas como fazer isso? Não sabemos, enquanto sociedade, como fazer essa tarefa suprema.

Ao longo de vários séculos acumulamos muito conhecimento. Hoje conhecemos muito. Muito mesmo. No entanto, paradoxalmente, não sabemos o que nos é de fato essencial para viver. Esse é o grande mistério: nem muito, nem pouco, nem mais e nem menos. Mas o essencial. O essencial é tudo que precisamos.

O essencial torna-se o que nos é oculto sempre. Cabe aqui uma pergunta: o que é mesmo "essencial"? Será que é essencial ter? Ou será que é ser? É essencial adquirir bens materiais? Ou será que os bens materiais são necessários? O essencial é uma questão de quantidade ou de qualidade? Possuir isso ou aquilo é essencial ou é útil? Útilidade e essencialidade são as mesmas coisas?

O mundo que criamos é centrado na utilidade ou essencialidade das coisas? Creio eu, que o mundo moderno gira sob o eixo da útilidade. Queremos as coisas que nos são úteis. Não podemos, ou melhor, não conseguimos trocar o que é essencial. Trocamos o que é útil entre nós. Não podemos trocar o ar, o vento, o clima, o chão, etc. Trocamos o que é útil para o bem comum de um grupo, sociedade, tribo ou clã. É importante analisarmos essa questão de forma mais profunda.

O essencial já existe e sempre existiu antes das necessidades humanas. O essencial não pode ser criado pelo homem. O homem cria e projeta as coisas úteis para si. A vida é essencial. Não podemos trocar a vida. Não podemos vender a vida. Podemos trocar sapato por dinheiro. Podemos vender roupas, alimentos, etc. O essencial não está associado a "quantidade de", mas a "qualidade de" vida. É claro, que existe um valor essencial na própria quantidade. Mas, não é a quantidade que determina o valor essencial. Por exemplo, as vezes faz-se necessário uma quantidade de água, ou seja, um valor essencial de volume de água para saciar nossa sede. O essencial é a nossa satisfação existencial.

Se não percebemos isso continuaremos confundindo as coisas. Continuaremos valorizando a utilidade das coisas e não a essencialidade. Essa distorção vem causando sérios danos e desajustes no sistema energético humano. Com essa visão apurada podemos melhor compreender os desvios. Por exemplo, o trabalho social numa empresa é útil ou essencial? Certamente que é útil para a troca com dinheiro, mas não é essencial. Essencial é o trabalho ou esforço individual que cada um precisa realizar em si mesmo a fim de alcançar o equilíbro ontológico/existencial. Podemos ver, então, que não podemos sobreviver apenas com o trabaho útil. O trabalho útil não consegue por si mesmo nos manter vivos com saúde. Se nos esforçamos continuamente no trabalho útil geramos "stress", desequilíbrio e portanto, doenças. E consequentemente sofrimento e perda do valor essencial da vida.

O trabalho útil precisa estar subordinado ao trabalho essencial. Ou seja, se estamos equilibrado em nossa estrutura interior, podemos então, utilizar melhor nossas capacidades físicas. A produção essencial não pode ser medida. Ela apenas deve ser incentivada. A produção oriunda do trabalho essencial gera bens não-econômicos: paz, equilíbrio, harmonia, felicidade, alegria, bem-aventurança, etc. Essas coisas são essenciais para todos nós. Sem isso, a vida perde total sentido de existência.

O que aconteceu para que nos desviássemos tanto desse trabalho essencial? Creio eu, que foi a supervalorização do trabalho útil em detrimento do outro essencial. Invertemos a natureza das coisas. Forçamos um caminho. Nos iludimos com as nossas descobertas. O homem moderno está adoecendo e perdendo o controle de suas próprias energias vitais. O aumento do número de hospitais, médicos, psicólogos indica não a evolução de uma sociedade, mas ao contrário do que pensamos, indica um grande problema nos desequilíbrios de valores de utilidade das coisas.

A nossa psique desaprendeu a exercitar os valores essenciais. Vivemos submersos num mundo de valores utilitaristas. Valores de consumo de utilidades. A natureza é governada por princípios essenciais, valores naturais. Não podemos normatizar um valor natural. Podemos acordar sobre um valor artificial ou virtual. A bondade é um valor essencial ou natural. E sempre existiu em qualquer civilização humana. Da mesma forma, a fé, a fraternidade, a amizade, o perdão, etc.

O trabalho essencial é hierarquicamente superior ao trabalho útil. O caminho essencial é estreito e sua porta pequena. Retornar a trilha do trabalho e da produção essencial é a grande conquista de que precisamos para efetivamente sabermos quem nós somos. Ser essencial. E não apenas ser útil: médico, engenheiro, motorista, enfermeiro, etc. O essencial é perene. O útil é provisório, temporal. Não conseguiremos mudar a rota de conflitos se não mudarmos a busca. Do útil para o essencial. O essencial requer renúncia e restrição. O mestre Einstein, foi um dos raros seres que vislumbraram isso. Vejamos, o que ele disse (Como Vejo o Mundo, Nova Fronteira):

"Se quisermos uma vida livre e feliz, será absolutamente necessário haver renúncia e restrição" p.64

E o mestre Jesus Cristo também chegou a dizer:

"É mais fácil um camelo atravessar o buraco de uma agulha do que um homem rico ir para o Reino do Céu"

É preciso mudar a rota da busca. Da utilidade da qualidade para a essencialidade da qualidade. Essa mudança deve ocorrer dentro de cada indivíduo. É no homem e não nos produtos físicos que a qualidade deve se desenvolver. É claro, que como resposta da visão interior podemos criar produtos mais úteis para o nosso benefício. Mas, a recíproca não é verdadeira, ou seja, a qualidade dos produtos não produzirá no homem a mudança de rota. Produzirá mais valores utilitaristas. Reforçará o caminho da utilidade. E de seus valores de uso e troca.

Seguindo dessa forma o homem se afastará cada vez mais daquilo que ele mais quer encontrar: a qualidade de vida total, realizada na vivencialidade do Amor Cósmico Universal. Esse afastamento produzirá no homem moderno, um aumento de tensão interior. Essa tensão em processo de crescimento conduzirá o homem a utilizar seus valores utilitaristas na projeção, na explosão psíquica inevitável. O homem poderá se autodestruir. A busca do Amor é a meta. É imprescindível para o desenvolvimento equilibrado de qualquer sociedade humana. Sem Amor, a vida é vazia, oca, sem valor, sem sentido verdadeiro e sem essência.
RJ, OUT/1992

No reino da informática

Emerson Monteiro

No filme 2001: Uma odisséia no espaço, o computador de bordo (protótipo de máquina inteligente (Hal 9000, abreviatura de Hardware Abstract Layer, ou Camada de Abstração de Hardware) de uma nave especial resolve, de iniciativa própria, confrontar seus operadores, no que, ao ser descoberto e desligado, antes elimina um dos dois tripulantes.

A propósito dessa película famosa de Stanley Kubrick, em face do acidente momentoso do voo 447, da Air France, percurso Rio de Janeiro - Paris, ao custo de mais duas centenas de vidas, a humanidade presencia hipótese semelhante, de máquina que quebra a linha do resultado previsto, porquanto uma possível pane dos computadores de bordo da aeronave, precedente dos mais perigosos, acha-se no meio das conjecturas que deram causa à ocorrência.

No caso, a possibilidade de falha humana não se descarta, contudo a falha mecânica, ou eletroeletrônica, merece urgente consideração. Enquanto isto, milhares de aviões, a todo instante, alimentados pelos dados e circuitos de tais preciosidades da técnica, circulam o alto dos céus, dentro de condições idênticas às do fatídico voo.

E como abordar esse personagem indispensável do cenário contemporâneo, computador, a onisciência da informática, que tomou o lugar das limitações humanas? Aonde chega o antigo projeto da liberdade, demanda dos sonhos inúmeros da multidão laboriosa?
Isso traz à baila alguma abordagem quanto ao domínio da máquina sobre o ser humano, recorrência da ficção científica desde as primeiras horas da cibernética.

Os comuns adoradores da oitava maravilha tecnológica bem que reconhecem, as melhores máquinas tendem a desobedecer (não por maldade, num juízo de valor) às leis da robótica e, frias, sofisticadas, imperam no mundo percentual dos riscos mínimos inesperados, haja vista série de fatores, porquanto perfeição absoluta ainda inexiste, nas variáveis da ciência e da técnica.
Por refinadas que se proponham peças e equipamentos, margem inelutável de erro persiste, no horizonte do provável.

Os chamados paus das máquinas vez por outra impõeem graves danos às corporações, mais dia, menos dia, conclusão salutar, devido à exaustão dos materiais, às condições atmosféricas, ao inesperado seqüencial do desenvolvimento dos sistemas, dentre outros, e à ação do homem, seu genial criador.

Visto quando na terra, vá lá que se possam reparar os impasses. Contudo nas alturas ou nas profundezas oceânicas, implicariam noutras interpretações e sequelas por vezes drásticas. De tanto ceder território a esse império das máquinas, a história demonstra assim o grau da dependência extrema da civilização a geringonças, no altar do fetichismo, o que reduz as margens da segurança de todo o esforço de geração à cômoda opção de rendição total à inconsciência. A submissão de tais pressupostos conduzirá a sociedade a um comando central (ao Grande Irmão, de George Orwell), ou significará o início da jornada coletiva em prol da consciência clara do que se fará da fabulosa produção capitalista dos objetos industriais.

A BUSCA DA UNIDADE: ESPIRITUAL-SOCIAL-INDIVIDUAL



PENSAMENTO PARA O DIA – 28/06/2009
Qual é a mensagem de SAI? 'S' representa a Espiritualidade, 'A' representa a Associação e 'I' representa o Indivíduo. Isso quer dizer que você deve dar prioridade à espiritualidade; depois da espiritualidade, à sociedade (associação); e somente por último prestar atenção ao interesse individual. Mas hoje o homem segue a ordem inversa, ou seja, ele mantém seu interesse individual acima de suas responsabilidades sociais, dando ainda menor importância à espiritualidade. Como conseqüência, ele está se distanciando de Deus. Em primeiro lugar, o homem deveria tomar o caminho da espiritualidade e, então, servir à sociedade, entendendo o princípio da unidade. Somente então haverá progresso no nível individual.
SATHYA SAI BABA


A BUSCA DA UNIDADE
(RENÉE WEBER - SÃO PAULO: CIRCULO DO LIVRO - 1990):
"Repetidamente, e por muitos anos, tentaram falar-me a esse respeito, de ambos os lados do espectro - cientistas e místicos -, mas sem êxito. Às vezes minha mente - longamente treinada nos rigores da filosofia - quase se convence, vencida por algum argumento cuja validade não consigo rejeitar na hora. Mas, pouco depois, isso se dissipa novamente, por não ter ido suficientemente fundo nem me tocado o cerne que persiste em resistir àquilo. Outras vezes, ouvindo meus colegas discorrerem sobre filosofia no estilo modesto e comedido que se tornou a maneira oficial de fazer filosofia americana - tomar pequenos problemas que se encaminham por si mesmos à solução -, descubro que sou uma desgarrada, pois não me contento com nada menos que o todo. É um sentimento estranhado em mim. Está comigo desde a infância, acompanhando-me nos anos de estudo nas melhores universidades, onde permaneceu camuflado por prudência.
E ainda permanece. Tem sido o substrato, a escala pela qual avalio toda verdade específica com que me deparo.
Trata-se do sentido da unidade das coisas: homem e natureza, consciência e matéria, interioridade e exterioridade, sujeito e objeto; em suma, a percepção de que tudo isso pode ser reconciliado. Na verdade, nunca aceitei sua separatividade, e minha vida - particular e profissional - foi dedicada a explorar sua unidade numa odissëia espiritual.
...No meu diálogo mais profundo se deu no silêncio; no Nepal, aonde fora para ver o Himalaia. Sua grandiosidade, calma e beleza sobrenatural tocaram-me tão fundo que essas montanhas passaram a ser o meu símbolo de aspiração espiritual. Avistá-las evoca um sentimento de reverência diferente de tudo o que já presenciei, exceto, talvez, a visão de uma galáxia de centenas de bilhões de estrelas.
...A beleza e a profusa variedade de suas formas funcionaram como fonte de real significado em minha vida, e desde o começo senti uma afinidade com os frutos da natureza: animais, plantas, rochas, florestas, águas, terra, céu, e até as remotas galáxias e estrelas. Ninguém me ensinou isso; simplesmente despertei para o mundo convicta de minha ligação com aquelas coisas. Esse sentimento, comum na infância e freqüentemente perdido quando crescemos, permaneceu comigo.
Só bem mais tarde aprendi os nomes desses sentimentos - imanência e transcendência de uma força na natureza - e soube que outros sentiram a mesma coisa e escreveram a esse respeito. A busca da fonte moldou minha vida e meu trabalho. O que realizei de importante o fiz na esperança de penetrar os véus que ocultam a face da natureza.
Empreendi o estudo da filosofia na universidade porque a filosofia parecia sustentar a promessa de conduzir além desses véus, de descortinar a realidade por trás das aparências. Nessa crença, fui encorajada por Platão, o primeiro filósofo com quem travei conhecimento. Foi o começo de uma jornada intelectual e espiritual.
Entretanto a filosofia, por sua vez, não pode, por si mesma, cumprir o que parece prometer. Ela parte de um ponto muito distanciado do estudo dos processos da natureza, e, em sua roupagem moderna, ignora a natureza como um todo, deixando essa tarefa para os cientistas. Busquei a estrutura íntima das coisas, que - embora tenha sido outrora campo de atuação filosofia - tornou-se no século passado o âmbito da ciência. A física, um passo mais próximo da natureza, parece debruçar-se sobre a estrutura íntima, mas descobri, anos depois, que o misticismo se aproxima mais de tudo por ser mais abstrato, e, também, mais penetrante que a ciência, mais obcecado pela simplicidade e a unidade. Tal fato está contido na ordem severa de Eckhart: "Para descobrir a natureza em si, todas as suas formas devem ser despedaçadas".
Cada um desses domínios oferece sua recompensa, uma parte daquilo que procuro, mas revela lacunas. Sozinho, nenhum pode proporcionar uma visão coerente das coisas. Fritz Kunz (como assinalei nos créditos) foi quem me conscientizou de que busco a integração de tudo - filosofia, ciência, misticismo - e de que essa busca não é vã, apenas prematura. Só nas últimas décadas é que o movimento rumo à unidade desses domínios floresceu na cultura americana, e ainda assim no seio de uma minoria, que, entretanto, vai crescendo mais e mais.
...A filosofia, ao tempo em que a estudei (universidades da Pensilvânia, Colúmbia e Sorbonne), praticamente abandonou seu objetivo original - o "amor à sabedoria" -, em virtude do qual fora batizada. Nos últimos três séculos, a concepção de filosofia foi desaparecendo, estando quase extinta em nossos tempos. Qualquer filósofo profissional, apanhado no ato de "buscar a sabedoria", torna-se suspeito, é sutilmente colocado no ostracismo e tido como - só exagero um pouquinho - um perigo para (a carreira de) seus alunos".





O Modernismo sob a ótica
De Peter Gay

Mais uma vez a editora paulista Companhia das Letras é responsável pela publicação de uma verdadeira obra de arte contemporânea, através da completa acepção da palavra pertinência. Agora a editora celebra a cultura em um calhamaço de 578 páginas sobre a origem e expansão do Modernismo, escritas pela competência e erudição do respeitadíssimo historiador alemão Peter Gay, autor de obras consagradas como “O Estilo na História” e “Freud: uma vida para o nosso tempo”.

“Modernismo – O Fascínio da heresia - de Baudelaire a Beckett e mais um pouco” é o extenso título desse livro urgente para aqueles que vivem de aparências, imprescindível para aqueles que necessitam de uma alimentação saudável e fundamental para quem tem sua parcela de culpa, direta ou indireta, em nosso quadro universal do fracasso escolar, terra em que a pilantragem é matéria farta para teses de doutorado e o exibicionismo de títulos é a legitimação da mediocridade indelével. Nessa obra basilar, Peter Gay despiu a linguagem da cosmética teórica e assumiu corajosamente suas particularidades e preferências.

Dos incontáveis códices estéticos que servem “cientificamente” para fundamentar o arcabouço artístico do Modernismo, Peter Gay se utiliza, de forma minimalista, praticamente de dois axiomas: a heresia estética – como ele chama a transgressão aos cânones artísticos estabelecidos desde o período clássico até a famigerada era vitoriana – e o intenso mergulho psicológico da abordagem da existência do ser e do estar, em que pesem aí a descontinuidade do discurso e a fragmentação da realidade. Para tanto, o autor desvenda com muita habilidade e proficiência, como a história forneceu os motivos e os elementos que proporcionaram uma mudança tão radical, que foi o Modernismo, na forma de conceber, produzir e vender a arte.

“Modernismo – O Fascínio da heresia - de Baudelaire a Beckett e mais um pouco” é um magistral compêndio histórico de segmentos artísticos, de autores e de obras que perfazem a práxis modernista, abarcando de uma só vez literatura, teatro, artes plásticas, música, balé, cinema e arquitetura. Mesmo sem a pretensão de ser uma história social do Modernismo, Peter Gay não deixa de aprofundar as implicações da história, das ciências, da política e da economia, com todos os seus desdobramentos no cotidiano das relações sociais, na formação do paradigma modernista.

O que isso significa, bem como o que isso sugere, o leitor descobre através de uma leitura extremamente agradável e prontamente alertada para outras abordagens complementares, afinal de contas são galáxias complexas para caberem totalmente em um universo de apenas 578 páginas. Já na tomada inicial, quando o autor estabelece a presença de Charles Baudelaire como uma das pedras fundamentais nessa guinada estética, o leitor mais atento sente que um detalhamento do ambiente da segunda revolução francesa, de 1848, fornecerá muito mais subsídios para a aceitação da importância toda do maldito das flores do mal. Nesse caso, se o leitor tiver em mãos o livro “O Velho Mundo Desce aos Infernos”, de Dolf Oehler, também da Companhia das Letras, a festa será repleta de transversais.

A erudição e o refinamento das idéias de Peter Gay nos remetem diretamente à leitura de outros livros cheios de contigüidade tais como “A Emoção e a Regra”, com organização de Domenico de Masi, da editora José Olympio, que aborda os grupos criativos na Europa de 1850 a 1950 e atesta para o leitor que o paradigma modernista nãos se restringiu apenas a arte; e “Pós-Modernidade: a lógica cultural do capitalismo tardio”, de Fredric Jameson, da editora Ática, que mostra para o leitor os desdobramentos culturais, políticos e econômicos que vieram depois do Modernismo. A leitura desses outros livros não indica uma deficiência no livro de Peter Gay, muito pelo contrário, comprovam a envergadura e complexidade dessa obra magnífica.

Seria enfadonho esboçar aqui uma lista de autores e obras, bem como de tendências e peculiaridades expostas por Peter Gay ao longo de sua obra. É bem mais profícuo afirmar que até o mais perdulário dos imbecilóides reacionários, após a leitura desse livro, retirará das suas fuças o ar de parvo e a atitude de beócio diante de um quadro de Kandinsky ou de uma composição de Varèse. Mas se o incauto leitor não souber quem é nenhum dos dois nomes citados é melhor continuar acreditando que questão de gosto não se discute.

Munido de um conhecimento espetacular Peter Gay esmiúça com seu escafandro intelectual como o ódio à burguesia tornou-se um dos instrumentos que solaparam os quadrantes da estética conservadora rumo aos caminhos tortuosos e abismados da arte pela arte, até chegar ao litígio completo com o senso comum, passando pelo viés anarquista do desconstrucionismo das vanguardas, traduzido dramaticamente pela negação da própria arte em obras desconcertantes, como as sátiras prolíferas de um Marcel Duchamp, por exemplo.

Vale ressaltar que uma obra com uma temática dessa desnatureza jamais fugiria da polêmica. Sendo assim, a obscuridade e o enigma, que são próprios do desfazer modernista, se apresentam na obra de Peter Gay justamente através de algumas ausências inesperadas. É paradoxal atribuir uma importância descomunal à poesia de T. S. Eliot, sem fazer nenhuma menção à genialidade poética de Ezra Pound, o verdadeiro mestre do Modernismo e do próprio T. S. Eliot, ou até mesmo nenhuma referência às vertigens abissais de Fernando Pessoa.

Também é surpreendente como o autor alemão detalha o atonalismo musical até Schoenberg, passando por John Cage, sem abranger o concretismo eletrônico de Karlheinz Stockhausen. Outras tangências irremediáveis dizem respeito a nenhuma citação de Jorge Luís Borges e José Saramago, quando Peter Gay constrói uma cádetra justa a outro mestre do Realismo Fantástico, que é Gabriel Garcia Marques. Mas isso é o de menos. O saldo é muito mais superior em informações do que em formações, o que torna essa obra um verdadeiro antídoto à picaretagem, à ignorância e ao achismo provinciano.

Sábado, 27 de Junho de 2009

instantâneo

nem bem o dia amanheceu
o azul do céu aguardando
os objetos de cristal
o próprio som nos cristais reverberando,
um som todo de luz
pronto para acolher as vicissitudes
que sobrariam na fuga da tarde
com o vento entre os prédios
cansados de barulho

dois homens bebendo
em meio à fumaça do cigarro
um deles que aponta lá embaixo
o homem com a pasta na mão
o chiado dos sapatos
que ninguém pode ouvir
por causa dos motores

um telefone escrito num guardanapo
esvoaça ao dobrar a esquina
com a pressa de um camelo

quem é o homem com a pasta?
ele carrega o quê?
carrega a distância entre nossas mãos
enquanto se debate no calor
preso na sutil armadilha do suor

são quase três horas
um táxi
quem gritou?
dois homens bebendo no calor

é assim que acaba o dia?

Desastre de um transgênico ou um crime ambiental? - por José do Vale Pinheiro Feitosa

O mundo, seja no reino mineral, animal ou vegetal, é um dispersor de diversidades. Especialmente nos reinos animal e vegetal. O papel do homo sapiens sobre a natureza é inquestionável pela global capacidade de modificação que teve e mantém. Uma das mais evidentes é a agricultura e a pecuária.

Ao se tornar sedentário, aquele homem de caça e colheita, foi de encontro à natureza: funcionou como um redutor de diversidades. A monocultura, como a soja, a cana, a laranja, a uva entre tantas, é o exemplo mais acabado e que se encontra na raiz da extinção de espécies e, portanto, da diversidade na terra.

Não é por acaso que os estudos se voltaram para um elo perdido da humanidade, para a pré-história, quando outros alimentos, mais ricos que os atuais, eram utilizados. Um caso clássico é o do Amaranto a grãos.

O Amaranto a grãos foi cultivado há cinco mil anos pelos povos primitivos do México, junto com a abóbora e a pimenta. Na cultura Asteca o Amaranto se destaca como uma grande fonte de nutrientes, de qualidade terapêutica e ritualística. Eram aproveitados os grãos até como farinha para diversos alimentos como os tamales e das folhas se faziam molhos deliciosos.

Como rito a farinha do Amaranto era oferecida no panteão dos deuses astecas e simultaneamente comidas pelos fiéis como se faz com o pão na comunhão com o cristo. Desta mesma farinha se fazia uma pasta com qual se elaboravam artesanatos para as crianças recém-nascidas, com motivos de flechas, arcos etc.

Segundo pesquisadores, o rito com o Amaranto e o abandono do seu cultivo decorreu da perseguição cristã e da imposição seletiva pelas escolhas dos conquistadores europeus. O Amaranto virou uma erva daninha da monocultura do século XX em todas as Américas, especialmente nas grandes extensões de soja.

Mais do que uma vingança vinda da pré-história o que passo a relatar é uma comprovação daquilo que a soberba e a ganância monopolista do capital faz. Falo da questão da agricultura e da criação de animais geneticamente modificados (TRANSGÊNICOS). Como sabemos objeto de grandes discussões científicas, por vezes até mesmo extremadas.

Qual o núcleo duro e racional da cautela com a manipulação e dispersão destes organismos geneticamente modificados? A primeira delas era o monopólio que as empresas de manipulação genética passariam a ter na produção dos alimentos da humanidade. Com isso tornando a iniciativa privada o cárcere dos países e dos povos. Tudo pelo lucro e a humanidade como suserana.

A segunda tinha por base a possível hibridização entre os seres geneticamente modificados e os demais. Em outras palavras, genes modificados poderiam migrar para outros seres vivos, inclusive de espécie diferente. Os grandes manipuladores negaram isso e “compraram consciências”, pois este era, inegavelmente, um fenômeno evidente na natureza: a transferência contínua de genes intra e entre espécies.

A terceira era a seleção natural. Desde muitos séculos (não apenas com Darwin que sistematizou o conceito) que se conhece o poder da seleção natural. Como também se conhece o poder ainda maior num território de monocultura, já que a seleção além de ocorrer velozmente, termina por ser substituída por uma ou poucas espécies.

Mesmo assim grandes Multinacionais como a MONSANTO, velha conhecida das lutas pelo Meio Ambiente, foi em frente e as plantas geneticamente modificadas se espalham pelo mundo todo. No Brasil a estratégia destas empresas foi corroendo por dentro das instituições e dos plantadores até que por força violenta do fato consumado, se estabeleceu.

Agora nos EUA se comprovou a migração de um gene da soja geneticamente modificada, chamada Roundup Ready para o Amaranto. Aquele mesmo que alimentava os Astecas e se tornaram a erva daninha incontrolável da cultura de soja. Como funciona a estratégia da Monsanto?

A Monsanto descobriu e produziu o Roundup, um herbicida que destrói qualquer erva daninha, inclusive a soja. É o que se chama um herbicida total. Num segundo passo a Monsanto manipula geneticamente a soja, introduzindo um gene que resiste ao Roundup. Um negócio das arábias: ganha no grão para plantio e torna cativo o plantador ao seu herbicida.

Aí aconteceu o que negavam, agora se pode afirmar e a Monsanto tem de responder por isso nos tribunais: houve hibridação entre a soja e o Amaranto. Agora só dar Amaranto, muito mais “competente” que a soja no processo de seleção natural. Os campos que antes eram de soja, agora são de Amaranto. Já se identificaram nos EUA cinco mil hectares e outros cinqüenta mil estão sob ameaça.

Tem uma saída. Sem a Monsanto por ganância, a civilização que renegou o Amaranto nos seus primórdios, agora o terá no prato. Modificado geneticamente, mas certamente livre do herbicida e da concorrência com outras espécies.

A SANTIFICAÇÃO DO CORPO ESTA NO SEXO...

Aos celibatários filhos da santa madre igreja orgânica.



A DESCOBERTA DO PRAZER.

Noite passada de lua clara
Deitei-me ao lado de minha mãe,
Meus pensamentos tornaram-se por
Momentos pecaminosos.
Freud explica!
Minha irmã não tira os olhos do meu pai
E se sente órfã quando ele não a banha.
Freud explica!
Ao defecar o prazer alucina
Homens , mulheres e belas adormecidas.
Freud complica!
Sexo e prazer, minha mãe, meu pai,
Estou na duvida do ciúme e o desejo.
Freud complica!
Tenho lembranças e esperanças de mamar,
Dormir e acalantos...
Freud desmistifica!
Freud complica?
Freud explica!
A sociedade camufla as necessidades
E os desejos,
Freud desnuda o sexo e os impulsos do pensamento.
Incesto paternal fraterno.
Freud explica, o desejo necessita.


A PRIMEIRA NOITE DE SEXO DE UMA MULHER CATÓLICA.


Ai!
Aiaiiiiiiiiiiiii!
Hummmmmmmmmmmm!
Hummmmmmmm!
Ecce Homo*
Spiritus Santus.


*Eis o homem

Wilson bernardo(poema & fotográfia)

PENSAMENTO PARA O DIA – 27/06/2009




Preso nas espirais da criação, o homem está cego para o fato de que ele é parte do Divino Criador. Identificando-se com seu envoltório físico, ele não enxerga a unidade de todos os seres no Um Universal Absoluto. O homem escreveu e estudou textos incontáveis sobre disciplina e descobertas espirituais, e confundiu-se viciando-se em rivalidades e argumentações dialéticas. Mas aquele que colocou em prática ao menos uma página ou duas desses livros torna-se silencioso e livre de qualquer desejo por fama ou vitória. Ele está contente nas profundezas de seu ser. Ele ara o campo de seu coração, planta as sementes do amor e colhe os frutos da coragem e da equanimidade.
SATHYA SAI BABA

Cientistas desvendam luzes vistas pelos astronautas da Apollo



http://educacao.ig.com.br/noticia/2009/06/26/cientistas+desvendam+luzes+vistas+pelos+astronautas+da+apollo+6964919.html
26/06 - 10:54

Apolo11
Este artigo segue as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
Por diversas vezes os astronautas do Projeto Apollo informaram aos controladores sobre a existência de estranhas luzes, visíveis até mesmo quando fechavam os olhos. Estudos revelaram que a causa dos lampejos seriam o choque de raios cósmicos, mas só agora os pesquisadores determinaram com exatidão a origem desses raios.


Um recente trabalho publicado no site da revista Science mostrou que a causa dos lampejos são os raios cósmicos gerados no interior da Via Láctea e acelerados pelas explosões solares que ocorrem no interior da Galáxia.

Segundo a astrônoma Eveline Helder, ligada à universidade de Utrecht, na Holanda, os raios cósmicos galácticos são formados em sua maior parte de prótons que se deslocam próximos à velocidade da luz, acelerados por uma gigantesca energia centenas ou milhares de vezes maior que aquela gerada no interior do LHC, o Grande Colisor de Hádrons pertencente ao Centro Europeu de Pesquisa Nuclear.

De acordo com Helder, há muito tempo os pesquisadores imaginavam que esses raios seriam a bolha em expansão das estrelas que explodiram, mas não haviam evidências concretas que provassem essa teoria. Os dados surgiram após cuidadosas observações feitas com o telescópio VLT (Telescópio de Grande Porte), pertencente ao Observatório Europeu Austral, ESO, localizado nos Andes chilenos.

O trabalho de Evelin e seus colegas se baseou nos restos de uma estrela que explodiu no ano de 185, a 8.200 anos-luz de distância. Naquela ocasião a explosão supernova foi observada por astrônomos chineses, que a descreveram como um forte brilho visível até mesmo à luz do dia e atualmente é conhecido como RCW 86.

"Até agora não sabíamos se as explosões estelares eram capazes de produzir quantidade suficiente de partículas que explicasse o elevado número detectado na atmosfera superior e testemunhado pelos astronautas Projeto Apollo. Nossas medições foram bastante precisas e a resposta é positiva", explicou a cientista.

Foto: restos do que sobrou da supernova, hoje chamada RCW 86, que explodiu no ano de 150. A explosão foi testemunhada pelos chineses e pode ser observada até durante o dia. Crédito: ESO/VLT-Very Large Telescope.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Os Novos Marqueses

Numa civilização de alta capacidade produtiva, em processo hierarquizado, tende a ocorrer um enorme desperdício enquanto as pessoas passam fome. Hoje o Michael Jackson morre como se fosse um membro da nossa família. E Jackso é o paradigma da produção vertical da música mundial: tinha um rancho de milhões de dólares e que gastava por ano mais de dez milhões para ser mantido, chamado Never Land. Enquanto a fantasia milionária se expandia, milhares poderiam se alimentar e possuir a terra do sempre para uma vida material necessária.

Qual o problema das grandes riquezas? É que elas consumem enorme quantidade de recursos, construída pelo trabalho e que poderia gerar progresso de um número maior de pessoas. E na psicologia social assim como gera o vitorioso, o ídolo, o ícone, também revela a inveja, o privilégio, a imputabilidade e a revolta popular. Examinem e vejam se não é o caso, por exemplo, do Senado Federal.

Um grupo de brasileiros, representantes do povo, adota uma posição hierarquicamente superior, funcionam como verdadeiros marqueses da república (anacronismo em estado bruto). Para não se ocuparem com a cozinha de sua instituição, delegam a burocratas nomeados por eles, a tarefa de manter a mordomia da corte. Um marquês tem um emprego para o neto aqui, outro facilita uma negociação ali e lá longe outro recebe um apartamento funcional para algum empregado doméstico. Resultado, o próprio marquês se torna devedor do burocrata. Inverteu o fluxo: o burocrata também é Marquês.

E poderia chegar a mais. Eles aprendem o caminho com facilidade, basta que eles mesmos controlem a mídia, para não acontecer o que aconteceu com o Zogbi e o Agaciel. O azar foi a oposição querer destruir o esquema da situação no Senado, a mídia também querendo, tudo tem curso, um escândalo atrás do outro feito rosário. Juntando a isso a revolta dos Marqueses com os burocratas que passaram a chantageá-los, o caldo está feito. Igual também, todos lembramos, na roda da Câmara dos Deputados.

Aí eu olho para as nuvens pesadas desta tarde de frente fria aqui no Rio e imagino que os capitalistas estão se comendo. Agora é a Globo com seus salários milionários olhando para os salários milionários da Petrobrás. Privilégios, tráfico de influência, juros subsidiados, chantagem jornalística, donos ricos e empresas pobres, nunca será uma prática dos Mesquitas, dos Marinhos, dos Frias, dos Civita e todos os barões desta vasta mídia regional.

E agora retornando à fila da megasena: o acúmulo para uso de pessoas é um desastre para a humanidade. Isso é apenas a transferência monetizada, pura e simples, de enorme esforço humano de quem trabalha. E este semideus, recebe o dom da divindade pela simples posse dos cifrões, agora decide onde aplicar toda esta massa simbólica de horas ou anos de esforço de um grande grupo de pessoas.

Quem sabe como um Bill Gates ainda receba as loas pelo emprego residual de recursos em prol da caridade ou de um suposto zelo pela humanidade. E assim imaginamos, se não levarmos em consideração que o software livre, solidário e coletivo, é um oposto demonstrado que não estaríamos amarrados e tanta propriedade. A assim não seria justa a pirataria? Já tem um deputado na União Européia.

REVOLUÇÃO DA ALMA – ARISTÓTELES (TEXTOS E FIGURAS RETIRADOS DA INTERNET)

















BENS E VALORES: A REALIZAÇÃO HUMANA PARADOXAL (NECESSIDADE MATERIAL X EVOLUÇÃO ESPIRITUAL)



Segue abaixo parte de um capítulo da minha tese de doutorado defendida em 1998 na COPPE/UFRJ:

"A vida e a evolução da vida empurram a consciência do ser para frente em busca de mudanças tais que renovem as concepções e visões de mundo. E com isso, uma nova maneira de viver, interagir e produzir se realiza em direção a uma qualidade de vida melhor. O ser sente que as mudanças são inevitáveis. O ser individual é por natureza um processo de mudança e no resultado dessas mudanças, ele infere sobre os passos seguintes. É preciso mudar. E de mudança em mudança formamos um universo de experiências e conhecimentos a respeito da natureza.
Nesse caminho de mudanças surge momentos para um repouso, uma meditação e reflexão. Creio, que o momento atual está exigindo uma pausa para reflexão. É uma pausa para se analisar o ritmo, a rota, o cansaço, as conquistas, as distorções e os desvios na ação de criar e mudar. Todos os dias vemos aumentar a lista de problemas “urgentes”:

É urgente solucionar a insegurança que o cidadão vive.
É urgente solucionar a pobreza das classes de baixa renda.
É urgente solucionar a superpopulação dos nossos presídios.
É urgente solucionar o abandono dos meninos e meninas de rua.
É urgente solucionar a fome de muitos milhões de brasileiros.
É urgente solucionar a questão da saúde da população.
É urgente solucionar o analfabetismo racional e não-racional (espiritual)
É urgente solucionar a falta de ética.
É urgente solucionar...a falta de solução!

A questão é saber qual é o verdadeiro sentido da mudança. Se a mudança eleva ou diminui a consciência do ser e da natureza que lhe cerca. Vivemos nas sociedades modernas uma espécie de síndrome da mudança. E os chavões dessa síndrome são: “mude antes que se desvalorize”, “mude para melhor”, “mude para impressionar”, “mude para ganhar”, “mude para consumir o meu produto”, “mude para garantir a sua salvação”. O indivíduo vive sob o efeito das sugestões das mudanças urgentes, ou seja, ele vive numa sociedade consumidora de mudanças efêmeras.

"Se a vida moderna está de fato tão permeada pelo sentido do fugidio, do efêmero, do fragmentário e do contingente, há algumas profundas conseqüências. Para começar, a modernidade não pode respeitar sequer o seu próprio passado, para não falar do de qualquer ordem social pré-moderna. A transitoriedade das coisas dificulta a preservação de todo sentido de continuidade histórica. Se há algum sentido na história, há que descobri-lo e defini-lo a partir de dentro do turbilhão da mudança, um turbilhão que afeta tanto os termos da discussão como o que está sendo discutido. A modernidade, por conseguinte, não apenas envolve uma implacável ruptura com todas e quaisquer condições históricas precedentes, como é caracterizada por um interminável processo de rupturas e fragmentações internas inerentes” (HARVEY, 1989, p.22).

Cabe aqui uma pergunta: será o sentido da vida moderna orientado por esses dois modos complementares de construir destruindo ou destruir criando “eternamente” sem que o ser de fato se dê conta da necessidade de transcender essa (sua) própria lógica ilógica absurda? Pois, “a essência eterna e imutável da humanidade encontrava sua representação adequada na figura mítica de Dioniso: “Ser a um só e mesmo tempo “destrutivamente criativo” (isto é, formar o mundo temporal da individualização e do vir-a-ser, um processo destruidor da unidade) e “criativamente destrutivo” (isto é, devorar o universo ilusório da individualização, um processo que envolve a reação da unidade)” (loc. cit.). O único caminho para a afirmação do eu era agir, manifestar a vontade, no turbilhão da criação destrutiva e da destruição criativa, mesmo que o desfecho esteja fadado à tragédia” (HARVEY, idem, p.26)

Fomos educados, desde o berço, que somente seríamos úteis a sociedade se trabalhássemos em prol das mudanças sociais. Assim, implicitamente ficou estabelecido que “quem não pertencer ao “SINDICATO DA MUDANÇA UTILITÁRIA””, seria alijado do grupo. E assim estaria desempregado e, portanto, marginalizado e inferiorizado em sua identidade social. E assim naturalmente surgiu a “SÍNDROME DA MUDANÇA MODERNA”, ou seja, a ordem é mudar, reconstruir e inovar, principalmente quando as eleições políticas estiverem próximas de se realizarem. A famosa lei de Lavoisier vem sendo aplicada principalmente nas relações econômicas e políticas: “Nada se cria. Nada se perde. Tudo se transforma [em questões políticas e econômicas]”. Mas, sem uma visão ética sagrada, a transformação nunca alcança a dimensão do ser e do Amor em ser. Ela sempre fica na dimensão do ter, da propriedade e da racionalidade do ganho utilitário e iníquo: “Tudo passa menos o ser. Tudo vai mas o ser fica. Tudo se transforma, mas somente o ser permanece. Tudo progride, mas o ser não evolui”.

Em períodos “de intenso progresso técnico, como o nosso, as máquinas envelhecem rapidamente: em 1957, o avião, o automóvel de 1956 estão fora de moda, ultrapassados. É preciso por-se em dia para um rendimento dos mais altos, com grandes despesas. Assim nasce e se desenvolve um desejo excessivo de mudança, uma instabilidade psicológica...É preciso falar das influências nocivas da técnica sobre a psicologia dos operários e das massas populares...No período de artesanato, o operário tinha domicílio perto de sua oficina; depois que a técnica venceu o espaço, milhões de operários fazem todos os dias fatigantes deslocamentos! Assim, também, se a técnica transformou aldeias pobres e sujas, mas, de economia estável em cidades miseráveis, repugnantes, de economia instável e de psicologia neurótica, onde está o progresso?” (LALOUP e NÉLIS, 1965, p.102-104). Aonde está o tão desejado e falado “amor de uns para com os outros”?

A inserção do ser no mundo de mudanças social e existencial assume um contexto paradoxal nas relações dinâmicas capital/indivíduo (efêmera) e pessoa/amor sagrado (eterna). O capital como subproduto da criação e o amor sagrado como “subproduto” da pessoa. Tanto o capital quanto o amor são valores. O primeiro é de natureza psicológica. E o segundo é de natureza ontológica. A transformação do valor psicológico em ontológico é que determina o sentido de evolução espiritual no interior da natureza humana. Nesse sentido, podemos visualizar um fluxo de transformação de energia, de consciência e de vida:

capital---->indivíduo/pessoa---->amor matriz sagrado

Esse fluxo diz respeito do serviço do capital em relação ao indivíduo. E o serviço da pessoa em relação ao amor sagrado. O capital como processo de valoração ao servir o indivíduo empresta-lhe poder para equacionar os problemas de produção de produtos necessários à sobrevivência. A pessoa ao servir ao amor sagrado empresta-lhe obediência no processo de valoração dos princípios da vida existencial. O ser como um todo procura se manter em equilíbrio atendendo as necessidades tanto do plano da sobrevivência profana quanto do plano da existência sagrada. E em todos os dois planos a repetição da relação (“o valor (relação) aplicado sobre o próprio valor (relação) gera autovalor (autorelação)” é a base do crescimento e evolução.

A relação face a face “também tem uma dimensão teológica, como insiste Levinas, pois quanto mais fundo entrarmos no relacionamento face a face, mais somos impelidos e urgidos por um amor que não conhece limites, ou, em outras palavras, por uma experiência de Deus. Encontramos Deus na, e através da, face do outro no sentido de que encontramos aqui uma autoridade além da qual não há apelo e que é infinito em suas implicações” (GORRINGE, 1997, p.24-25).

Nesse contexto, podemos destacar uma descontinuidade ontológica formada entre os planos capital-indivíduo e pessoa-amor sagrado. O sentido oposto complementar
“capital<----indivíduo/pessoa<-----amor matriz sagrado”, diz respeito ao processo de transformação da energia vital e da consciência no processo de formação do mundo sócio-econômico. Assim sendo, podemos destacar o trabalho de retribuição ao serviço realizado tanto da vida individual em relação ao capital quanto da vida pessoal em relação ao amor sagrado. A transformação do amor sagrado em capital se dá na conversão ontológica da pessoa em indivíduo. Essa transformação é uma verdadeira revolução material (sentido complementar à evolução espiritual). Essa revolução material provocou uma mudança de plano de percepção da verdade eticamente sagrada para uma verdade utilitariamente estética-técnica. O sentido de transformação capital---->-indivíduo/pessoa----->-amor matriz sagrado diz respeito ao processo de construção do saber tradicional e de revelação do bem último no ganho do Amor. E o caminho inverso diz respeito ao processo de construção do saber moderno e de descoberta do último bem no ganho do capital.

As reflexões éticas “dizem respeito às questões do “bem” e do “mal”. Recorrem, portanto, freqüentemente a conceitos tais como “bem último”, “bem superior”, “critério último”, etc.; convém averiguar o que estes conceitos recobrem. Fala-se de bem “último” em oposição a bem “instrumental”; não são desejados por si mesmos, mas unicamente como instrumentos que permitem adquirir uma outra coisa - uma casa ou uma roupa, por exemplo. Essas “outras coisas”, por sua vez, podem também ser bens instrumentais; as roupas, por exemplo, são desejadas porque protegem do frio, nos tornam bonitos, etc. Assim, parece que se quer A como instrumento para se obter B, que se quer B para se obter C, e assim por diante. Podemos questionar se essa cadeia pára em algum momento, se em sua extremidade se chega a algum bem que é desejado por si mesmo e não com vistas a outra coisa. O conceito de bem “supremo” opõe-se ao de bem “subordinado”. O bem “supremo” é, numa doutrina ética, aquele ao qual sempre se dá a preferência quando uma escolha deve ser feita. No liberalismo utilitarista, por exemplo, o bem “supremo” consiste na felicidade da coletividade; o bem “subordinado” é a liberdade. Se uma liberdade particular contribui para a felicidade coletiva, é considerada desejável; se diminui a massa global de felicidade, é não desejável. Deste modo, considera-se desejável que os indivíduos disponham de liberdade de escolher seu local de moradia ou sua profissão, pois estas liberdades aumentam a felicidade coletiva. No entanto, não é considerado desejável que os pais disponham da liberdade de decidir se vão propiciar ou não instrução para seus filhos. Tal liberdade diminuiria a felicidade coletiva. A liberdade é assim rejeitada quando entra em conflito com a felicidade; portanto é “subordinada” à felicidade, que é o bem “supremo””(VERGARA, 1995, p.25-27)".

Onde estão nossos verdadeiros valores culturais?

Caro Salatiel,

Estou enviando-lhe o texto que, espero despertar o seu interesse, pois desejo vê-lo publicado. Será publicado no Cariricult, se houver o interesse? Aguardo sua reposta. Um abraço.


Onde estão nossos verdadeiros valores culturais?
Antonio Veylla Duarte*

Já se foi o tempo em que o brasileiro valorizava de corpo e alma seus valores culturais. São poucas as localidades em nosso país em que fielmente uma categoria ainda preserva sua identidade, como é o caso de nosso Cariri. Porém, ainda assim enfrentamos problemas, não apenas no vale caririense, mas em todo o Brasil. A seguir, através de uma pequena história, entenderemos o por quê.
Era uma tarde comum a qualquer outra, quando minha irmã chegou em casa. Como eu sou chato de nascença, resolvi perturbá-la um pouco, com aquele meu bom humor de costume. Aproximei-me e lhe disse:
__Irmãzinha, e falei sua alcunha, o seu aniversário é no próximo mês; então, poderia comprar para mim um presente?
Ela murmurou e responde-me: "O que é desta vez?''
Respondi que queria muito adquirir um CD do Pequeno Coral do Crato, aquele maravilhoso grupinho de crianças cantoras, regido por Divani Cabral. Ela perguntou quanto custava, e respondi que apenas uma garça (R$5,00). "Espere", foi a sua resposta. Se a tal espera correspondia à chegada de seu aniversário, isto é que eu não sabia. Passados poucos dias, ela me entregou o valor correspondente ao CD tão querido. Ora, as aulas do semestre 2009.1 da URCA estavam próximas de começar, e eu não podia gastar dinheiro com supérfluos. Nos cinco dias seguintes sofri o dilema de guardar aquela garçazinha e decidir se a gastaria nas minhas necessidades acadêmicas ou investir no CD. Aconteceu que a tentação de comprar o disco prevaleceu, pois eu não esquecia aquela bela aprasentação do Pequeno Coral no Festival da Canção do ano passado.
Comprei o álbum e o ouvi, ouvi,e tornei a ouvir. Não me arrependo do que fiz. Aquelas vozes das crianças são encantadoras. É um trabalho histórico e cativante.Que lindo coro. Um trabalho riquíssimo em multiculturalidade, mesclando músicas que retratam o nosso Nordeste,junto ao inglês, infantil, erudito e popular. Um orgulho para nós cratenses. Dizer " parabéns" seria pouco à vista de um trabalho de tão excelente qualidade.
Quero deixar bem que fazer propaganda não é o meu objetivo. Senhores leitores, prestem atenção. é revoltante saber que um trabalho como o do Pequeno Coral esteja sem o reconhecimento que verdadeiramente merece, enquanto que no Brasil inteiro estoura músicas (se é que são dignas de ser chamadas assim) com letras imbecis, escandalosas, baixas, inescrupulosas, apelativas e uma série de adjetivos ruins. É lamentável. Músicas, ou melhor, lixos, com conteúdo depravado e conjunto vazio em talento. Onde estão nossos conceitos e valores? O Pequeno Coral, composto de uma dedicada e competente regente e crianças talentosas, que estudam e dedicam seu tempo livre à arte, é trocado por um bando de desempregados desqualificados que veem na música a solução para não passar fome! É o belo trocado pelo ordinário. Enquanto meia dúzia de mortos de fome buscam na música refúgio para suas necessidades, mesmo que da forma mais insuportável, outra dúzia de idiotas curte estas porcarias e, ainda, acha tudo 'bonitinho'! É mais ou manos assim:"Ai, ele não é lindo?", "ai, que gato sarado"," eita mulherão gostoso!" Esta realidade vergonhosa e infeliz. É o ridículo ultrapassando o culto e o belo. O orgulho perdendo espaço para o opróbrio.
O que fazer,então? Ora, não peça para as rádios tocarem esse tipo de perdição, não ouça ou cante suas músicas, não vá aos seus shows, não compre seus álbuns, valorize a você mesmo,a sua família e a sua cultura. Force esta onda musical de depravação entrar em extinção,já!
Só para encerrar o meu protesto, a regente Divani Cabral contou-me que os CDs gravados pelos dois corais do Crato tiveram seus exemplares mandados às rádios de nossa região... E estas não as tocam!! Enfim, não se deixe contaminar por qualquer coisa sem futuro que aparecer. Valorize o esforço, a dedicação, o amor, as belas mensagens, ensine as nossas crianças a apreciar o que é digno.
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*Antonio Veylla Duarte é estudante do curso de Letras da URCA, faz teatro e coral na SCAC (Teatro Rachel de Queiroz).

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Michael Jackson morre aos 50 Anos


O cantor e compositor Michael Jackson, 50, morreu na tarde desta quinta-feira (25), após sofrer uma parada cardíaca em sua casa, em Los Angeles. Segundo o jornal "Los Angeles Times", os médicos do hospital da Universidade da Califórnia confirmaram a morte do cantor, que teria chegado ao local em coma profundo.
De acordo com o jornal, Jackson não estava respirando quando os paramédicos chegaram a sua residência, em Holmby Hills, por volta das 12h20 (horário local). Michael recebeu uma massagem cardiopulmonar ainda na ambulância e seguiu direto ao hospital da Universidade da Califórnia, que fica a dois minutos da casa do cantor. O cantor estava preparando sua volta aos palcos para uma série de 50 shows em Londres, a partir do dia 13 de julho, com ingressos esgotados.

Michael Joseph Jackson nasceu em 29 de agosto de 1958 em Gary, Indiana. Quinto filho do metalúrgico Joe Jackson, Michael mostrou seu talento para a música e para a dança muito cedo. Ele começou sua carreira nos anos 60, aos cinco anos, com o grupo Jackson 5, formado também pelos seus quatro irmãos mais velhos. Desde a pré-adolescência, quando a banda lançou os primeiros discos, o cantor se tornou uma das figuras mais conhecidas e adoradas da música norte-americana.
O estouro solo veio em 1979, com o quinto disco dele, "Off The Wall", que, graças a uma empolgante e original mistura de disco, funk e pop, abriu caminho para o que o cantor viria a se transformar nos anos seguintes.

Na década de 1980 lançou dois de seus melhores discos, "Thriller", de 1982, e "Bad", de 1987, e consolidou a posição de superastro. Foi aí também que surgiu a imagem de um artista de hábitos e atitudes cada vez mais estranhos. É o exemplo perfeito de criança-prodígio que, cada vez mais famosa e idolatrada, acaba por criar um mundo próprio distante da realidade.Ao mesmo tempo em que batia recordes de vendas com "Thriller" --que segundo o livro "Guiness" vendeu entre 55 milhões (segundo a gravadora Sony e a associação de gravadoras dos EUA) e mais de 100 milhões de cópias (de acordo com empresários do cantor)--, colocava sucesso atrás de sucesso nos primeiros lugares das paradas e lançava moda entre os adolescentes de todo o mundo com suas roupas e coreografias, em especial o "moonwalk". Mas Michael era motivo de especulações pela sua postura infantilóide, modificações profundas em seu rosto e branqueamento de sua pele. Nos anos 80, dizia-se até que o cantor dormia em uma câmara hiperbárica para retardar o envelhecimento.A partir do início dos anos 90, os fatos sobre sua vida particular já chamavam muito mais atenção do que sua música --que, diga-se, nunca mais repetiu a genialidade da trilogia "Off The Wall", Thriller" e "Bad". Por mais que lançasse discos de modo superlativo, como o fez com "Dangerous", em 1991, o que atraía o público eram as histórias sobre o megalômano rancho Neverland, na Califórnia, e a preferência do cantor por estar sempre acompanhado de crianças, entre elas o então ator mirim Macaulay Culkin, astro do filme "Esqueceram de Mim".Foi na década de 90 que surgiu o caso que abalaria a carreira e a vida de Jackson. Em 1993, o cantor foi acusado de ter molestado sexualmente um menor de idade. Segundo relatos da época, Jackson fez um acordo milionário com a família da suposta vítima fora dos tribunais em 1995. Nos anos seguintes, se casaria com a filha de Elvis Presley, Lisa Marie, e com a enfermeira Debbie Rowe, mãe de dois de seus três filhos. O cantor se apresentou ao vivo no Brasil em 1993 e voltou ao país em 1996 para gravar o clipe da canção "They Don't Care About Us" no Rio de Janeiro e na Bahia com o grupo Olodum.Sem lançar disco desde 2001, quando gravou "Invincible", nos últimos anos Jackson foi notícia graças ao julgamento pelo qual passou entre 2004 e 2005, também acusado de ter molestado um menor em 2003. Absolvido das dez acusações, logo após o julgamento o cantor passou por uma temporada de exílio no Barein, como convidado da família real do país. Em reconhecimento a sua carreira, em 2002 foi eleito o artista do século pela premiação American Music Awards.Michael reeditou em 2008 o clássico "Thriller", que traz a participações de nomes atuais como Will.i.am e Akon, e colocou uma nova compilação nas lojas, "King of Pop". Em março de 2009, anunciou sua volta aos palcos com uma temporada de 50 shows em Londres, que começaria em 13 de julho e seguiria até fevereiro de 2010.A demanda pelos shows foi tão grande que dezenas de apresentações extras foram acrescentadas, ao mesmo tempo em que centenas de ingressos surgiram em sites de leilão online como o eBay, em meio a críticas à maneira como as vendas estão sendo feitas. Segundo cálculos da Billboard, o cantor poderia levar para casa mais de 50 milhões de dólares com os shows.Em maio deste ano, surgiu também um boato de que Jackson estaria sofrendo câncer de pele. Segundo o The Sun, os médicos haviam diagnosticado sinais da doença em seu corpo e células que poderiam provocar câncer de pele no rosto, mas a notícia foi desmentida logo em seguida.Uma produtora de shows norte-americana queria proibir que Michael Jackson voltasse aos palcos e ameaçava seu retorno. A AllGood Entertainment Inc, de Nova Jersey, alegava que tinha contrato com o cantor para que ele não se apresentasse até 2010. Os assessores do artista, no entanto, não se preocuparam com a possibilidade de uma ação judicial que criasse obstáculos aos shows.Jackson ainda é o "Rei do Pop" para sua legião de fãs, apesar de seu comportamento e de sua aparência por vezes bizarros nos últimos anos. Ele já vendeu em torno de 750 milhões de discos, ganhou 13 Grammy e é visto como um dos maiores artistas pop de todos os tempos.
Do site UOL

Onça Maracajá

Foi pego de surpresa, no contrapé. Paulino nunca imaginou. Voltando da selva inóspita da rua, chegara a casa incólume desta vez. Escapara do trânsito caótico, do tombadinha, do descuidista, das armadilhas espalhadas no escritório pelos colegas de trabalho, da facada inevitável do guarda de trânsito. Mal abriu a porta do lar-doce-lar, a onça maracajá , de bote pronto, o atacou. O ataque feroz prescindiu de script, de legenda. Só depois de muita tapa no terreiro dos olhos, de muita unhada e mordida, de muito: “o que é diabo é isso, meu amor”; “tá doida, enlouqueceu?” , é que conseguiu alguma vaga explicação. A mulher, travestida de puma, na ponta dos cascos, arrepiada como se incorporasse uma entidade maligna, lhe apontava uma plaquinha, erguida entre os dedos da mão direita, como se lhe lascasse um cartão vermelho. Sem parar de bater, se debatendo como menino frente a agulha de injeção, aos gritos, interrogava:
--- Seu nojento, seu traidor, diga logo quem é a sirigaita, o que é que isso significa, o que é , hein ? Pensa que eu sou besta? Tenho cara de abestada?
Só com dificuldade , ante tanto pinote e saracoteio, conseguiu distinguir um envelope de “camisinha” , na mão da esposa. Meio contrafeito, como menino flagrado roubando bom-bom, resolveu partir para o ataque.
--- Você surtou, Gesivalda ? Pirou de vez? Bem que eu desconfiava que isso um dia ia acontecer: você num pára de ouvir música sertaneja! E eu lá sei donde diabos você tirou isso! Eu é que pergunto: que gracinha é essa? Tá de namoradinho novo, é ? Anda me chifrando por aí, enquanto tou me matando no escritório?
Ante o contra ataque inesperado, as forças da esposa redobraram e o arranca-rabo tomou proporções inesperadas:
--- O quê, seu filho da puta? Lave essa língua antes de falar comigo, seu nojento! Bem que você merecia era ponta mesmo prá tomar jeito de gente, seu corno! Como você explica essa “camisinha” aqui que nossa empregada , a Gumercinda, encontrou no seu bolso e jogou com uns papéis em cima da nossa cama, hein? Ela mandou a calça prá lavadeira, mas quem devia ter ido era você, lavar esses “pussuídos” cheio de doença do mundo, na lavagem a seco!
Paulino sequer teve tempo de armar alguma defesa de última hora: Gesivalda , antes de qualquer julgamento, já lhe foi aplicando a pena e ele sabia que aquilo era apenas o início. A partir dali : tome cara feia, tome greve , podia preparar uns dez litros de saliva para contornar superficialmente o problema. Prestes a entrar de férias, percebeu que estava perdido: o raro descanso anual tinha ido prá cucuia, não fosse um fato totalmente inesperado. No meio da confusão, entra na sala o filho adolescente do casal, Daniel e toma a imediata defesa do pai. Meninão criado com pizza , sanduba e fermento , tornara-se um varapau e matou a charada num instante:
--- Mamãe, pare de acusar o pai! A senhora não tem razão! Ontem eu usei a calça dele para ir àquele som na casa de Nicolau e , claro, levei uma “camisinha” para qualquer urgência. Essa aí é minha, sua engraçadinha, e eu quero de volta imediatamente !

Paulino respirou aliviado , fechou o cenho, partiu para o quarto e não quis mais conversa. Indignou-se com tanta injustiça. Arrumou-se e saiu. Aproveitou a oportunidade para uma farrinha com os amigos, em represária às acusações infundadas. Gesivalda, com consciência pesada, ficou tristonha pelos cantos, arrependida do papelão. Não se perdoava. Devia ter investigado mais, estava casada há mais de vinte anos e não tinha tanto o que reclamar. Viveram outras crises previsíveis, mas nada que saculejasse demais o relacionamento. Tinham dois filhos, o Daniel de quinze anos e a Amanda de treze. O casamento, ultimamente, andava meio arrefecido, como todo que se encaminhasse para as bodas de prata. Ela chegara nas margens terríveis da menopausa e isso lhe trouxera alguma insegurança, desconfiança a mais e talvez aquilo explicasse um pouco aquele destempero . Resolveu dar o braço a torcer e , no outro dia, pediu desculpas ao marido. Paulino , ainda chateado, perdoou a mulher com alguma frieza, percebia que o ocorrido lhe contabilizava alguns álibis futuros .
A paz aos pouco foi retornando à casa . Notou-se, visivelmente, uma maior aproximação de Daniel e Paulino. Pareciam parceiros e camaradas da mesma galera. Gesivalda andou meio cabreira porque desconfiou, pelos sinais exteriores, que a mesada do filho havia aumentado consideravelmente. Já havia transcorrido mais de uma quinzena do ataque da felina, quando a mãe percebeu uma conversa meio sussurrada entre pai e filho. Aproximou-se, sem que eles percebessem e , por trás da porta, pegou o restinho da conversa. A pulga voltou para trás da sua orelha novamente. Não quis acreditar , mas ,ao que parece , Daniel estava explicando ao pai que ia sair à noite com uma gatinha e pedia ao velho uma das suas “camisinhas” emprestadas. Quis armar ,mais uma vez o velho barraco. Temeu, no entanto, uma “rata” igual à anterior e preferiu juntar provas, antes de abrir novamente o processo. Pensou, pensou e chegou à conclusão que seria importante ouvir a única testemunha ocular do caso : a Gumercinda.
Até então havia poupado a doméstica. Era um assunto interno , que necessitava de sigilo e não queria que vazasse. As novas evidências, no entanto, não lhe deram outras opções. A curiosidade falou mais alto que a discrição. Procurou a empregada e foi direto ao assunto:
--- Gumercinda, lembra daquela calça que estava em cima da minha cama, naquele dia que você encontrou a camisinha? Quem vestiu a calça no dia anterior, o Daniel ou o Paulino ?
Gumercinda não hesitou em nenhum momento :
--- A calça, patroa, foi o Daniel que usou. Estava toda suja, acho que ele tinha ido pra uma festa.
Gesivalda respirou um pouco aliviada e juntou :
--- Então aquela camisinha, você encontrou no bolso da calça dele, não foi ?
A resposta de Gumercinda não podia ser mais imprevisível:
--- Não, Dona Gesivalda, a camisinha tava era no vestido da Amanda!

J. Flávio Vieira

O CAMINHO DE RETORNO À MORADA DE DEUS NO HOMEM



"O verdadeiro lugar de moradia de Deus é o coração do homem. Você não precisa procurar Deus. É ignorância (Ajnana) não ser capaz de reconhecer sua própria Divindade inata. Você precisa investigar a razão dessa ignorância. Ela acontece principalmente pelo fato de você seguir o caminho externo (Pravritthi Marga) durante a vida inteira, sob a influência dos órgãos dos sentidos, que são direcionados aos objetos externos. Você não está fazendo qualquer esforço para seguir o caminho interno (Nivritthi Marga). Assim, você está se ocupando plenamente das atividades externas e negligenciando totalmente o caminho interno. Você vê tudo sob um ponto de vista do mundo e não reconhece a Divindade que permeia tudo. Você precisa fazer um esforço para mudar sua visão - de externa para interna - para perceber essa Divindade".
SATHYA SAI BABA

Segue abaixo parte de um capítulo da minha dissertação de mestrado defendida em 1992 na COPPE/UFRJ:

"O método [ou Caminho] científico tanto na dimensão material/racional quanto na dimensão espiritual/sensível depende dos conjuntos de pressupostos que o constituem. O conjunto de pressuposto das ciências racionais se baseia nos paradigmas das construções mentais (os axiomas). O processo de ganho de conhecimento no campo científico é eminentemente dinâmico e se transforma, à medida que novas construções vão sendo propostas e aceitas como válidas. Os princípios ou pressupostos quando bem formulados adequadamente, asseguram a possibilidade de se alcançar os objetivos do experimento. A relação do sujeito com o objeto observado depende dos princípios e dos métodos para a obtenção de maior quantidade e melhor qualidade de informações. O grau de confiabilidade dos princípios, bem como o método correto, são fatores imprescindíveis para desenvolvimento de qualquer experimento, tanto na lógica "cerebral" quanto na "lógica" do coração. A questão passa portanto a ser sobre quais princípios nos devemos apoiar, já que o universo de pressupostos possíveis é imenso. Por isso ALLEAU (1976) afirma: "Aquilo que menos se sabe a cerca de qualquer coisa é o princípio dela ".
Os cientistas desenvolvem suas pesquisas envolvidos num conjunto de princípios hierarquicamente encadeados. Os princípios referem-se a uma hierarquia de domínios, referentes aos campos (VER FIGURA ACIMA):
a) do saber;
b) do saber-fazer;
c) do saber-fazer-acontecer;
d) do saber-fazer-acontecer-transcender.

Nessa cadeia o primeiro é uma pré-condição para o segundo e assim sucessivamente até que o ultimo contém a todos em si.
No campo do saber o homem desenvolve uma ciência da investigação: aprende a conhecer ou interpretar mentalmente os fenômenos da natureza produzindo um conjunto de CONHECIMENTOS.
No campo do saber-fazer o homem desenvolve uma ciência experimental: aprende a experimentar ou "controlar" os fenômenos da natureza produzindo um conjunto de EXPERIÊNCIAS.
No campo do saber-fazer-acontecer o homem desenvolve a ciência das descobertas: aprende a prever eventos, descobrir leis físicas e visualizar fenômenos da natureza com relativa antecedência produzindo um conjunto de PERCEPÇÕES INTUITIVAS.
No campo do saber-fazer-acontecer-transcender o homem aprende sensivelmente a compreender as leis e fenômenos da natureza, produzindo um conjunto de AMOR-SABEDORIA, que transcende a mera "modernidade" da existência.

Esses campos da cadeia hierárquica do ser são direcionados segundo níveis da dinâmica de sobrevivência:
a) evolução do eu;
b) descobrimento e manutenção do prazer;
c) fortalecimento do poder do grupo;
d) impulso de amor pela natureza.

Inicialmente somos impulsionados para o processo de evolução do eu. Devido às interferências dos valores e da visão do mundo esse impulso é desviado para o descobrimento e a manutenção do prazer, expressos no fortalecimento do poder do grupo, que gera facções e divisões por todo o ambiente político, social, familiar, profissional, etc. O impulso de amor pela natureza, fim último do impulso de evolução do eu, é distorcido por desvios, de modo a ficarmos cativos de impulsos intermediários, numa simbiose ilusória, identificada como expressão da defesa da sobrevivência.

Uma vez perdida a noção de que a evolução se enraíza e culmina no Amor, nossa visão fica direcionada para o descobrimento do poder e para a paixão pelo prazer. Desvirtuamos a noção de evolução degenerando-a num processo semi-mecânico de afirmação pela força da "materialidade" da vida.

A escolha dos caminhos de evolução e de descobrimento conduz à inevitável experiência de aquisição de "poder". Mas esse poder, que a humanidade pratica, se autonomiza face ao verdadeiro caos de valores reinante no mundo moderno. É um processo conducente a um beco sem saída. Sendo os valores e as virtudes as condições de possibilidade da evolução, o esforço por retomar a trilha evolutiva se torna "solitário", precisando tatear no escuro da consciência para o reencontro dos valores. A buscarmos encontrá-los no "mundo material" corremos o risco da idolatria dos poderes modernos. Nos resta a "perigosa" alternativa de nos voltarmos para a "interioridade" do "mundo espiritual", reencontrando a trilha do autoconhecimento como a busca daquilo que Jesus Cristo chamou do "Reino dos Céus" dentro de nós.

MORAIS (1971) assim comenta:
"Nada nos ajuda nesse processo dramático, pelo qual rompemos os elos de ligação com áreas essenciais da vida. O que penetra dentro de nós faz-nos ainda, paradoxalmente, caminhar mais para fora. O que nos torna cada vez presa mais fácil da solidão" (p.197).

Prosseguindo com o comentário de MORAIS temos:
"Nos desencontramos a cada passo; procuramos, com irriquieta agonia, nosso eu interior e quando nos damos conta de nós, auscultamos apenas os estertores vazios do não-eu, ou seja, de todos os apelos vindos do mundo exterior, num pandemônio incongruente através de todas as sugestões ultrapoderosas dos processos de comunicação.

Já não nos damos conta do que somos e vagamos como inquietos sonâmbulos pelas avenidas superlotadas de outras pessoas igualmente como nós, sofrendo as mesmas emoções. Padecendo os mesmos sofrimentos, como sobretudo vagando ou escapulindo para mundos irreais, na desesperada busca da fuga e todos os outros mecanismos que nos dêem menor sensação de instabilidade, num mundo que se tornou móvel demais debaixo dos nossos pés e, mais ainda, dentro de nossas próprias cabeças" (p.195)".

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

CURSO E SUPERAÇÃO DE UMA REVOLUÇÃO

Assim era. Assim foi.

Quando aquele barbudo alemão escreveu sobre o capitalismo como sistema hegemônico na história, a acumulação há ocorrera. A partir do século XV o processo mercantil e suas “companhias” abrem o processo. Se esticar mais quem sabe a cabeça do homem europeu já estava se preparando no Renascimento e Lutero acelerou o processo como nunca. Depois vieram os enciclopedistas, os iluministas e a ideologia se fundara. Mas a verdadeira ação acumulativa do capital ocorria no “Atlântico Revolucionário”.

Como seres terrestres, os mares formavam as rotas das gentes e mercadorias, mas na terra ocorria tudo que era revolucionário. O fim das terras comunais, as cercas para criação de ovelhas, os teares reais e dos capitalistas. A expulsão das terras ancestrais, as rebeliões religiosas, o castigo monárquico, os portos e o degredo ultramarinho. Pois era no ultramar que o segredo da acumulação ocorria. Seja pelas capitanias hereditárias, pelas Companhias das Índias ou pela Companhia da Virgínia, o processo de degredo, escravidão, exploração e castigo formava a raiz da acumulação.

Seguramente em sentido mais amplo a acumulação primordial do sistema hegemônico foi através do massacre de grandes parcelas da humanidade em todos os continentes. Seja na Europa, nas Américas, África, Oceania ou Ásia. Nem o pólo norte dos esquimós escapou do sistema mercantilista que drenou os recursos para formação da Revolução Industrial, do sistema Financeiro e das Instituições Imperiais.

E foi uma violência tanto para o corpo como para a alma. O móvel da revolução que pôs por terra as velhas instituições feudais ocorreu no centro da religiosidade em todos os continentes também. O cristianismo se fragmentou em centenas de pedaços, ora capitaneando a revolta popular e noutra como a espada de dâmocles sobre as cabeças exploradas. Assim surgiu o terror, velhas instituições a serviço da acumulação mercantil reapareceram como a Inquisição Espanhola e Portuguesa, a caça às bruxas, instituições muito parecidas em objetivos e metas se implantaram nos territórios da Europa, África e Américas em captura da mão-de-obra.

Nenhum momento da história, até então, experimentara tanto deslocamento de populações, tantas destruições de culturas seculares e milenares, tanto ímpeto destrutivo. As velas abertas aos ventos nos mares singrados eram o pano no qual tanto figurava a cruz como o nada por escrito e pintado. Nestes momentos a alma era o estorvo da humanidade, na corrida de mãos de aço, de chicotes alugados, grilhões arrebitados, tudo a serviço da acumulação que gerou alguns impérios que foram mudando de território a cada ciclo de cinqüenta ou cem anos.

Quando aquele alemão barbudo desnudou as chagas do capitalismo, não era um primeiro entre tantos. Desde sempre que a revolução capitalista trouxe a violência de alguns contra tantos. E por isso até hoje a humanidade, mesmo quando não tem consciência plena disto, imagina uma alternativa não violenta, sem exploração e de igualdade entre todos.

Oi

Oi

Quando só
conversaria com qualquer um
qualquer coisa
e o mundo olharia para mim embasbacado
folha boiando na água corrente, descendo...
deixa ser, um sozinho só ele sabe
os olhos para o céu estrelado ninguém
hoje eu conversaria com qualquer um
qualquer coisa
ando descalculando
mesmo quando há escolha
o destino surpreende
cruzo os braços
penso de graça
e pago caro

URCA: discurso e debate sobre a relação da economia com a ecologia, a respeito da possibilidade de exploração de hidrocarbonetos no Cariri

Por - Reno Feitosa Gondin
Coordenador do Curso de Direito da URCA

Nesta última sexta-feira (19/06) deflagrou-se no salão de atos da URCA (no Crato), durante a palestra sobre o ‘Os Projetos de Desenvolvimento do Brasil – Energia e Petróleo no Cariri’, um dos mais meritórios debates a serem travados doravante na região do Cariri, e que insere o contexto regional na problemática globalizada, sem, contudo, desqualificá-la em favor de argumentos idealistas totalitários, de parte a parte (‘mezzo a mezzo’).

Desde então, com a intervenção do qualificado público ali presente, levou-se em conta o início da inserção do Cariri (a partir da URCA – onde se deu o debate) num dos mais importantes contextos temáticos da sociedade globalizada da atualidade, e cujo vértice se assenta no ainda cientificamente indeterminado conceito de ‘desenvolvimento sustentável’; no problema da oposição ‘economia-ecologia’ e na possível conversão do debate acadêmico em discurso mitológico.

Na síntese do que se discutiu, as posições ecologistas giraram em torno da necessidade de proteção do manancial aqüífero da região, e as posturas desenvolvimentistas na possibilidade de soerguimento da economia regional em favor da redução dos problemas socioeconômicos pelos quais se passa. Com efeito, posta a oposição, ambas as perspectivas se mostraram deficitárias nos elementos subjacentes do discurso e, portanto, na sua validade, em face dos três motivos acima identificados.

Em primeiro lugar, a oposição ecologistas se desenvolveu no contexto de um debate anacrônico, tipicamente escolástico medieval, ao impugnar, de súbito, as possibilidades de exploração petrolífera no Cariri. Desta feita, ao se ignorar que a primeira fase do projeto é a realização de estudos geológicos para a verificação da possibilidade petrolífera, findou-se por olvidar, de modo inadvertido, que em qualquer resultado probabilístico de sucesso do empreendimento, já se estará garantindo o sucesso na aquisição ou aprimoramento do conhecimento a respeito dos elementos e níveis do solo caririense. Essa postura destoa de modo inexorável com a ambiência do debate, haja vista o espaço acadêmico, e ademais, a partir da negação da ambiência e sua instituição, desqualifica o próprio discurso, o sujeito que o profere e a sua incapacidade de aquisição da validade que pretende.

Portanto, essa oposição inopinada resultou no encaminhamento da questão para o conflito escolástico superado na idade moderna pela formação do seu ‘paradigma epistemológico’, desde a necessidade galileana de experimentar ao procedimento dubitável cartesiano, de forma que nada deve conter o conhecimento, quanto menos uma hipótese apriorística desta monta.

No segundo aspecto, subjacente a ambos os pontos de vista levantados, mas em decorrência da primeira questão acima esposada, reside no predicado da própria relação de oposição, contaminando-os indistintamente. Admitida a relação de oposição entre economia e ecologia, deve-se ter em conta que esse liame não é lógico-formal, de modo que se opte por um extremo em detrimento do outro. Pressupondo a ambiência histórica do presente como critério de sincronicidade, não se pode escolher pela economia ou pela ecologia de modo exclusivista, decorrendo então a necessidade de consciência da impossibilidade de resposta conclusiva sobre a contradição em análise, portanto, nem o discurso ecologista nem o desenvolvimentista ex radice, são capazes de adquirir legitimação perante a sociedade atual. Não se apresentam condizente à dignidade e à consciência da Região, nem um Cariri ‘verde e pobre’, nem um Cariri ‘rico e cinza’.

Decorre desse contexto ainda que ambos os opositores partem de pré-concepções discursivas ‘sistemáticas’, ‘razão-de-ser’ apriorístico mas também de se mostrar aporético, já que não se trata de uma relação lógico-formal, mas sim de ‘contradição dialética’. Ora, uma vez que economia e ecologia não podem se anular, impondo-se a convivência e a concorrência da oposição na formação de uma resposta satisfatória à questão, qualquer discurso a respeito da possibilidade de exploração de petróleo na região do Cariri precisa pressupor no seio da sua estrutura o caráter de negação da negação, ao modo dialético. Portanto, aqui no Cariri, respeitando ademais o presente processo de formação da sua ‘visão-de-mundo’ autêntica, economia e ecologia devem completar-se na sua própria contradição, convivendo e formando os mesmos juízos hipotéticos a respeito da sua realidade.

Em síntese, os discursos levantados naquela noite sobre esses elementos não pecaram apenas na sua estrutura lógica, mas também no seu ‘modo-de-ser’ sistemático. Ora, do conflito entre a necessidade de preservação do manancial aqüífero e a possibilidade de exploração de petróleo, nenhuma solução sistemática pode ser tomada nesse momento iniciático da discussão. As soluções haverão de ser apontadas ao modo problemático (tópica), devendo-se avaliar cada caso singularmente, haja vista que envolve e depende, dentre outros elementos indeterminados, do avanço tecnológico que, num juízo hipotético, poderá permitir uma possível exploração de petróleo no entremeio do manancial aqüífero.

Subjaz no resultado do debate travado naquela noite do dia 19 último, o drama hodierno da possibilidade de reconciliação do homem com a natureza, da economia com a ecologia, e é magnificente que a região do Cariri esteja inserida nesse contexto, notadamente quando as condições para a formação de uma solução, autêntica e autóctone, estão postas na academia regional exortada a partir daquela noite na URCA, para exercer o seu papel institucional.

Por último, já no final do debate, emergiu, de súbito, um inconsistente murmúrio de pessimismo por parte do discurso ecologista, que deveria ter sido mais prudente. Toda atividade econômica pressupõe a assunção de um risco e, embora a prudência recomende a verificação de que as atividades econômicas da atualidade exijam a ocorrência de riscos colossais, muitas vezes irreversíveis, o pessimismo não pode convolar o próprio discurso ecológico numa mitologia. O que se viu ao final daquele debate foi o pessimismo como discurso mitológico, fundado na obliteração da reflexão em face do terror gerado pelos riscos que se apresentam ao tamanho do desafio. Ao estilo de Vico, o ecologismo deve ter consciência da origem ab terrorem do discurso mitológico.

Como considerações finais desta breve análise do debate naquela oportunidade, deve-se compreender que a questão está posta para a região do Cariri, e que a Academia tem um papel fundamental no desdobramento do problema proposto e da sua solução, que não existe desenvolvimento sem risco, e que ambos os discursos (ecológico e econômico) necessitam tomar consciência das suas implicações e importância.

A Lupin, com carinho (pela sua última postagem)

VACAS



O sutiã, desfaçatez

Embaixo celebra um mistério

Encobre o que é belo

E o que não é belo

Porque não é belo.

Um meia-taça rendado

Da cor do vinho fino

Na região dos exportados

Exportadores enchem a mão

De seios fartos

Celebram o belo

Ora, o que não é

Amamentar a infância

O leite da falta

De intolerância

Vacas magras

Na estiagem

E Dom silicone

E sua bio-maquiagem

A aumentar a beleza

Ciência da calamidade

Ora, o que não é

Esperar o acesso

Ao leite que pinga

No chão aguado

Desespero de umas

O sertão irrigado

Enchê-las todas

De pão e trabalho

Encheu as tetas

De algumas

Na redondeza

A seio-ciência

E a impaciência

Umas palavras

Socorro !


24/06/2009 - 10h20


Socorro a bancos em 1 ano supera ajuda a países pobres em 50, diz ONU



A indústria financeira internacional recebeu no último ano quase dez vezes mais dinheiro público em ajuda do que todos os países pobres em meio século, segundo aponta um relatório divulgado nesta quarta-feira pela Campanha da ONU pelas Metas do Milênio.Segundo a organização, que promove o cumprimento das metas das Nações Unidas para o combate à pobreza no mundo, os países em desenvolvimento receberam em 49 anos o equivalente a US$ 2 trilhões em doações de países ricos.
Apenas no último ano, os bancos e outras instituições financeiras ameaçadas pela crise global receberam US$ 18 trilhões em ajuda pública.A divulgação do relatório coincide com o início de uma conferência entre países ricos e pobres na sede da ONU, em Nova York, para discutir o impacto da pior crise econômica mundial desde os anos 1930.O encontro, que acontece até o dia 26, tem como principal objetivo "identificar as respostas de emergência para mitigar o impacto da crise em longo prazo", segundo a convocação das Nações Unidas.Um dos principais desafios da reunião será conseguir um compromisso que permita unir países industrializados e em desenvolvimento para definir uma nova estrutura financeira mundial, prestando atenção especial às populações mais vulneráveis.Vontade política O relatório da Campanha pelas Metas do Milênio argumenta que a destinação de dinheiro ao desenvolvimento dos países mais pobres não é uma questão de falta de recursos, mas sim de vontade política."Sempre digo que se você fizer uma promessa e não cumprir, é quase um pecado, mas se fizer uma promessa a pessoas pobres e não cumprir, então é praticamente um crime", disse à BBC o diretor da Campanha pelas Metas do Milênio, Salil Shetty."O que é ainda mais paradoxal é que esses compromissos (firmados pelos países ricos para ajudar os pobres) são voluntários. Ninguém os obriga a firmá-los, mas logo eles são renegados", lamentou."O que pedimos de verdade é que nas próximas reuniões, na ONU nesta semana, e na cúpula do G-8 (em julho), os países ricos apresentem uma agenda clara para cumprir com as promessas que fizeram", disse Shetty.O relatório da organização observa ainda que a crise mundial piorará a situação dos países mais pobres. Na última semana, a FAO (Organização para a Agricultura e Alimentação) afirmou que a crise deixará 1 bilhão de pessoas em todo o mundo passando fome.Para Shetty, é importante que os países pobres também participem de qualquer discussão sobre a crise financeira global. "Hoje eles não têm nenhuma voz nas principais instituições financeiras. Enquanto não participarem da tomada de decisões, as coisas nunca vão mudar", afirmou.

Do Site UOL

BBC Brasil

ONU : Maior mercado consumidor de Cocaína da América está no Brasil



24/06/2009 - 11h00


Claudia Andrade

Do UOL Notícias

Em Brasília


O consumo de cocaína também está crescendo em vários países da América do Sul, incluindo o Brasil. É o que aponta relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre drogas divulgado nesta quarta-feira (24). Em números absolutos, o mercado brasileiro é o que mais consome a droga no continente, com cerca de 890 mil usuários, o equivalente a 0,7% da população entre 12 e 65 anos, segundo dados dos anos 2006/2007. Em 2001, os usuários de cocaína representavam 0,4% da população. Se o consumo aumenta, crescem também as apreensões da droga. Nos países do Cone Sul (Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai), as apreensões passaram de 10 toneladas no ano 2000 para 38 toneladas em 2007. "Isso reflete o aumento crescente da importância desses países para o tráfico de cocaína, tanto para satisfazer a demanda interna quanto para reexportar a cocaína para mercados como Europa, África e região do Pacífico", constata a ONU, em seu relatório.
Em 2007, a América do Sul contribuiu com 45% do total mundial de apreensões da droga, o equivalente a 323 toneladas. Mais de 60% desse número veio da Colômbia. No Brasil, foram apreendidas 17 toneladas de cocaína, o que coloca o país em 10º no ranking mundial. No ano anterior, o Brasil ocupava a 12ª posição, com pouco mais de 14 toneladas apreendidas.De acordo com a Polícia Federal, a apreensão de cocaína no país aumentou entre 2007 e 2008, passando de 18,5 toneladas para 20 toneladas. "Contudo, esse não é o nosso principal objetivo. Temos tentado fazer a desarticulação das organizações criminosas que atuam neste comércio", disse Roberto Troncon Filho, diretor de combate ao crime organizado da PF.O relatório da ONU destaca, no entanto, uma queda na produção de cocaína no mundo todo. Em 2004, a produção superou as 1.000 toneladas, número que caiu para 845 toneladas no último levantamento. A redução de 28% na produção da droga na Colômbia contribuiu para a diminuição global, de acordo com o relatório.Crack: apreensão quase quadruplicaNo caso do crack, as apreensões no Brasil cresceram quase quatro vezes de 2006 para 2007, passando de 145,3 toneladas para 578 toneladas. No período histórico do levantamento, que começa em 2002, o ano em que a apreensão da droga foi menor no país foi 2004, com 101 toneladas apreendidas. Em toda América do Sul, as apreensões passaram de 479,3 toneladas em 2006 para 706,8 toneladas no ano seguinte.MaconhaO consumo de maconha no Brasil está aumentando. Segundo o documento da ONU, a taxa anual de consumo no país passou de 1% em 2001 para 2,6% em 2005. "De acordo com as autoridades brasileiras, esse número parece continuar subindo nos anos subsequentes", afirma o relatório.
Segundo as Nações Unidas, a maconha continua sendo a droga mais cultivada e consumida em todo o mundo. E o alerta do relatório é para os danos que a droga traz à saúde. "O índice médio de THC (o componente prejudicial da droga) observado na maconha na América do Norte quase dobrou na última década. Essa mudança traz grandes implicações à saúde, evidenciada por um aumento significante no número de pessoas em busca de tratamento."Heroína e drogas injetáveisO relatório da ONU aponta que o Brasil tem o maior número de usuários de opiáceos (ópio, heroína, morfina) entre os países da América do Sul. São cerca de 635 mil usuários, ou 0,5% da população entre 12 e 65 anos. A maioria usa analgésicos e só uma pequena parte usa heroína (menos de 0,05%). "Os dados mostram uma tendência de estabilização no uso de opiáceos nas Américas, mas tendências de crescimento no México, na Venezuela e na Argentina", diz o documento.


DADOS DO BRASIL SOBRE USUÁRIOS DE DROGAS JOVENS NA AMÉRICA DO SUL
Cocaína
1º lugar
Anfetaminas
2º, atrás da Colômbia
Maconha
5º lugar, atrás de Chile, Uruguai, Colômbia e Argentina


No caso das drogas injetáveis, o Brasil está entre os países com a maior população de usuários. Ao lado de China, Estados Unidos e Rússia, soma 45% do total estimado de usuários no mundo. O relatório alerta para o perigo de infecção pelo vírus da Aids. Estima-se que entre 0,8 milhão e 6,6 milhões de usuários de drogas injetáveis no mundo inteiro estejam infectados pelo vírus HIV, principalmente no Leste Europeu, Leste e Sudoeste da Ásia e América Latina. "Faz-se necessário realizar investimentos na saúde pública para enfrentar esse problema", afirma o relatório, observando que os dados sobre uso de drogas injetáveis "são de baixa confiabilidade, considerando o estigma existente em relação a esse tipo de usuário".O relatório da ONU é feito com base em dados fornecidos pelos governos por meio de questionários enviados ao escritório sobre drogas e crime no ano passado. Os dados são complementados pelas Nações Unidas.

DEUS É AMOR




"O amor (Prema) tem sido descrito como além da fala e da mente, e como indescritível (Anirvachaneeyam). Esse amor não pode ser obtido através de erudição, riqueza ou poderes físicos. Deus, que é a encarnação do amor, pode ser alcançado somente através do amor, assim como o sol fulgurante pode ser visto somente através de sua própria luz. Não há nada mais precioso nesse mundo que o amor Divino. Deus está além de todos os atributos. Portanto, Seu amor também está além dos atributos (Gunas). Como o amor humano é governado pelos atributos, resulta em apego ou aversão. O amor não deveria estar baseado em expectativas de recompensa ou retorno. O amor baseado em tais expectativas torna-se um contrato de negócio. O amor não é um objeto de comércio; não é como dar um empréstimo e recebê-lo de volta. Ele é uma oferta espontânea. O amor puro pode emanar somente de um coração puro".
SATHYA SAI BABA

Muitos místicos, espiritualistas e religiosos já afirmaram essa realidade espiritual: Deus é Amor! Eu também afirmo com convicção. Mas, o importante não é afirmar apenas, mas vivenciar essa realidade. Nesse ponto, é que a maioria se sente sem orientação. Qual o caminho ou método que devemos seguir para se confirmar essa grande verdade libertadora ou salvadora? O Amor Divino é a manifestação do divino no homem e no mundo. E somente um coração puro, livre de deficiências morais e carências instintivas alcança esse estado transcendente. E poucos são aqueles que conseguem se libertar dos condicionamentos culturais e sociais para seguir o caminho de purificação e bem-aventurança divina. O que não conseguimos perceber é que esse caminho de autosuperação requer disciplina para a transformação dos estados de consciência humana em consciência divina. O homem racional, em sono profundo, não percebeu que a realidade é constituída de dois fluxos de energia-consciência: humanização divina e divinização humana. O primeiro fluxo diz respeito do processo de tomada de consciência da vida objetiva e social (é o estado predominante na maioria dos indivíduos). O segundo fluxo diz respeito, por sua vez, ao estado supra-racional e supra-social nas pessoas dotadas de uma disciplina interior. A figura dos chakras (ver acima) pode nos informar como esses fluxos acontecem. A energia-consciência quando desce através do sistema energético sutil (conhecido pelos orientais como kundalini) fornece a matéria-prima para a constituição da percepção objetiva (consciência humana). E quando a energia-consciência sobe fornece condições para a constituição da consciência divina no homem. Os dois fluxos são diferentes, mas complementares entre si. A questão principal é como inverter e converter o fluxo de descida para fazer com que a energia suba e transforme de vez a natureza humana. Os orientais chamam de SADHANA a disciplina que opera tal mudança. Precisamos de uma ciência que nos ensine a ver que todos os nossos pensamentos e sentimentos são em verdade energia-consciência, ou seja, são energias que se transformam em estados de consciência quando percorrem velozmente os canais sutis existentes em nosso sistema energético físico-metafísico. Por isso, a importância do desenvolvimento da sensibilidade humana num mundo predominantemente racional. A sensibilidade é a base da visão sutil e holística da natureza humana. A prática da ioga tem a capacidade de desenvolver a sensibilidade humana. E é através da sensibilidade que conseguimos perceber os diferentes espectros e naturezas da energia tanto no contexto físico-objetivo quanto no sutil-metafísico. E não é por acaso que a Física Quântica encontra-se no limiar de dois mundos: físico (concreto) e metafísico (sutil). O AMOR DIVINO é o chakra (ver chakras na figura acima - O Amor é o de número 4 cor vermelha) que se encontra no centro do peito (próximo ao coração). O despertar desse chakra indica um alto grau de exercício espiritual e também uma transcendência e conversão de energia.

Cariricult no Terra Magazine

O texto "Crato não há mais" que postei aqui no Cariricult está linkado na seção "Terra Magazine na Blogosfera" do portal Terra. É uma comprovação, óbvia, de que o que está disponível em blogs abertos ao público pode, e deve, ser utilizado em outros espaços. O portal Terra , como outros portais e blogs, se beneficia dessa publicidade. A questão dos direitos autorais tem muitas nuances e não se deve aplicar suas regras indiscriminadamente , como alguém aventou em um post passado.Um blog deve usar majoritariamente produções próprias mas, nessa época de excesso de informações inúteis, acho super salutar o aproveitamento de bons textos vindos de outras fontes. A contextualizaçõe e um comentário adicional, nesse caso, são sempre importantes.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

"centro da cidade"

os ouvidos servem para as palavras roucas
a camisa sem adjetivo cobre a boca, seus dentesbotões
a cortina entre os olhos clama
aos edifícios empatando a curva
do horizonte que esperem

um pássaro passa entre as antenas
manchadas de palavras
o asfalto o asfalto o asfalto
as cores da manhã numa dança
com o reflexo da lâmina no nome
das moças de mãos dadas
permitem entrever as fibras do amor

o amor é tão simples

Fogo e Cinza

Existe um pacto tácito e mágico entre o homem e o fogo. O controle do processo da combustão foi, certamente, uma das maiores descobertas da nossa raça e mudou completamente os rumos da nossa história. A possibilidade de cocção dos alimentos nos tornou carnívoros e fez com que ganhássemos , evolutivamente, um cérebro mais avantajado. Postavam-se nossos ancestrais diante do fogo, quase que por encantamento e foi ele um fator aglomerador do homem primitivo, máxime nas eras glaciais. Diante das chamas , nas cavernas, eles fizeram os primeiros pactos e acordos, uniram forças em busca da sobrevivência em mundo tão hostil e aprenderam a dura arte de viver em comunidade. O fogo estava presente em quase todas cerimônias religiosas e foi com ele que, muitos anos depois , se sacrificaram os primeiros prisioneiros políticos, ditos hereges e bruxos, na vã tentativa de “ purificar” esse mundo. Não bastasse tudo isso, os primeiros esculápios utilizaram as brasas como medicamento, uma cruenta maneira de cauterizar enfermidades e a arte da guerra foi quase uma extensão da descoberta do fogo e da pólvora. O fogo e o homem são assim irmãos siameses e toda a lúdica viagem da humanidade neste planeta possivelmente não teria encetado, não tivéssemos conseguido acender a primeira fogueira.
Talvez seja por isso que somos tomados de uma aura de nostalgia ao se aproximar o período junino. O São João e São Pedro são uma espécie de ritual pagão de adoração do fogo. As adivinhas, as promessas, os casamentos e o compadrio remontam, por certo, aos nossos tempos primitivos em que o Deus fogo presidia todas as unções. Familiares e amigos se reúnem, novamente, em torno da fogueira sagrada, comem e bebem em meio ao pipocar dos fogos e o fugaz vôo dos balões. Com o passar dos anos, as festas vão ficando mais tristes e mais vazias porque muitos, como dizia Manuel Bandeira, já não comparecem : “estão todos dormindo, dormindo profundamente”.
Descobrimos, então, que a nossa vida é igualzinha a uma festa junina: o estardalhaço no ribombar dos fogos da juventude; os sonhos etéreos e fugazes que ascendem e brilham , como balões, até serem tragados pela chama do quotidiano; a quadrilha incansável das relações humanas , e a fogueira da existência, tão difícil de pegar fogo, mas uma vez ateado, queima num átimo, sem que ao menos pressintamos. Mal adentramos o salão , com apenas o gostinho do aluá e do pé-de-moleque na boca, acabam a festa de repente. E o que será feito do Arraial ? Restarão apenas mornas cinzas de passado que serão arrastadas indelevelmente pelo vento do esquecimento.

J. Flávio Vieira

pétalas

A oração dos santos
o coração do mundo
aqui estamos
entre o cadáver de um sentimento genuíno
e a ressurreição de Cristo
casado com Madalena
após os enterros, a terra removida
dá suas flores
ainda que não plantem
florestas cresceram
passarinhos e abelhas e androceus
aqui estamos
e as paredes vão virando espelhos
os dedos, os dedais
e o sossêgo dos santos já canonizados
contra a santificação de políticos
na celebração da dialética
aqui estamos
o coração do mundo
nos artifícios dos solitários
as rezas noturnas pelo encontro de forças
um aspersor por sobre um campo verde
de cebolinhas enfileiradas

O Irã não pode ser examinado com imbecilidades

Não por acaso lembrei-me do substantivo “maniqueísmo”. Um dualismo religioso, citando a luta cósmica entre o bem e o mal. Nasceu na Pérsia e se espalhou pelo Império Romano entre os séculos III e IV DC. O Irã atual é descendente do fabuloso império Persa, bem que igual se diz que a Itália descende de Roma, mas guardada a diferença história estamos falando do possível. E o maniqueísmo é como a imprensa ou a mídia Ocidental trata os valores dos quais, em parte, é responsável e que depois se espalhou pelo mundo.

Esta mídia que aparenta um zelo pelos fatos, mas escorrega no próprio umbigo quando tenta olhar seus valores transpostos para outros povos. Mas não apenas escorrega, levanta um olhar maniqueísta em que o bem é sempre o ocidente e o mal os outros. De fato a ética ocidental nunca superou o problema da alteridade e procura transpor “cirurgicamente” suas instituições para terceiros.

Neste dias as lágrimas de crocodilo se derramaram a sorrelfa pelos monitores de televisão. O filho do antigo Xá do Irã expôs copiosas lágrimas nas páginas chorosas do Ocidente. Ontem mesmo no Jornal Nacional, tão neutro que transmite as notícias de Israel como se sabe inimigo do Irã, entrevistava um Israelita de origem Iraniana e este chorava lágrimas “amargas” pelo povo do Irã. Parece ironia, mas não é, pois os Palestinos são vítimas de Israel e lágrimas pelo vizinho não existem.

A Inglaterra que não tem nenhum perdão da história pelo massacre de culturas pelo mundo todo, que mandou soldados destruir o Iraque recentemente, é o núcleo de tenebrosas visões. Deseja o domínio do Islã, melhor dizendo dos lagos subterrâneo daquele líquido preto e viscoso que se formam em imensa região. Ninguém efetivamente pensa no povo do Irã, apenas nas vantagens do seu território, por isso mesmo o corpo ensangüentado da jovem baleada é o símbolo do sacrifício tão útil para justificar ações que mutilam.

Será que alguém em sã consciência imagina que o discurso inusitado do Presidente Francês no Parlamento, condenando a burca e levantando a liberdade das mulheres não tem nada com esta jovem iraniana? É a mesma coisa, a velha propaganda maniqueísta ocidental, que se constitui numa peça única em todas as agências de notícias do mundo e por isso mesmo uma peça urdida e aplicada em benefício da surrada democracia européia.

Mesmo quem nasceu após a segunda guerra mundial desconfia que os Europeus pouco tenham a ensinar de globalização ou sistema mundial de paz e democracia. Destruíram suas florestas, arrasaram seus ecossistemas, esgotaram seus recursos, se expandiram agressivamente por todos os continentes e realizaram as guerras mais terríveis que resultaram em carnificinas sem igual em qualquer continente. Os norte-americanos apenas acrescentaram a eficácia da tecnologia e a eficiência de suas instituições a este mesmo modelo.

Sem dúvida que o Irã passa por grandes transformações. Que ela nasceu seguramente da revolução que derrubou o Xá. Ou nos tornamos todos imbecis ao não observar que os bons níveis de educação alcançados naquele país foi justamente uma política deliberada de anos e anos da revolução? Apenas a título de exemplificação, hoje mesmo a Miriam Leitão no Bom Dia Brasil, falava na conquista da mulher iraniana. Claro que o resultado de apenas 4% de mulheres analfabetas naquele país, em que 55% das vagas universitárias sejam ocupadas por elas faz parte de uma política de anos de incentivo à educação feminina. Ou estamos obnubilados e imaginamos que a morte daquela jovem significa que o regime persegue as mulheres. Entendemos o maniqueísmo?

É importante que se entenda o seguinte: o Irã há anos tem um projeto de nação. Já foi agredido pelo Iraque por financiamento do EUA, é ameaçado pela potência nuclear de Israel e desde alguns anos para cá é ameaçado pela Europa e os EUA por desenvolver energia nuclear. E sabem o motivo? É que tudo no Irã tem projeto de longo prazo, para cinqüenta anos adiante. Conheci quadros dos organismos internacionais que se admiravam da visão estratégica de todas as instituições iranianas.

Mais ainda, o Irã tem milionários (Rafsajani, aquele que já mandou por lá é um burguesão clássico e se opõe ao atual presidente), tem um capitalismo em ebulição e tem pobres e trabalhadores explorados. Nada diferente do resto do mundo “globalizado”. Mas o Irã tem plano estratégico e tem muitos viés que unem seu projeto, inclusive atraindo esta classe média que aparentemente se rebela. Um outro fato inegável é que o Ocidente em crise pouco oferece a quem tem problema. O Irã já se junta ao esquema de aliança da Ásia, se aproximará dos BRICs e portanto da América Latina e da África.

Crato não há mais

O texto abaixo é um trecho da coluna de Fernando Rego no Terra Magazine. Fernando Rego foi professor de Filosofia na UFBA e morreu há alguns anos. Terra Magazine tem publicado periodicamente textos extraídos de seus livros em forma de coluna. A Solidão é o tema. O texto me tocou porque quase todos nós que moramos em cidades grandes quando estamos próximos da aposentadoria alimentamos a ilusão que a vida outonal seria bem melhor em uma cidade pequena. A calma , a cordialidade das pessoas são sempre citadas como virtudes inerentes à esses lugares. Cada vez mais penso que isso é uma ilusão e como dizia Drumond "Minas não há mais".

Nem estantes, nem quadros e nem cortinas impedem o reflexo do sol nas paredes brancas do quarto. A palidez e a magreza realçam o perfil aquilino do homem que está deitado. A dor obriga-o a contrair o rosto sulcado. Recostado nos travesseiros obtém a posição que lhe parece - sempre a dúvida presente - menos dolorida. Mas - ele sabe - o médico aumentara a dose de morfina.

Desejos não mais o atormentavam - como ocorrera outrora - quando o grande pecado o obrigara a vagar pelas ruas em busca de um olhar que cruzasse significativamente com o seu. Um dia, corroído pelo tormento, chegou mesmo a crer que, buscando retiro em um recôndito interior, tudo estaria resolvido. -Enganou-se. Em vão procurou exercer, da melhor maneira, o ofício de professor; mas o olhar zombeteiro dos rapazes que pressentiam seu desejo deixava-o intranqüilo. Um dia, em crise, escrevera ao mestre queixando-se da perversidade dos homens daquela cidade, ao qual aquele respondera: "Todos os homens são perversos". A resposta o obrigou a retrucar: "É verdade, mas os daqui são mais perversos do que os homens de qualquer outro lugar". Dessa maneira encerrou, não só sua passagem pela pequena cidade do interior, como também sua correspondência com o mestre.


Ele bem sabia que o mundo existiria sempre; independente de sua vontade. Os planetas continuam em órbita quer ele pense ou não sobre eles. Ele bem sabia que inexistem mistérios na natureza. Mistérios são ardis, muitas vezes inconscientes, da vontade humana. Não há uma necessidade lógica que fundamente o mistério. Ele bem sabia que o sentido de sua existência não deveria ser procurado na natureza, e sim fora dela. O fundamento do existir humano está ligado à explicação que sempre tem do mundo, à existência em geral.


Por se encontrar debilitado, sentia excessivo frio. Pássaros comiam o alpiste que colocara na janela, e a algaravia que estes faziam tornava-o feliz, levando-o a crer que a felicidade pertence às coisas do mundo sensível. A luz do sol esquentava seus pés. Se, porventura, nesse exato momento, alguma pergunta que transcendesse a sensação morna da luz solar me fosse feita, com certeza a resposta seria metafísica. Nesta resposta não existe nenhuma visão mística do mundo já que sou arquiteto das formas puras e simples. Respondi, apenas, devido à sensação agradável que sinto nos pés. E nada mais do que isso, pensou.


A busca da própria humanidade exigiu sofrimento. Nenhuma das grandes descobertas científicas o ajudou nessa contenda entre a loucura e a razão. Esta indagação o tornou estrangeiro, mesmo entre seus pares. Estrangeiro e bizarro; alcunha que lhe parecia costurada ao corpo, como uma segunda pele. Nem a morte conseguiria destruí-la. Mas o que importa tudo isso se o morto não tem ligação com os acontecimentos da vida, perguntou-se. O que morre torna-se indizível em relação aos acontecimentos vitais. A morte simplesmente não é, se comparada com a vida.


A porta abriu-se deixando passar um jovem em tudo mediano, menos nos olhos que saltavam das órbitas. Os dois conversaram, conversaram por quase uma hora. Em algum momento da conversa, o homem que estava deitado, chegou até mesmo a rir, quando o amigo imitou certa atriz de cinema que cantava músicas latinas, bastante exóticas, que combinavam com seus adereços.


O rapaz já estava saindo quando o homem lhe disse: "Não esqueça de dizer a todos os nossos amigos que fui muito feliz".


Assim que o rapaz partiu, com suas fantasias, ele olhou à janela buscando os pássaros que lá não mais estavam. E assim o homem morreu sozinho.



Geopark Araripe continua a fomentar iniciativas análogas noutras partes do Brasil
Alexandre Sales (*)


A Unesco define o projeto de um geopark como uma área, com limites definidos, abrangendo determinado número de sítios geológicos de relevo. Ou mesmo um mosaico de entidades geológicas de especial importância científica, raridade e beleza – que seja representativa de uma região e da sua história geológica, eventos e processos – possuindo não só significado geológico, mas, também, relevância ecológica, arqueológica, de história e cultura.
A Unesco vem incentivando a criação de novos geoparks no Brasil e, para tanto, utiliza como modelo a ser seguido o Geopark do Araripe, o primeiro das Américas. Este fica localizado no sul do Ceará e abrange seis municípios na região do Cariri. O Geopark Araripe foi implantado pela Universidade Regional do Cariri – durante a gestão do reitor André Herzog – e hoje é administrado pelo Governo do Estado do Ceará.

Entre os dias 16 e 19 de junho ocorreu em Campo Grande (MS) um workshop para discussão da futura gestão do segundo geopark do Brasil e do continente americano: o Geopark da Serra da Bodoquena-Pantanal. O evento ocorreu no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, na capital sul-matrogrossense. Ali foram discutidas estratégias de preservação e desenvolvimento com base em ações educativas e roteiros turísticos focados no patrimônio geológico–paleontológico-arqueológico exemplificados nos Geoparks Araripe e no de Naturtejo, de Portugal.
Estiveram presentes a este evento, representantes das Universidades de São Paulo (USP), de Brasília (UNB), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS, da Universidade Regional do Cariri (URCA) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Entre os palestrantes destacamos os professores André Herzog e Alexandre Sales – que juntamente, com o professor Gero Hilmer (da Universidade Hamburgo, Alemanha) – formaram o tripé para a implantação do único geopark do País, o do Araripe. Também presentes os técnicos Emanuela Lima e Marcelo Carvalho, da Secretaria das Cidades do Governo do Ceará, bem como Olga Paiva, do Iphan-Ceará.

O território que abrigará a nova área de preservação possui diversos aspectos característicos de um geopark nos moldes da Unesco, como a presença de fósseis de preguiças-gigante, tigres-dente-de-sabre e mastodontes. Além destes, fósseis dos primeiros seres vivos surgidos no planeta - há mais de 560 milhões de anos -, sendo um desses fósseis, a Corumbella, em homenagem a Corumbá, onde o fóssil foi descoberto. O local também abriga diversos sítios arqueológicos e históricos relevantes que contam a história da mineração em Corumbá e a Retirada da Laguna e também um rico patrimônio cultural traduzido pelo modo de vida pantaneiro, pelas artes gráficas e cerâmicas terena e kadiwéu, dentre outros.

Vale destacar, por oportuno, que o surgimento do Geopark Araripe também influenciou o projeto de criação do Geopark do Quadrilátero Ferrifero, em Minas Gerais, onde a historia da mineração concorre com a cultura local e o desenvolvimento daquela área. Este, um novo geopark que surgirá em breve tendo como modelo o nosso Geopark Araripe.

(*) Alexandre Sales é geólogo e professor adjunto da Universidade Regional do Cariri.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Comunhão de neto e avô

Se até a moral se modifica com o tempo e o espaço o quê não dizer dos aforismos? Nenhum fica uma eternidade embora possa até enternecer o coração nestas beiradas vespertinas do anacronismo. As pessoas repetem a liça como se ainda estivessem nas velhas batalhas medievais. Cavalheiros e cavaleiros, cavalhadas e patadas. Como neste final de semana na Batateira.

O incidente ocorreu com um quadro dos filósofos da Batateira. Mas precisamente com Chambaril. Ele estava na bodega de Antonio da Bibia jogando baralho na calçada amena da sombra das quatro da tarde. Os carros disparados na curva da estrada, meninos brincando na rua, mulheres gritando e homens da cara enfezada. Uma tarde como destes tempos. Jogavam Chambaril, Joaquim da Luz, Erivaldo (filho de Erivam e Evaldo) e o sessentão do porte sisudo, Armanoel (filho de Erminda e Manoel).

O jogo estava no limbo, nem ânimo ou tédio. Apenas passatempo. Um modo de jogar com apostas de palito de fósforo. Nem álcool molhava a lábia, algum copo de refresco gelado e umas xícaras de café choco naquela garrafa que só é térmica nas referências do passado. Mas tem o cigarro por fumaça envolvente do grupo de jogadores. Alguma tossida e as cartas que embaralham. E como embaralham nas mãos e lá fora.

É que um grupo de meninos corria para pegar um papagaio que alguém cortara a linha e caia próximo da estrada. Armanoel já um tanto irritado com o jogo levanta o olhar e vê o neto mais velho no meio da molecada. Foi a conta para o avô misturar a raiva do jogo com o neto em ação e dar um grito igual a Pedro I no Ipiranga. Aliás, a vocação de Armanoel era real, como gostaria de levantar aquela espada e descer sobre a cabeça dos infiéis e não tementes a Deus.

Contrariado, o menino parou e veio em direção à ordem do avô. Mas não baixou o olhar, o moleque era tinhoso também. O avô passou uma descompostura em regra, longa e detalhada, deveres da escola, ajudar a mãe, vadiagem e até traição ao citar o papel de Judas pelos trinta dinheiros contra Jesus. Foi um mote terrível ter falado da costumeira bíblia que tanto ordenava Armanoel. E o neto, de nariz arrebitado, contesta o avô:

- Oxém Vô e Judas não é o discípulo mais importante de Jesus?

Vixe Maria: Armanoel berrava imprecações com o neto. Sem culpa no cartório os companheiros de jogo também receberam seu quinhão. O velho recitava versículos atestando os números, falava de todos os apóstolos e tome xingamento sobre Judas.

Mas o neto era parente do capiroto e manteve a argumentação: É sim Vô, o padre fala de João e tome Judas, fala de Mateus e tome Judas, diz Tiago e logo Judas. Só dá Judas Vô. Pode ir na missa que só se fala em Judas.

Armanoel citava tudo que tinha conhecimento sobre a traição, sobre o crime, sobre o sofrimento de Jesus. E o neto cutucando o avô:

- Mais Vô e num é por causa disso mesmo que Judas é importante? É que a nossa religião é do crucificado. É a religião daquele que sofre peia, recebe coroa de espinho e morre na cruz. A nossa religião é a religião do sofrimento, do corpo maltratado. A agonia de cada um, sem Deus, sem Roma e sem ninguém de Jerusalém para salvar-lhe do sofrimento. É por isso que os padres precisam tanto do Judas. O Judas é como a fonte da Batateira para o rio. É dele que vem a traição do sofrimento de Jesus e o nascimento da nossa religião.

Armanoel pegou na cadeira, só faltava jogar sobre o neto. Quanta desgraça o mundo lhe dera. Aquele pirralho de merda não lhe merecia o menor respeito e por isso de público fala todos os podres do menino. A sujeira ao dormir, a pouca inteligência nas notas da escola, os maltratos com os irmãos e tome propaganda negativa do neto. Afinal ele até se encontra na posição de bispo e excomunga o neto da igreja. Ele jamais iria comungar na santa missa. Pronto, foi o anatematismo do avô que deu um efeito reverso e levou o neto a uma sentença mortal sobre tudo o mais:

- Eita Vô esta religião é de canibal. Todo dia as pessoas engolem o corpo de Cristo. Eu já estava até pensando nisso mais agora que o senhor me expulsou tudo se resolve.

- Resolve não seu desgraçado. Tu não tinha que está lá mesmo seu ateu safado. Seu comunista de merda, seu anticristo dos infernos. Tu não tinha que está lá mesmo.

O jogo não pôde continuar.

Chambaril pensava refletir o debate com a turma de filósofos.

Quarenta anos do lançamento do Pasquim

No dia 26 de junho de 1969, chegou às bancas do Rio de Janeiro o primeiro número do Pasquim, o mais importante jornal da imprensa alternativa nacional e uma das mais combativas trincheiras na luta contra o Regime Militar que vigorou no Brasil de 1964 a 1985. Foi, pois, justamente nos momentos mais profundos deste período, onde grande parte das liberdades individuais foi suprimida por atos institucionais de exceção, como o sagrado direito de livre expressão, que o Pasquim mostrou-se indispensável como um baluarte da resistência e da liberdade. Além do mais, mesmo nos mais pungentes momentos da vida nacional, o jornal jamais perdeu o bom humor e foi um veículo de imprensa inovador na forma e na fórmula de fazer jornalismo.

A patota fundadora do Pasquim era formada por representantes da imprensa de esquerda, alguns já verdadeiros ícones da cultura nacional, como Millôr Fernandes e Sérgio Cabral. Outros, inicialmente desconhecidos da grande mídia, são hoje forte referências dela, como Ziraldo, Jaguar, Henfil, Paulo Francis, Tarso de Castro e Ivan Lessa. Além desta patota central, o jornal contava com colaborações esporádicas de alguns nomes já nacionalmente conhecidos, como Caetano Veloso, Chico Buarque, Vinícius de Moraes e Ruben Fonseca.

Não cheguei a conhecer o Pasquim no seu apogeu, justamente quando vigorava a censura prévia, ou seja, do seu lançamento até a consolidação das medidas de abertura gradual promovidas pelo governo Geisel. No início da década de 1980, um amigo emprestou-me sua coleção do Pasquim, incluindo a histórica edição com a entrevista de Leila Diniz, e eu me deliciei com a sua leitura. Na época, editava o jornal Folha de Piqui e em alguns dos seus números pode ser observada uma tardia influência do Pasquim, incluindo uma novidade que o nosso periódico adotou, as entrevistas coletivas e descontraídas, com citações de palavras pouco usuais e dos risos provocados por algum dito engraçado ou espirituoso proferido tanto pelos entrevistados como pelos entrevistadores.

No entanto, tentei amenizar este irremediável atraso ao tornar-me assíduo leitor da segunda fase do Pasquim, quando ele já tinha perdido praticamente sua razão de existir e fazia a defesa explícita da primeira gestão de Leonel Brizola como governador do Rio de Janeiro. Por essas alturas, a patota original já tinha debandado, permanecendo apenas o cartunista Jaguar. Mesmo assim, vez por outra, dava para vislumbrar algo do Pasquim original e que em muito serviu para “lavar a alma” dos brasileiros que por um longo tempo se sentiram órfãos da mãe liberdade.

maçaneta de vidro

A vida causa pânico
fábrica de operações
a fábula moderna
o indivíduo e o escritório
a saciedade não se basta
e teima achar isso
feliz com isso ou aquilo

o espírito dos banheiros
tentação dos cubículos
desculpa das bundas nas
bancadas sedutoras
estranho vestíbulo
cômodo preferido
das casas noturnas

o espírito sereno dos refugiados
na barriga das casas iguais
os engolidos vivem sem pânico
e os lares cheios de prisioneiros
os aparelhos, os aparelhos...

minha casa me comia
eu nem gozava
puta da vida saía correndo
numa avenida atropelada
por uma bicicleta
de asas