AVISO AOS NAVEGANTES

Estamos no Ano 3 desta nossa revista eletrônica CaririCult. Uma construção coletiva que nos aproxima através da poesia maior que é a vida. Mais vale dizer: cada colaborador é responsável pelas suas opiniões aqui emitidas.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O "Homem" e o aquecimento global.

Sempre desconfiei desse discurso sobre o "Homem" que está destruindo a Natureza e provocando o aquecimento global. Quando você olha e percebe que desde o Al Gore, passando pelos meios de comunicação e até a Xuxa, ficam falando disso, algo estranho existe nessa história. Primeiro é esse fatalismo, que condena todos os seres humanos, como se fosse algo natural do ser humano destruir a Natureza. Não são todos os seres humanos que "destróem a Natureza". A Natureza não está em crise. O que está em crise é o sistema que tendo por base o lucro e a exploração humana, provoca problemas ambientais. Mas isso, Karl Marx e Friedrich Engels já diziam há muito tempo atrás.
A História mostra que os homens são condicionados por situações diversas, entre elas, as condições de classe social. Na ordem social do capital onde a lógica é a do mercado, pulverizam-se florestas para que se crie gado, por exemplo. Quem faz isso? Os poderosos homens e mulheres do agronegócio, não todos os "homens". Chega de fatalismo e determinismo! E olha que acusam o marxismo disso...

Sobre a questão do aquecimento global, leiam essa entrevista do Professor José Carlos Parente de Oliveira, da Universidade Federal do Ceará - UFC, dada ao jornal Diário do Nordeste e capturada na internet por mim através do site Viomundo.


ENTREVISTA - Professor José Carlos Parente de Oliveira * (15/11/2009), no Diário do Nordeste

´O planeta está esfriando!´

Na contramão do ambiental e politicamente correto, o professor cearense José Carlos Parente de Oliveira, 56, da UFC, Doutor em Física com Pós-doutorado em Física da Atmosfera, diz que, cientificamente, não se sustenta a tese de que a atividade humana influencia o clima no planeta, que não está aquecendo. "Na verdade, a Terra está esfriando", afirma ele. Na entrevista a seguir, o professor Parente põe o dedo em uma antiga ferida: "Perdemos o foco do problema. E o foco do problema são os meios de produzir, é a forma errada de como o homem produz seus bens"

Por que o senhor caminha na contramão do ambientalmente correto e proclama que o planeta não está aquecendo, mas esfriando?

A busca da verdade deve ser o norte, o foco da atividade em ciências. E penso que não é isso o que ocorre com o tema aquecimento global. A sociedade está sendo bombardeada por notícias, reportagens na tevê, filmes e tudo isso com a mensagem de que as atividades humanas relacionadas às queimas de combustível fóssil (petróleo, carvão e gás) são as culpadas pelo aquecimento da Terra. O grande responsável por esse bombardeio é o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC na sigla em inglês), que é um órgão da ONU.

O senhor quer dizer que um organismo da ONU está provocando um terrorismo ambiental?

Vejamos. A hipótese do aquecimento global antrópico defendido pelo IPCC não possui base científica sólida. Não há dados observacionais que provem cabalmente a influência humana no clima. Se voltarmos um pouco no tempo nós constataremos que entre os anos de 1945 e 1977 houve um resfriamento da Terra, acompanhado de grande alarde de que o planeta congelaria, haveria fome, milhares de espécies desapareceriam etc. E veja que nesse período houve grande queima de carvão e petróleo motivada pela reconstrução da Europa e da Ásia após a 2ª Guerra Mundial. Outro exemplo de não conexão entre concentração de CO2 e temperatura da Terra ocorreu entre os anos 1920 e 1940, período em que a Terra esteve mais quente que os anos finais do século XX, e nesse período a atividade de queima de combustível foi de apenas 10% do que foi observado nos anos 1980 e 1990.

Afinal, o que é mesmo que está acontecendo?

Por volta dos anos 1300 ocorreu o Período Quente Medieval em que a temperatura da Terra foi superior a atual em cerca de um grau centígrado. Segui-se então um período frio conhecido como Pequena Era Glacial por volta dos anos 1800. Esses períodos são bem conhecidos dos estudiosos do clima terrestre. O que está ocorrendo é uma recuperação da temperatura pós Pequena Era Glacial, mas essa recuperação é lenta e ocorrem oscilações em torno dela. Para visualizar, podemos pensar em uma reta que ascende lentamente, ocorrendo oscilações em torno dela. Essas oscilações ocorrem em menores escalas de tempo, e são originadas por fatores naturais, como a radiação solar, a interação dos oceanos, principalmente do Pacífico, cuja temperatura oscila com período aproximadamente decenal. Porém essa recuperação cessou em 1998.

Então, em vez de estar aquecendo, a Terra está esfriando agora? Mas isso é o contrário do que proclamam as ONGs, os cientistas, os jornais. Quem está errado?

No ano de 1998, houve um fenômeno atípico: um super El Niño aqueceu a terra quase um grau acima da média em que ela se encontrava. Desde esse fenômeno do El Niño, a temperatura da Terra, sistematicamente, vem diminuindo, conforme os dados coligidos pelos satélites. Esses dados, porém, não são aceitos e nem utilizados pelo IPCC nos seus documentos.

Qual a razão? Há um viés político por trás disso?

Penso que a atividade cientifica não está desvinculada da política. São as nações e sua sociedade que definem o ramo da ciência a ser financiado por elas. Entendo que a atitude do IPCC é para favorecer cientistas, pesquisadores que defendem a tese hipotética de que o homem é culpado pelo pequeno aquecimento do planeta, que cessou em 1998 e que foi menor do que o anunciado. Os satélites que medem o clima da terra desde 1978 indicam que, de 1998 para cá, estamos vivendo um período de diminuição da temperatura. Só para que se tenha uma ideia de que esse dado de redução da temperatura é levado a sério, o grupo de pesquisas da Nasa que lida com lançamento de satélites está programando para 2021-2022 o envio de uma nave que deixará o sistema solar. Ora, a atividade solar é muito importante e é um impedimento para que uma nave como essa saia do sistema solar. Por que eles programam esse lançamento para 2021-2022? Resposta: porque será o ano em que o sol terá a menor atividade. E a atividade solar é muito bem relacionada com a temperatura da terra, via efeito indireto de formação de nuvens baixas. Essa correlação de nuvens baixas, atividade solar e temperatura da terra está muito bem documentada na literatura científica.

Qual é a causa do aumento de furacões, tempestades, tufões, terremotos na Ásia, na África, na Europa e nas Américas?

Há um exagero nas notícias. Quando mergulhamos na literatura científica, observamos que terremotos severos, de níveis 4 e 5, estão sendo reduzidos. A frequência desses eventos tem diminuído nos últimos anos. No litoral da China, trabalhos científicos mostram que nos últimos 50 anos a atividade de furacões também se reduz. O efeito destruidor do furacão Catrina, sempre mencionado porque destruiu New Orleans (EUA), aconteceu mais pela falta de providências preventivas dos governantes, que não ouviram as advertências dos cientistas. Os muros de contenção de New Orleans precisavam ser recuperados. E ninguém fez nada. O estrago do Catrina nada teve a ver com o clima. Faltou a ação do Governo.

O senhor condena o uso de combustível fóssil, como o carvão, na geração de energia elétrica?

Vamos particularizar o Brasil, pois é aqui que essa discussão se dá. O Brasil é um País privilegiado. Praticamente 80% de sua matriz energética são de origem hidráulica, e aí nós não necessitaríamos de carvão mineral. Mas, no mundo, há países que não têm esse privilegio brasileiro e têm de utilizar para o seu bem estar e desenvolvimento o carvão e o petróleo. Não há outra alternativa. As alternativas limpas que se apresentam . a energia eólica e a energia solar, por exemplo, ainda não são completamente eficientes, pois necessitam de mais pesquisa, de mais estudo porque não obtêm ainda o rendimento ótimo. Há maneiras racionais de usar carvão e petróleo sem que se agrida o ambiente. Assim, a discussão que considero mais fundamental do que saber se o homem aquece ou não o planeta é a seguinte: o que o homem deve fazer para não poluir o mar, os rios, o lençol freático, para não derrubar e não queimar florestas, para manejar corretamente o solo. É esta a ação do homem que deveria ser o centro das atenções de todos, cientistas, pesquisadores, políticos, governantes, reis, rainhas e príncipes.

Agora o senhor está no caminho ambientalmente correto...

Veja: quando o homem queima a floresta, ele não está aumentando a temperatura do planeta, mas piorando as suas próprias condições de vida e ameaçando a fauna e a flora.

Quando o senhor expõe estes pontos de vista em auditórios acadêmicos, a crítica vem contundente?

É surpreendente que não, porque os argumentos que utilizo são baseados em dados da natureza e fazem com que o público os aceite. Já fiz uma centena de seminários. Eu diria que só duas vezes eu fui interpelado de forma mais contundente, não pela maioria, mas por dois colegas pesquisadores que defendem o ponto de vista amplamente divulgado pelo IPCC. Mas eu já ouvi a manifestação de muitas pessoas favoráveis ao que exponho em minhas palestras e conferências.

O que o senhor acha das ONGs ambientalistas?

Quando a questão do aquecimento começou por volta de 1980, as ONGS encontraram aí uma oportunidade de se tornarem mais visíveis. Aí, elas ficaram, inadvertidamente, prisioneiras deste tema, por meio do qual tiraram DE foco o real problema do mundo. E o real problema do mundo é o da água, é a poluição da água e do ambiente. O responsável por esse problema é o meio de como a produção de bens se dá. O modo de produzir, destruindo os recursos naturais e utilizando-os sem nenhum controle, faz com que o planeta e a raça humana se tornem frágeis. Hoje, a linha de atuação das ONGs levará, no curto prazo, a uma situação bastante complicada nos países pobres. Exemplo: se a reunião de Copenhague, em dezembro, decidir que o uso de carvão e de petróleo deve ser cortado em 40% como se propõe, países como a China, a Índia, toda a África e também o Brasil terão problemas. 400 milhões de indianos juntam e queimam esterco para se proteger do frio e até para cozinha r; na China, a situação é mais dramática: 800 milhões de chineses nunca viram uma lâmpada acesa. Cortar a queima de combustível fóssil em 40% será o mesmo que implementar nesses países uma teoria ecomalthusiana para controlar ferozmente essa população pobre do mundo.

O senhor acha que os países ricos, que poluíram para crescer, querem impedir agora que os pobres cresçam?

Eu não concordo com essa teoria da conspiração. Mas é muito esquisito que se tente agora definir quotas de queima de combustíveis para todos os países, indistintamente. Isso não pode. Um americano consome 20 vezes mais do que um africano. Não se pode colocar todos os países da mesma forma na panela furada do aquecimento global. O africano é tão responsável pelo planeta quanto o americano ou o chinês. Nós perdemos o foco do problema. E o foco do problema são os meios de produzir, é a forma de como o homem produz seus bens. O que devemos fazer é focar na questão da água, da poluição ambiental, porque é possível queimar com responsabilidade. Mas para isso é necessária a decisão política. A boa gestão ambiental é, na minha opinião, a saída.

Comunicado

Ultimamente passo por uma fertilidade poética
que muitas vezes enche o saco
de quem não entende essa avalanche desconhecida.

Portanto, como a sinceridade é a minha lâmina mais afiada,
a partir de agora os meus fetos, rebentos, filhos do vazio,
terão apenas um berço: meu blog, http://domingosbarroso.blogspot.com/

Cariricult e Cariricaturas pertencem à minha alma
com a mais elevada gratidão.

Não posso, tampouco tenho o direito, de despejar todos os dias
e em todas as horas insaciáveis versos
como se a morte me abraçasse amanhã.
Causo desconforto e, sem dúvidas, até afasto outros leitores
a quem a Poesia é uma tolice.

Tenho pressa, e não me canso do caminho.

A Salatiel
A Carlos Rafael Dias
A Socorro Moreira
A Claude Bloc

(respectivos administradores dos blogs acima citados)

beijo-lhes a alma.

Do poeta
Domingos Barroso

domingo, 15 de novembro de 2009

Banda Cascabulho hoje no Crato Tênis Clube


Na programação do Banquete Dionisíaco da Mostra Sesc Cariri de Cultura, a banda Cacabulho, de Recife, Pernambuco, será a grande atração com o espetáculo Brincando de Coisa Séria. O show da Cascabulho está previsto para as 23 horas, no Crato Tênis Clube. O grupo cratense de forró pé-de-serra, Herdeiro do Rei, fará a abertura, com o espetáculo Todo Dia é São João.

O Cascabulho formou-se em torno da figura de Jackson do Pandeiro, de quem o grupo recriou diversas músicas. Revelação do Abril Pro Rock de 1997, eles investem na tradição e no folclore, resgatando valores e ritmos poucos difundidos e misturando-os ao som urbano. O nome surgiu do hábito que a avó do vocalista Silvério tinha de alimentar os porcos com restos de cascas de frutas, o cascabulho. A banda, natural do município de Carpina, Zona da Mata pernambucana, é formada por Silvério Pessoa (voz), Jorge Martins (percussão e vocal), Wilson Farias (percussão, baterial e vocal), Marcos Lopes (percussão, vocal e guitarra), Kleber Magrão (percussão, vocal e teclado) e Lito Viana (baixo, cavaquinho e vocal). Em 1997, com participação no Free Jazz e a aparição na entrega do Prêmio Sharp, que homenageou Jackson do Pandeiro, tornaram-se conhecidos no eixo Rio-São Paulo. O Cascabulho já levou sua mistura de ritmos ao Canadá e aos Estados Unidos. Com o show no Summer Stage Festival no Central Park, recebeu elogios de Jon Pareles, crítico do New York Times. Isso tudo antes de gravar o primeiro disco. O CD de estréia, Fome Dá Dor de Cabeça, traz o coco, forró e maracatu embalados por um espírito pop. Em 1999, o disco levou o Prêmio Sharp na categoria regional e a música Quando Sonhei que era Santo o de melhor música também na categoria regional. Em 2000, o vocalista Silvério saiu do grupo para se dedicar à carreira solo. (Fonte: Cliquemusic).

Alguém está lembrado que hoje é feriado? - por Armando Rafael

(Fonte: site Terra)
Proclamador da República é pouco conhecido em sua terra natal – por Odilon Rios
O Marechal Deodoro da Fonseca nasceu em 5 de agosto de 1827 em Alagoas. Entrou na política em 1885. Era um dos homens mais próximos ao imperador Dom Pedro II. Em 15 de novembro de 1889, proclamou a República. Iniciou a "República das Espadas", porque dois marechais ocuparam a presidência: Deodoro e, logo depois, o também alagoano Floriano Peixoto, isso antes de dar início a "República Velha", com presidentes civis.
Na cidade onde nasceu o proclamador da República, o marechal Deodoro da Fonseca, a população pouco conhece ou nunca ouviu falar do primeiro presidente do Brasil, que assumiu o cargo após a derrubada do Império, em 15 de novembro de 1889. O município de Marechal Deodoro fica a 25 km de Maceió, às margens da Lagoa Mundaú, e tem uma das praias mais visitadas e belas do Brasil, o Francês. No lugar, navios da Segunda Guerra Mundial foram afundados pelas tropas alemãs, piratas franceses tentaram invadir o Brasil pelo mar durante o período colonial e igrejas em restauração guardam mistérios: túmulos de famílias influentes de Alagoas foram descobertos durante as escavações.

A casa onde nasceu e viveu o marechal é um museu. Há três dias, a cidade está em festa em comemoração à Proclamação, mas o pescador Chagas da Silva, 64 anos, desconhece o porquê de tanta gente que vai e vem pelas ruas e praças de Deodoro. "Sei não, é por causa do governador que tá vindo para cá?", pergunta. "Tem a ver com o Lula? Por que me disseram que ele não vem para cá. Sei não por que tanta festa", disse. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado para a festa. Não foi, mas mandou representantes de escalões da União para anunciar obras no município.

O funcionário público João Jacinto da Silva ouviu falar pouco do filho ilustre de Marechal ou da Proclamação da República. "Não sei bem quem ele foi. Sei que vai ter um show do Zezé di Camargo e Luciano no domingo. Por isso tem a festa, não é?", pergunta. Armando o palco que vai receber as autoridades para o desfile militar deste domingo, Ivanildo Santos da Silva sabe da Proclamação. "Ouvi falar do Marechal Deodoro, mas, o quê é mesmo esse período da História brasileira?", questiona. "Sei lá, tem a ver com um representante aqui da cidade", responde a sua propria indagação. E a festa? "Dizem que é porque vão anunciar um monte de coisas no Francês".
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marechal Deodoro tem 45.141 habitantes. Cerca de 65% da população é pobre; 6.292 são analfabetas e apenas 99 pessoas recebem acima de 20 salários mínimos. Por causa do alto índice de assassinatos, duas favelas receberam nomes de países em conflito: Iraque e Israel. O "Iraque" de Marechal Deodoro chama-se hoje conjunto Esperança.

Na última semana, a movimentação nas escolas era considerada acima do normal. Os alunos preparavam-se para o desfile militar, as bandas de fanfarra conferiam as partituras e treinavam as músicas para o dia festivo. "Há 170 anos Marechal Deodoro deixou de ser a capital de Alagoas e, por três dias, depois de um decreto legislativo, o governador transferiu para a cidade do proclamador a chefia do Executivo Estadual em comemoração a este dia", lembra o secretário do Gabinete Civil, Álvaro Machado. A comemoração dos 120 anos da República começou na sexta-feira e trouxe autoridades a Marechal Deodoro. Entre elas, o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB). Há poucos metros da Prefeitura, lotada de políticos, a vida na cidade continuava quase normal. Uma rotina só quebrada pela quantidade de policiais circulando pelas ruas.

O reforço de PMs, a pedido do prefeito Cristiano Matheus (PMDB), existiu por causa de boatos sobre protestos contra sua administração. Panfletos foram apreendidos, chamando Matheus de "mentiroso". "Estamos no 11° mês de administração e estamos superando desafios", disse. Em Marechal, prefeitos e vereadores já foram afastados dos cargos, acusados de corrupção e lavagem de dinheiro.

sábado, 14 de novembro de 2009

Brumas

I
Se este coração apertado
não for reflexo do que a mente sonha

então o sofrimento humano
é uma farsa.

De nada adianta
o verso,
o pensamento

ambos suspensos
atravessados
pela sombra.

II
Se este ventre em chamas
não for refluxo de lembranças antigas

então a angústia humana
é galhofa.

De que serve
o verso,
o pensamento

ambos entreabertos
entrelaçados
pela dúvida.

cartum de AREND VAN DAM


Redentoras Bobagens

Alguém ganhou uma flor
esqueceu dentro do copo.

Passei por ela muitas vezes
não percebi o presente.

Até que em um estalo
dei-me conta

que aquela flor
não era mais de ninguém

abandonada no copo,
afogada na água suja.

Então agradecido
peguei-a,

levei ao nariz
seus cabelos com bobes

(não havia cheiro)

troquei a água,
passei uma esponja no copo

esqueci a flor sobre o armário
entregue ao seu silêncio.

Não tive surpresa:
a minha mão permanecera

uma mão sem perfume
sem esperança.

O Riso

Sempre soube,
não é segredo:

"muita luz cega."

Que farei agora
caolho de um
míope de outro?

A minha esperança
é que eu logo

me acostume
com a nova casa -

os móveis antigos
ainda no meio

ocupando espaço
despertando angústia.

Mas é o jeito,
não posso enganar o tempo -

cresceu a corcunda,
a cruz perdeu o peso.

Do alto da montanha
não sinto vontade

nem de arriscar um voo rasante
nem de enforcar o último monge.

Apenas espremo
uma espinha no queixo.

Tramas

I
Meus olhos veem
coisas abstratas

passeando pelas paredes
debruçando-se sobre a cama

somem,
reaparecem

visíveis,
enlouquecedoras

e no exato momento
que me levanto

o raio de luz desloca-se
por debaixo da porta do banheiro

entra no vaso
flutua

II
Um raio de luz
que desce dos céus
em uma tépida tarde

é capaz fingir-se
muitas coisas,

muitas coisas visíveis
abstratas

e nem a descarga
força-lhe o sumidouro

uma vez que ainda flutua
dentro do vaso

apenas o raio
um raio de luz
em tarde de trégua -

aberto,
transparente.

Interblogs: a ternura de Aeronauta

Sou fã de telinha de Aeronauta, uma das maiores escritoras que este terreiro virtual já nos proporcionou. O melhor, é a capacidade da Aeronauta de nos surpreender. E ela sempre nos surpreende, nos alegra, nos comove, nos faz refletir, sorrir e até chorar e nos faz vivos com suas histórias que remetem, invariavelmente, ao seu passado glorioso, repleto de mãe, pai e irmã. Trago hoje, neste interblogs, a última criação da Aeronauta, algo simplesmente belo e terno (Carlos Rafael Dias).

Ciranda

Vida sem exagero é coisa sem graça. Vida sem metáfora é leitura de jornal. E a dor da gente não sai no jornal, sabiamente arrematou Chico. Desde pequena, portanto, invento minha vida. Por isso Dona Celé, nossa vizinha beata da infância, me contava histórias tenebrosas de santos - pra que eu tomasse tento e parasse de mentir. As folhas das carambolas lá do quintal sempre foram dinheiro, cédulas vivas e verdes, para comprar o mingau das bonecas. Tinha tanto dinheiro nessa época. E minhas bonecas, além do mingau, muitas roupas. Que mãe costurava, acreditando em tudo.
Como viver sem imagens, sem escavar o imaginário e de lá tirar uma casa, toda feita de chocolate? Ah, tantas casas tenho. Invento vestidos vermelhos, culpas que não nasceram, verdades inatingíveis e ocultas. Aqui tudo é de brinquedo, ainda guardo muitas cédulas, e meu pé de carambola nunca morre. Não, não se assuste, entre na brincadeira; é uma ciranda tão linda, é uma ciranda tão bela, é uma ciranda eterna...


Fonte: wwwaeronauta.blogspot.com

AGENDE-SE!



http://mostracariri.wordpress.com/2009/10/07/programacao-xi-mostra-sesc-cariri-de-cultura/

Repente

que sábado massa
de alfenim quente

entre os dentes
um suspiro -

meu filho
no playstation

minha mãe na canção nova

meu diabinho resmungando
meu anjinho fazendo a unha

lá fora um sol tomando a calçada
as árvores mostrando as saias

que sábado perfeito
de bila no buraco

sem tremer o queixo
sem arroubos

um sábado encantado
de achar dinheiro

no armazém da esquina

em seguida
ganhar aquela musa

com suas coxas grossas
com suas meias jazz

chupar um picolé de morango
sujar as mãos, lamber os dedos

sonhar sem fim
até o fim dos sonhos

acordar assustado
supondo mijo na cama

mas são sonhos

sonhar sem fim
até o fim dos sonhos

um dia eu entro
no meu coração
faço sala

rejeito beber sozinho
um cafezinho quente

espero a outra metade
uma fábula

tenho quarenta e quatro
como está minha próstata?

ABRIR A CORTINA DO EU - Por Emerson Monteiro

Venha comigo. Vamos juntos erguer a barra do horizonte e vislumbrar algumas imagens resistentes ao esquecimento. Parei, ouvi ruídos e flagrei, circulando sorrateiras nesse espaço que habita a fronteira de mim com a memória, algumas ideias do mundo divisório, transcendental, filhas infinitas do ativo das horas e do ritmo trepidante lá no sótão pegajoso das pausas que pulsam sem parar, limite de coisas e inexistências.
Essas nuvens tradicionais de palavras conhecidas, sentimentos às vezes impetuosos, impacientes poças d’água espalhadas ao longo do caminho, deslizavam ligeiras em propulsão acelerada sob pés indecisos desta sombra que passa numa velocidade selvagem, cativa de atitudes ferinas, a conduzir fragmentos ao final de vários dias, causando reviravoltas no céu, algazarra festiva de andorinhas alegres, inconsequente bando afogueado de colegiais no intervalo das vidas.
Formas de juventude eterna, momentânea. Tudo possibilidades juvenis, sonhos afinados com o vento, feira livre de escorregadias ilusões, lógica perene de turmas de formação e contextos impostos por saltimbancos autoritários, na cena que se abre ao expectador sequioso de nós próprios, riscos, papéis, recordações, arquivos jogados fora, lama fermentada de velhos aniversários e alucinada comemoração.
Com isso, a vontade farejava encontros novos, cruzamento genético de letras e sentido, forçando com bravura o pulmão do parágrafo e gerando blocos consistentes de valores, na alma dos calendários, marcas doridas, atos contidos de luzes, cicatrizes, aventuras, pontos assustados no azul do firmamento, corpos suados de notas musicais e pinceladas agressivas, sonhos absurdos, sementes plantadas em outra dimensão, calada, quieta de querer, dentro das dobras dos corações celerados. Energia que circulava toda a pele do momento, tatuagem de cascas de árvore estóica, vítima do imprevisível carrasco pontiagudo, fagulhado, passado de folhas secas na cascata das eras, tintas e sons assoberbados de dúvida ao impacto da emoção cristalina.
Com passos calculados, cuidadosos, de fera na busca do alimento, ações sincopadas, o espectro arrisca estender mãos no oco do imediato e lota de influência cada aspecto no seguinte do imaginário, e avança clandestino pela greta entre as moléculas da ânsia, corredor vazio diante da sequência dos acontecimentos, película dirigida autor genial, mestre do inesquecível e sábio todo imortal.
De pronto, cresce nos olhos clínicos um tato suficiente a florir de esperança fumegante o desejo, na areia da permissão, ainda que, consigo, traga germes de interdição, todavia, consistente qual meteoro enlavecido na farra vertiginosa da transformação dos impulsos em matéria prima, metamorfose de açúcar em sal, mel em pólen.
Houvesse circunstância favorável, abrir-se-ia a cortina num volteio de brisa, aos acordes do silêncio adormecido na leveza do mistério. Então, luvas crispadas, nervosas, romperiam a vitrine da memória, e poemas e prosas jorrariam em traços e sílabas, silvos e gemidos, inundando a antessala do furor, lívidos atores do espetáculo do alvorecer, e pediriam à orquestra que jugulasse a noite com fanfarras maravilhosas. Entretanto, o pano só se renderia aos metais, largando desenhos conclusivos no ar platinado, sonoro, carrancudo, da presença do senhor e soberano do inevitável tudo Isso.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Pouco Tempo

Abra a janela
para que a borboleta amarela
visite seu escritório -

taças empoeiradas,
enciclopédias nunca abertas.

Decerto a pequena criatura
errou de caminho

mas já que as asas
debatem-se entre
a poltrona e os pufes

não se mova
não acenda seu cigarro
nem escreva um poema

olha que estranho
lá fora todos os postes apagados
a rua completamente escura

talvez a criaturinha
saiba muito bem
porque entrou por sua janela -

sopinha quente,
pão com doce de leite dentro.

Meu olho me incomoda. Penso na bíblia sem serventia na sala: “se teu olho etcétera e tal, arranca-o e joga-o na fogueira”. Os caras não eram de brincadeira não. Olho jornais antigos. Gosto de noticias frias. Uma amiga minha fala que amou São Paulo as escuras. Imaginou que fosse o fim do mundo, mas não tinha trilha sonora competente, e ela sacou que era só mais um desastrezinho. Um cara escreveu no jornal “meu deus, eu não vi o rio de janeiro”. Me deu vontade de responder que também não. Fiquei com receio que ele entendesse que eu o estava apoiando, que aquilo era um tipo de oração e tal, não repliquei. Passo em revista as revistas, e meu amigo Gustavo me conta que a uniban não aceita meninas de vestidinho. Se teu olho te envergonha... me cago de medo desse povo que volta e meia proíbe alguma coisa. Mirisola diz que Jesus só anda mal acompanhado. Porra mirisola, você me assusta com sua lucidez. Daí penso que lucidez também pode ser passível de proibição. Assim como também não concordar. – “você nãoconcorda? Seu filho da puta! Vou cortar fora seus testículos para que você não estupre mais ninguém!” ui. Ui. Ui. Se meu olho me incomoda... o pastor quer cortar fora pedaços das pessoas: comeu? Corta o pau. Jogou bola ruim? Corta o pé. Roubou do povo? Recebe um milhão de votos e vai eleito. Minha poesia pede pra passear lá fora, peço pra ela fazer silêncio, que pode ser que apaguem as luzes, que pode ser que eles venham com seus cassetetes pra bater a granel, que pode ser que os picolés derretam, que pode ser que William bonner seja expulso por andar de minissaia expondo a bunda branca de vergonha do jornal nacional.

Esquecimento

Quando estiveres por um fio
sê o mito -

e quando te sentires gigante
procura debaixo das unhas
a terra úmida de tua cova.

Ao outro agradece
pelo caminho indicado
pelo abraço forte
pela tenra lágrima

mas somente tu és o responsável
pelos gravetos na floresta
pelo fogo no teu ventre
pela chama que sobe
até as nuvens.

Não permitas ao outro
o direito sobre

tua alma intrigante
o corpo molenga
a mente aturdida.

Deixa claro
que mesmo após tua morte
ao outro cabe apenas as alças
do teu ataúde -

quiça uma coroa de plástico
e um sorriso.

Assim, amarás de verdade
o outro que te ama.

Ou (tens a liberdade)
junta todas essas palavras
e à fogueira que acendeste
lança-as, pula, festeja.

Marretadas

No apartamento
andar de cima
marretadas.

Quase um mês
de marretadas.

Os operários emudecidos
olham-se entre si,
gesticulam
e marretadas.

Ao lado um recém-nascido
engasga-se com tanta poeira.

O dono do apartamento
fugiu desde a primeira marretada.

Só aparece final de semana
lançar os olhos aos entulhos
desculpar-se aos vizinhos
por tanto transtorno.

Assim minhas férias
trancado no apartamento
ouvindo o silêncio das almas
e o barulho infernal das marretadas.

Mas sem tragédia física.

Afinal entre uma e outra marretada
ainda posso ouvir uma serra Bosch
lixar e polir azulejos.

LOUVAÇÃO AOS SÁDICOS LEITORES...A MARGINALIA.-Wilson Bernardo!

OS GUARDADORES DA SEDE NO POTE...
Dentro de um pote a essência da sede
Dentro de um livro a saliência do saber.
Funções de estruturas desobedecidas
No mormaço dos orvalhos.
Na boca do sapo
Água dormida de encher boca de quartinha.
Palavras desalentadas na insônia
Das estiagens
E os peixes desconfiados da vida
Na boca de anzóis fisgados.
Letras paginadas no saciar das sedes
Enumeradas tardes nubladas de afazeres.
Morfemas!
Estudar na fome das paginas a profecia do saber.
Wilson Bernardo(Poema,Dezenho "Cariri caldeirão" & Pop Art)

O Expresso Mundo está chegando


Começa hoje a 11ª Mostra SESC Cariri de Cultura. E hoje também estou abrindo o bar-café "Expresso Mundo", na antiga estação ferroviária do Crato (RFFSA). Um local de alegria, abraços, beijos, paquera, emoções, bate-papo, boa música, encontros, leitura, cultura, despedidas, amizades, amores, e de muitas emoções.
Entre nesse expresso e viva mundos diferentes.
Expresso Mundo, onde todo mundo se expressa.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Glóbulos Vermelhos

Meu coração cozinha sem cheiro
tenta ouvir a geladeira.

Mas não há ruídos.

As geladeiras de hoje
não se queixam dos pesares.

A solidão mais fria
calculada, distante.

Arrasto de volta
meu chinelão vísceras
até o quarto.

Cruzo os braços
e as pernas -

deixo o teto
beijar-me as faces.

Muros & Pontes

Não terá sido, certamente, por mero acaso que se considera a Grande muralha da China , por consenso, a maior obra da engenharia humana. Os seus mais de 8000 kilometros, construídos por mais de quinze séculos, além de ser a única construção humana visível do espaço sideral, credenciam-na a este posto. Acredito, no entanto, que existe, como em tudo neste mundo, uma razão subjacente, para tamanho encantamento. A humanidade é fascinada por muralhas. Desde o Gênesis, quando nossos ascendentes primevos – Adão e Eva—foram escorraçados “para fora dos jardins do Éden” , subentende-se que alguma fronteira existia entre o paraíso e o resto do terra: quem sabe uma muralha? A queda de Tróia pressupôs um drible nas suas muralhas através das peripécias de um Cavalo oco, atapetado de guerreiros no seu bojo. O crescimento das nossas antigas civilizações aconteceram pela a construção de fortes, muros , cercas, com o objetivo claro de protegê-las contra o ataque dos inimigos. Um Muro, também, - o “das Lamentações—é o lugar mais sagrado dos judeus, nos dias de hoje. O desenvolvimento da Sociedade Feudal e depois Capitalista erigiu o muro como seu tótem: o símbolo da propriedade privada. Após a Ia. Grande Guerra, a França criou também a sua muralhinha na Fronteira entre ela, a Itália e a Alemanha: a Linha Maginot. A Guerra da Coréia criou um muro virtual : o Paralelo 38. Mesmo com o advento do comunismo, nos primórdios do Século XX, o muro continuou plenamente em voga, basta lembrar a Construção do mais famoso deles, o de Berlim, em 1961. A queda do de Berlim , em 09/11/89, há exatos vinte anos, não cessou a construção de muitos outros muros . Os Estados Unidos erigiram um imenso na sua fronteira com o México na tentativa desesperada de impedir a entrada de migrantes hispânicos. Israel elevou em 2002, na Cisjordânia, um outro muro com o fito de afastá-la dos palestinos. Nos tempos atuais, as grandes cidades dividem-se entre os criminosos presos por trás dos muros das prisões e o resto da humanidade presa atrás de muros altíssimos construídos ao redor de suas residências. Os maiores conflitos mundiais entre nações e entre pessoas encontram-se centrados em limites de fronteiras: até onde vai o meu muro e onde começa o seu ? O adolescente, na esquina, se pergunta : deve ou não usar um muro plástico ( a camisinha) , na tentativa de evitar a gravidez e as doenças sexualmente transmissíveis ? Existem ainda as paredes que construímos sem nenhuma argamassa: intuitivamente cada um dos nós delimita um espaço. Até aqui é meu, até aqui é seu : no ônibus, na rua, no trabalho, na escola, em casa. Sem falar nas imensas paredes que erguemos ,psicologicamente, entre nós mesmos e as outras pessoas: inimizades, picuinhas, despeito, inveja, competição. A raiz da intolerância no mundo encontra-se no soerguimento paulatino de muitas barreiras : ideológicas, religiosas, culturais, étnicas, econômicas.
A queda do Muro de Berlim, há vinte anos, representa muito mais que o esfacelamento de uma ideologia, de uma outra maneira fechada e maniqueísta de interpretar o mundo. O Muro talvez seja o maior símbolo histórico da humanidade. A respiração do planeta depende da queda de infinitas muralhas construídas física, virtual e psicologicamente ao longo de toda nossa história. O futuro depende da nossa capacidade de fabricar pontes, passarelas, no lugar de muros e cercas. Quando levantamos uma fortaleza , nem percebemos, mas na outra sala, simultaneamente, já começamos a confeccionar o nosso próprio Cavalo de Tróia.

J. Flávio Vieira

SOPA DE LETRAS



Nada a ver com essa dor no peito. Nada a ver com a constatação absoluta e intrínseca dos meus defeitos com cheiro de cocaína e vinho tinto. Procuro o vidro com as anfetaminas coloridas. Vontade de ir assim sem sim. Vontade de ir sem dormir. De verdade, não conheço mais o cara que aparece na minha identidade. Te falo isso por telefone e você foge com seus delírios mal vestidos. Com seus vestidos cor de nada. Com suas flores de plástico recicladas de garrafas pet. Nada a ver com essa ânsia. Nada a ver com a discordância das notas desse piano. De onde veio a merda desse piano? eu mastigo os seios dos meus medos. Depois os regurgito. Pro meu deleite de fim de noite. No silencio entre uma apitada e outra de um guarda que nada aguarda da vida. Que nem eu.

Uma lágrima

Uma lágrima de sal
Para as mortes distantes
Para as mortes de entes
Como eu e você, como agora e antes
Chora a parafina na vela, no castiçal
Chora a luz bruxelante, nesse silêncio de umbral
Uma lágrima para os mortos de Unganda,
Uma lágrima para o afegão.
Uma lágrima na tua consciência
É desde já uma revolução.
Uma oração pelos cambojanos,
Uma reza pelos cubanos fuzilados no paredão,
Onde hoje o sol brinca com as cores de sangue
Espichadas, que escorreram pelo chão.
Uma lágrima de sal, pela fome no Butão
Uma oração antes do café da manhã
Antes de qualquer comemoração.
Uma lágrima de sal, para adoçar o teu mar
Para descortinar essas trevas,
Para fazer de conta que você se importa.

Foto: Nuno Ferreira

A Lâmina

Espreita-se uma dorzinha de cabeça
no limiar do córtex pré-frontal.

Por isso as lágrimas lavam meus óculos.

Não é saudade.
Não é desejo.

Apenas uma dorzinha de cabeça
agora resvalando-se por minha nuca.

A lágrima mais eficaz que sabão neutro.

Os óculos brilham
sequer vejo os arranhões.

Um Poema Lírico

Farejo carne na esquina.
Batom cereja.
Água de Cheiro.

[Confortável no meu quarto
ou na sala de cinema?]

Ofereço-lhe moedas
e bombons -

é tudo que tenho
no bolso.

A presa tenta desvencilhar-se,
agarro-lhe pelo pulso,
sussurro-lhe aos ouvidos:

"seu professor de Le Parkour
não é mais criativo que eu..."

A presa treme,
antes que caia
abraço-lhe a alma.

A cabeça quase encosta na calçada
então suspendo-a:

é lindo um beijo no pescoço.

POP ART...WILSON BERNARDO.

São João de Pedro...
Wilson Bernardo(arte)

O PECADO DE CLARA MENINA NA GUERRILHA 2009

A GUERRILHA É SUCESSO TOTAL!!!




GUERRILHA DO ATO DRAMÁTICO CARIRIENSE
TEM GRANDE SUCESSO DE PÚBLICO


A Guerrilha do Ato Dramático Caririense -Troféu Juscelino Leal Lobo Júnior, promovida pela Sociedade Cariri das Artes e Sociedade de Cultura Artística do Crato, Pontos de Cultura do Brasil, é uma grande vitrine das artes cênicas produzidas no Cariri cearense. Iniciada no último dia 7, no palco do Teatro Rachel de Queiroz, em Crato-CE, é sucesso de público, tendo que duplicar as sessões todos os dias, em virtude da grande demanda. Cerca de 1.000 (mil) espectadores viram os cinco espetáculos que foram exibidos até a noite de ontem: A FLOR E O SOL, OS 3 PORQUINHOS, OS ANIMARTISTAS, O MÁGICO DE OZ e A BELA E A FERA. Hoje será apresentada a peça infantil MARIA ROUPA DE PALHA (teatro de bonecos), às 19h30min, com o grupo teatral AMAR, dirigido por Stênio Diniz e Ivete Alexandre.

O dramaturgo Cacá Araújo, idealizador e coodenador do projeto, afirma que a Guerrilha está superando as expectativas de público, graças à qualidade dos espetáculos e a uma numerosa platéia local, que valoriza e prestigia os artistas e grupos da região. "A Guerrilha do Ato Dramático Caririense é um movimento de afirmação da identidade cultural do Cariri e do Brasil, é a expressão mais profunda da inventividade e ousadia de dramaturgos, atores e encenadores caririenses; é a maior mostra da produção local em artes cênicas", completa Cacá Araújo.

Outro fator importante, segundo o diretor teatral Flávio Rocha, é a unidade dos grupos teatrais em torno de uma ação de fortalecimento e divulgação de suas obras. Isso vai se desenvolver e representar um grande patrimônio para o turismo cultural e a educação de crianças, jovens e adultos.

Na sexta-feira, dia 13, começará a programação destinada ao público adulto, com a apresentação da peça O PECADO DE CLARA MENINA, romance cômico medieval-sertanejo que está em cartaz há 3 anos, com a Companhia Cearense de Teatro Brincante, tendo circulado por várias cidades do Ceará e Paraíba.

Programa Cariri Encantado destacará Mostra Sesc Cariri de Cultura


O programa Cariri Encantado de amanhã, 13 de novembro, destacará a 11ª Mostra Sesc Cariri de Cultura, entrevistando Dane de Jade (foto), coordenadora e uma das idealizadoras do evento que é considerado a maior mostra de cultura do interior do Ceará,.

O programa de amanhá veiculará as seguintes músicas:

- Raio de Fogo (Banda Montage)
- Mais Tarde, Mais Forte (Abidoral Jamacaru)
- Asas da Poesia (Gildário de Assaré)
- De Lenda e Cantigas (Zé Nilton)
- Retalhos (Luiz Carlos Salatiel e J. Flávio Vieira)-
- Fraternex (Leonardo Leo, Calazans Callou e Carlos Rafael)
- Calar o Amor (Leninha)
- Kariri com K (Moreira), com Moreira & Morais
- Não Haverá Mais um Dia (Pachelly Jamacaru)

O programa trará ainda as poesias "que futuro tem a poesia", de Chagas, e "livro de veludo", de Domingos Barroso, além de uma crônica de Lupeu Lacerda.

O programa Cariri Encantado é veiculado pela Rádio Educadora do Cariri AM 1020 todas as sextas-feiras, das 14 às 15 horas, com apoio do Centro Cultural BNB Cariri.
A apresentação é de Luiz Carlos Salatiel e Carlos Rafael.

Cinema Francês!

( clique na imagem para melhor visualização)
Celebrando o ano da França no Brasil, a XI Mostra Sesc Cariri das Artes traz uma pequena mas significativa expressão do cinema francês contemporâneo. A Seleção ficou por conta dos editores da revista Cahiers du Cinema. É a partir de 14/11, sempre às 16 horas no Cine Cariri shopping (em Juazeiro do Norte) e a entrada é franca.

Reisado Manoel Messias

O reisado Manoel Messias vai fazer parte da programação do Centro Cultural Banco do Nordeste no mês de novembro. A apresentação do grupo juazeirense acontece hoje à tarde, conforme programação abaixo, e amanhã em Crato. O prefeito Dr. Santana através da secretaria de cultura empresta seu apoio ao reisado colocando a disposição transporte para o deslocamento dos integrantes. Os grupos de reisados juazeirenses São Miguel e Guerreiros Nossa Senhora Aparecida se apresentam nesta sexta-feira em Fortaleza, na Mostra de Cultura da UFC – Universidade Federal do Ceará.

Confira a agenda de apresentações do grupo Manoel Messias:

Juazeiro do Norte – 12 de novembro
13h30min – Liceu Anderson Borges de Carvalho
14h30min – E. E. M. Adauto Bezerra
16h – E. E. F. M. Maria Amélia Bezerra

Crato – 13 de novembro
13h30min – E. E. F. 18 De Maio
14h30min – E. E. M. Wilson Gonçalves
16h – E. E. F. Pedro Felício

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária


Dia 12/11, quinta-feira

Música – COMPOSITORES DO BRASIL
14h Programa de Rádio na Educadora do Cariri AM. 180min.

Atividades Infantis - HORA DO RECREIO
Local: Liceu Anderson B. Carvalho (Juazeiro do Norte)
13h30 Reisado Manoel Messias. 30min.

Local: E.E.M Gov. Adalto Bezerra (Juazeiro do Norte)
14h30 Reisado Manoel Messias. 30min.

Local: E.E.F.M Maria Amélia Bezerra (Juazeiro do Norte)
16h Reisado Manoel Messias. 30min.

Literatura/Biblioteca - OFICINA DE FORMAÇÃO ARTÍSTICA
15h Contadores e Contamores. 240min.

Literatura/Biblioteca - BIBLIOTECA VIRTUAL
18h Noções Básicas de Utilização da Internet. 180min.

Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte
Fone (88) 3512.2855 - Fax (88) 3511.4582

Livro de Veludo

Eu berro, uivo, corto o dedo
acho a vida intragável
já acendi velas
vomitei no travesseiro
nunca fui amado
nem amei criatura alguma

Eu forjo provas do crime
minto, iludo quem me cerca
tenho inveja do homem belo
meu sonho é traçar divas superstars
sugar-lhes a alma, roubar-lhes os diamantes

Eu não presto atenção ao outro
aproveito-me da amizade sincera
adoro minhas flatulências
não tenho paciência com idosos
nem com mancebos arrebatados
amo minhas paredes
já comi na infância muito barro
engordei solitárias
fui um mísero sonhador
sempre levando chutes na bunda
das musas estonteantes e cruéis
experimentei alfenim quente
mastiguei raízes químicas
bebi, fumei, queimei o nariz

Sou um sujeito horrendo
e entre mortos, feridos e loucos
a Poesia sempre vence
nunca vacila.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Ciranda

Sinto, mas não quero bebida.
Esfriar os dedos segurando um copo.

Também não quero fuligem nos lábios
tampouco queimar meu nariz beduíno.

É chegada a hora da lucidez
vasculhar minhas gavetas
queimar todos os papéis.

Cansei de tapar os poros
com cal e barro.

A ponte faz tempo
espera meus passos
sobre as tábuas soltas.

Quem sabe eu despenque.
Plante orquídeas nas nuvens.

VER com os olhos livres


Sangue Quente

Nem na tristeza nem na alegria
à minha alma prometo fidelidade.

Se versos me cansam
rasgo-os.

Se flores me entediam
piso, destrincho, escarro.

Palavras ásperas no céu da boca
onde pela manhã somente havia
chocolate e patchouli.

em vão

onde ficaram aquelas palavras
que preenchiam cartas
agora folhas mortas?

não se sabe quantas vezes
os olhos acenaram ao mar
buscando imagem de um rosto
seu cheiro na brisa
exatamente na hora
em que resultam dois lados
de um vaso em choque com o chão

longas ruas consomem os passos
porque ressurge um louco embriagado
de medo e de solidão
girando em torno de um nome
pele morena
beleza de abalar a alma
e deixá-la em completo silêncio

o silêncio é um deserto dentro
do que ouvia a chuva
de tarde
espalhar sua música
águas por todo canto
cantando cantando cantando

um muro que se faz de tempo

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária




Dia 11/11, quarta-feira

Atividades Infantis - HORA DO RECREIO
Local: E.E.F. Julita Farias. (Caririaçu)
15h30 A Triste Partida. 20min.

Atividades Infantis - ARTE RETIRANTE
Local: Caririaçu
16h 100 Canal: Casa de Sementes Senhor dos Exércitos. 5min.
16h05 Sessão Curumim: Espanta Tubarões. 89min.

Literatura/Biblioteca - OFICINA DE FORMAÇÃO ARTÍSTICA
15h Contadores e Contamores. 240min.

Literatura/Biblioteca - BIBLIOTECA VIRTUAL
18h Noções Básicas de Utilização da Internet. 180min.

Atividades Infantis - ARTE RETIRANTE
Local: Sítio Belorizonte, Distrito de Lameiro (Crato)
19h Os Piratas que Não Fazem Nada. 85min.

Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte
Fone (88) 3512.2855 - Fax (88) 3511.4582

Manhã

Não importa a lua
o jardim suspenso
a musa bailarina
o vinho
o ópio.

Ao poeta apenas
o eterno deleite
do amor sem fraudes.

Não carece dinheiro
coroa de louros
títulos
algodão doce
cavalo alado.

Faça um poeta esperançoso
oferecendo-lhe em bandeja
de prata ou de zinco
o amor sem fraudes.

Aguardo a cafeteira dar o sinal:
"pronto seu cafezinho quente."

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Um Pai Melhor

Abraço meu filho,
coço-lhe a orelha,
faço-o dormir.

Pressinto entre nossas almas
eternidade em jogo

e até vejo
nos seus sonhos
o moço valente que é

com sua espada
me salva dos dragões
e monstros

ou, simplesmente
do ladrão em casa.

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária


Dia 10/11, terça-feira

Música - CULTURA DE TODO MUNDO
14h Programa de Rádio na Educadora do Cariri AM. 180min.

Artes Cênicas - OFICINA DE FORMAÇÃO ARTÍSTICA
15h Contadores e Contamores. 240min.

Atividades Infantis - HORA DO RECREIO
Local: E.E.F. Arara Azul. (Caririaçu)
15h30 A Triste Partida. 20min.

Literatura/Biblioteca - BIBLIOTECA VIRTUAL
18h Noções Básicas de Utilização da Internet. 180min.

Cinema - 100 CANAL
18h30 Mulheres Rurais. 5min.

Cinema - IMAGEM EM MOVIMENTO
18h35 Estorvo. 95min.

Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte
Fone (88) 3512.2855 - Fax (88) 3511.4582

Casanova de casa nova


-- Aquilo não é uma mulher, é um cão perdigueiro !
Esta talvez tenha sido a mais perfeita definição da mulher de Salustiano, feita por um de seus amigos, numa mesa de bar. Salu( como era conhecido na patota) sempre fora chegado a uma gandaia. O bordel sempre tinha sido o templo maior de suas oferendas. Seu oratório era preenchido pelos deuses pagãos: Dionísio, Baco e Vênus. Parece que tinha sido castigo! Já entrado nos quarenta, terminara por casar com D. Guilhermina: mulher madurona, sistemática, cuja maior diversão era ir para quermesses e assistir às reuniões de casais com Cristo que Salu acompanhava, a contragosto. Não bastasse tudo isso, a patroa de Salu era extremamente ciumenta. Parecia um cão farejador. Ligava para a repartição do marido inúmeras vezes ao dia, como se estivesse fazendo chamada. Quando o pobre retornava para casa, procedia-se uma revista rigorosa, digna de Sherlock Holmes, em todos os seus pertences e vestes. D. Guilhermina olhava atentamente a Agenda, em busca de telefones suspeitos, ou bilhetes. Revistava ainda cuidadosamente todas as roupas externas e íntimas procurando fragrâncias estranhas, cabelos femininos ou marcas de Batom. Algumas vezes, chegou a examinar, com atenção quase urológica, o próprio corpo de Salu, fingindo-se de mulher envolvente e carinhosa.
Apesar de todo cerco impingido por D. Guilhermina, nosso D. Juan não havia perdido de todo o espírito aventureiro. Como, por mais de uma vez, tinha sido flagrado, com uma ou outra prova material, foi desenvolvendo um ritual digno da CIA ou do MOSSAD. Carregava no porta malas, escondida, uma maleta fechada com um sem número de utilitários : soluções para retirada de manchas, aromas vários para disfarçar perfumes, óleo e graxa para simular “pregos”no carro e justificar atrasos , bateria descarregada( sempre) para justificar celular fora de área e por aí vai...Não bastasse isso, tinha uma rede de auxiliares digna de nota, capaz de falsear vozes, inventar histórias/desculpas mirabolantes, forjar documentos e álibis. A mulher tinha, porém, pacto com o demo: devia ir para o Afeganistão procurar o Bin Laden, diziam os amigos. Um dia, suplicante, pediu que ele a contasse sobre qualquer aventura após o casamento, jurando calma e compreensão, pois, dizia, sua fobia não era de chifre, mas de ser enganada sem saber. Salu, para testar, começou a falar sobre alguns namoricos da infância e, mal tinha passado do segundo, já D. Guilhermina ia quebrando todos os pratos da cozinha no tubo de imagem da TV. Imagina se falo os do pós-matrimônio, pesou Salu, aliviado em meio aos destroços da III Guerra Mundial.
O período de maior aflição passado por Salu aconteceu depois do caso Diana Bobitt. Vocês lembram ! Sim, foi aquela que, numa crise de ciúmes, cortou o pinto do marido com uma faca de pão, como se fosse salaminho. D. Guilhermina, imediatamente, a tomou como ídolo e até andava com um retrato da emasculadora senhora na bolsinha de dinheiro. Salu entrou em pânico quando descobriu no guarda roupas da esposa ( imaginem o quê !): uma faca Gin Su ! Passou mal, terminou por internar-se em clínica para esgotados mentais. Voltando, inventou , prontamente, que o médico prescrevera comida chinesa típica , para toda a família e, a partir daí, deu fim às cortantes lâminas da casa e passaram a comer com pauzinhos ( para alívio derradeiro dos países baixos e melindrosos de Salu).
A vida assim ia se escoando em meio a esta Guerra Fria. Tamanha perseguição parecia ir dando um tempero todo especial às perigosas escapulidas de Salu. Dia desses, no entanto, o homem voltou a sobressaltar-se. Aparecera nova arma de contra-espionagem no mercado. Ele soube ,através de sua especial rede de informação. No Bar de Seu Louro, os amigos, aflitos, lhe mostraram o recorte de Jornal. Os japoneses inventaram um spray que borrifado na cueca da pessoa, em contato com qualquer resquício de sêmen, torna-se verde e aí, a patroa –perdigueira, ao examinar, poderá ter uma prova concreta da traição cometida. Não bastasse isso ainda desenvolveram um tipo de meia que muda de coloração ,se por acaso for retirada do pé, o que poderia dar evidência de visitas sorrateiras a motéis. Salu gelou! Aquilo nas mãos de Guilhermina seria uma arma perigosíssima. Na sua visão de Casanova, a atitude dos japonas só podia ser despeita com os ocidentais. Inventar uma porcaria destas, só pode ser complexo de inferioridade: por terem um pingolim do tamanho de um alfinete !Por via das dúvidas, no entanto, desde aquele dia, Salu só anda de chinela, só compra cueca verde-camaleão e ,pra dormir, é com um olho só fechado : o outro “pastora” Guilermina!

J. Flávio Vieira

Quimera

Enquanto tu não vens
faço tricô com meus cílios.

Portanto
será longo o tempo

até endurecer a lágrima
no canto esquerdo.

Como podes vir
se és um sonho?

Que eu saiba
todo sonho
é lagarta
descuidada
no meio da praça.

Pronto.
Lá se foi seu abdome.

A andorinha
tem olhos inocentes
mas um bico frio e cortante.

Suntuosa Indolência

Amontoam-se cuecas
no balaio de roupas sujas.

Fico no osso
mas não lavo.

Nem tiro a barba.
Nem corto as unhas.

Do sepulcro
contemplo quem passa,
hesita, tenta empurrar a pedra:
"Em nome de Jesus, vem pra fora Lázaro!"

Insônia

O lençol é curto
mas faz um barulho
asas de albatroz

é o ventilador
com sua ventania própria

levanta almas,
desnuda corpos -

[a muriçoca aproveita
e me atinge as costas]

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ARTE POSTAL por LUPIN


pra quem quiser ver
o que eu vejo

http://fotosdelupeu.blogspot.com

Você me enquadra no quadrado
Do teu olho cinéfilo
Pede uma história que se roteirize
Um melodrama sem remake
Procuro meu cigarro, penso,
Te digo que
Eu posso te contar de mim.
Eu posso te contar de quando fiquei sentado
durante duas horas na porta de um cinema
e a dama do meu melodrama não foi,
depois, como se fosse preciso um pedido
ralo de desculpas, disse que tinha ficado
ocupada com o vibrador, que ela chama delicadamente
de Patrick Swayze
Eu posso te contar de quando corri como um louco
pra ver se acompanhava o sorriso do meu melodrama
pelo vidro traseiro de um táxi que
a levou embora.
Ela ria pelo vidro. Vidrodrama.
Eu posso te dizer de quando enfiei a mão no bolso
na esperança de encontrar alguma coisa
que mudasse o rumo do meu melodrama.
Retirei a mão limpa.
E o meu melodrama riu,
Disse que eu ficasse tranqüilo,
Me disse que rumo é lenda, que a vida é isso: melodrama.
Eu posso te contar que um dia
Quis encarar uma briga pra defender o meu melodrama
tomei tantas porradas na cabeça
que desmaiei,
não sei se meu melodrama soube
me disse que entende pouco isso, de dramas
Eu posso te contar algumas histórias
que ouvi sentado ao pé de uma fogueira
em cima de uma serra linda e velha
meu melodrama não foi, disse que eu fotografasse
ela via depois, se desse tempo.
Eu posso te contar de quando aprendi a cantar
uma canção inteira
dos Beatles.
Meu melodrama disse, com uma risada
Assim, meio cinema novo
Que achava os Beatles uma comédia.

Teoria da Alienação em Marx

Se você busca um aprofundamento para a análise da realidade social em que vivemos, uma dica é começar por boas leituras. Obviamente que apenas boas leituras não faz ninguém analisar, criticar e agir sobree no mundo de forma construtiva. É preciso atuar no próprio mundo, evitar a passividade. As obras de István Mészáros sempre forma nesse sentido. Um intelectual que não capitulou diante das falsas promessas oferecidas pelo Capital ao mundo da intelectualidade, que em sua prática pequeno-burguesa parece ter o maior prazer na capitulação e na bajulação aos detentores do Capital como parece fazer Fernando Henrique Cardoso, o "FHC".
Uma leitura interessante é a da obra Teoria da Alienação em Marx,publicada pela Editora Boitempo. Eis a apresentação feita pela editora:


Título: A teoria da alienação em Marx
Título Original: Marx´s theory of alienation
Autor(a): István Mészáros
Prefácio: Maria Orlanda Pinassi
Tradutor(a): Isa Tavares
Páginas: 296
Ano de publicação: 2006
ISBN: 85-7559-080-4
Preço: R$ 38,00


"Escrito por István Mészáros na Inglaterra, em 1970, A teoria da alienação em Marx é um profundo estudo sobre osManuscritos econômico-filosóficosdo pensador alemão. Nele, Mészáros analisa com rigor a obra onde o então jovem Marx estabeleceu as bases do seu sistema filosófico.

Nesse sentido, as conclusões do autor vão contra aqueles que dividem Marx entre o "jovem" e o "velho", mostrando a unidade da sua reflexão e seu projeto intelectual, que une a economia política e filosofia na sua crítica e a necessidade de aliar-se análise e prática política para a superação do capital. Para este objetivo, o autor analisa um conceito fundamental do pensamento marxista: a alienação.

Como coloca Maria Orlanda Pinassi na apresentação do livro: "De modo geral, os que desejam fugir dos problemas filosóficos vitais - e nada especulativos - da liberdade e do indivíduo, se colocam ao lado do Marx `científico`, ou `economista político maduro`, enquanto os que não desejam assumir a implicação prática do marxismo (que é inseparável de sua desmistificação da economia capitalista) exaltam o `jovem filosófico Marx`."

Mészáros, no seu trabalho, retoma e desdobra os vários tipos de alienação do sistema capitalista. Seus aspectos econômicos, políticos, ontológicos, morais e estéticos, nas relações com o trabalho, na separação entre teoria e prática, entre o homem e a natureza, e considerações sobre a sua superação, além do que o autor chama de ordem sócio-metábolica do capital. O livro traz ainda um capítulo que trata especificamente da crise da educação e sua relação com a alienação.

Vencedora do prêmio Issac Deustcher, escolhida por um júri integrado por Perry Anderson, E.H. Carr, Eric Hobsbawm, Ralph Miliband e Monty Johnstone, esta é a quinta obra de István Mészáros publicada pela Boitempo no Brasil. Como seus outros livros, entre eles O século XXI: socialismo ou barbárie? e O poder da ideologia, traz o trabalho do autor em compreender tanto a essência como a abrangência da dialética, acima de uma concepção rasa e instrumental do marxismo.


1ª Guerrilha do Ato Dramático Caririense


PEÇAS PARA CRIANÇAS:

09/11 (segunda-feira), 19:30h: “ANIMARTISTAS”, adaptação de Flávio Rocha do conto Os Músicos de Bremen, com a Cia. Teatral Anjos da Alegria, direção de Flávio Rocha.
10/11 (terça-feira), 19:30h: “O MÁGICO DE OZ”, de Victor Fleming, com a Cia. Teatral Anjos da Alegria, direção de Flávio Rocha.

11/11 (quarta-feira), 19:30h: “PATATIVA E SALOMÃO”, de Emannuel Nogueira, com a Cia. Livremente de Teatro, direção de Jean Nogueira.

12/11 (quinta-feira), 19:30h: “MARIA ROUPA DE PALHA”, teatro de bonecos, de Lourdes Ramalho, com o Grupo de Teatro da Associação dos Artistas e Amigos da Arte – AMAR, direção de Stênio Diniz.


PEÇAS PARA JOVENS E ADULTOS DE TODAS AS IDADES:

13/11 (sexta-feira), 19:30h: “FOGO FÁTUO”, de Lourdes Ramalho, com a Cia. Teatral Anjos da Alegria, direção de Flávio Rocha.

14/11 (sábado), 19:30h: “O PECADO DE CLARA MENINA”, de Cacá Araújo, com a Cia. Cearense de Teatro Brincante e Grupo Cênico do Crato, direção de Cacá Araújo.

15/11 (domingo), 19:30h: "A COMÉDIA DA MALDIÇÃO”, de Cacá Araújo, com a Cia. Cearense de Teatro Brincante e Grupo Cênico da SCAC, direção de Cacá Araújo.

16/11 (segunda-feira), 19:30h: “DESMISTIFICANDO TABUS”, de Joylson John Kandahar, com a Cia. Mandacaru de Arte e Eventos, direção de Joylson John Kandahar.

17/11 (terça-feira), 19:30h: “COQUETEL”, de Wanderley Tavares, com a Cia. Wancylus Gat Produções, direção de Wanderley Tavares.

18/11 (quarta-feira), 19:30h: “DENTRO DA NOITE ESCURA”, de Emannuel Nogueira, com a Cia. Livremente de Teatro, direção de Jean Nogueira.

19/11 (quinta-feira), 19:30h: “AS IRMÃS CASTANHOLAS”, de Joylson John Kandahar, com a Cia. Mandacaru de Arte e Eventos, direção de Joylson John Kandahar.

20/11 (sexta-feira), 19:30h: “ESPERANDO COMADRE DAIANA”, de Emannuel Nogueira, com a Cia. Livremente de Teatro, direção de Renato Dantas.

21/11 (sábado), 19:0h: “BR 116”, de Allysson Amancio, com a Allysson Amancio Cia. de Dança, direção de Allysson Amancio.

22/11 (domingo), 19:30: “BÁRBARO”, com o Grupo Ninho de Teatro


1ª GUERRILHA DO ATO DRAMÁTICO CARIRIENSE - TROFÉU JUSCELINO LOBO JÚNIOR
DE 07 A 21 DE NOVEMBRO DE 2009
TEATRO RACHEL DE QUEIROZ
Rua Dom Quintino, 913 – Pimenta – Crato – Ceará

a u s ê n c i a

onde hoje é tua ausência
criou-se uma crosta
sem o duro de uma rocha

tua ausência viva
ostra no peito
faca nos olhos
feitos para o sal

por toda essa cidade
uma procura de teu nome
numa linha de calçada
no alto dos prédios
numa fotografia p&b
em nada absolutamente
um sinal é possível

certas ausências
são para sempre
acima do querer
além de qualquer
esperança ou delírio

Iniciada a Guerrilha no Cariri











A Guerrilha do Ato Dramático Caririense foi aberta na tarde do dia 7 de novembro, sábado, em Crato-CE, com a Procissão das Artes Cênicas, tendo a participação de artistas das companhias de teatro e dança envolvidas, Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, artistas circenses e maracatu do da comunidade Carrapato. O evento é promovido pelos Pontos de Cultura Socieadade Cariri das Artes e Sociedade de Cultura Artística do Crato, em parceria com companhias de tetro e dança da região, e se estenderá até o próximo dia 22.

À noite, às 19h30min, foi apresentada no Teatro Rachel de Queiroz a peça teatral infantil "A Flor e o Sol, de Cícero Belmar, com a Cia. Teatral Anjos da Alegria, direção de Yarley de Lima. Já ontem, domingo teve o teatro infantil com a peça "Os 3 Porquinhos", também com a Cia. Teatral Anjos da Alegria, desta vez dirigida por Flávio Rocha.

Até quinta-feira, 12, a partir das 19h30, haverá peças infantis. A Guerrilha vai até o dia 22 deste mês.








A peça infantil "A Flor e o Sol", de Cícero Belmar, com a Cia. Teatral Anjos da Alegria

domingo, 8 de novembro de 2009

Efeito do Ócio

A loucura abriu a porta
em noite quente de lua
(não olhei pra cima)
talvez ainda cheia
ou bem fininha.

A loucura veste-se
com pele de embuá colorida.

Ai do poeta
que não olhou pra cima
não sabe se a lua engordou
ou faz regime.

Minha barba rala.
Meus dedos barulhentos.
Meus olhos que vivem caindo
sobre as sandálias japonesas.

Digam adeus poeta
que já me encheste o saco

e eu digo:
castrem-me.

cartum de SAM GROSS


O Caminho para a Servidão, 60 anos depois

Por André Azevedo Alves

Comemora-se em 2004 o sexagésimo aniversário da publicação original de “The Road to Serfdom”, obra traduzida para português em 1977 por iniciativa de Orlando Vitorino (“O Caminho para a Servidão”, Lisboa, Teoremas), numa edição que, lamentavelmente, não se encontra actualmente em circulação. “O Caminho para a Servidão” constitui o manifesto político e intelectual de F. A. Hayek, um dos mais importantes pensadores do século XX.Com uma vasta obra anterior no âmbito da teoria económica, caracterizada pelo combate incessante que, juntamente com Ludwig von Mises, moveu às doutrinas de Keynes, “O Caminho para a Servidão”, marca a transição de Hayek para a área da filosofia política. De facto, nesta obra, adequadamente dedicada aos «socialistas de todos os partidos», Hayek introduz de forma acutilante muitos dos temas que viria a desenvolver na notável produção intelectual a que deu origem nas décadas seguintes, e onde se destacam a “Constituição da Liberdade” e a trilogia “Direito, Legislação e Liberdade”.Contra o ambiente intelectual então prevalecente, e dando provas de uma extraordinária coragem, Hayek defendeu em “O Caminho para a Servidão” que os totalitarismos de esquerda e de direita têm uma origem intelectual comum, cuja principal característica é a rejeição da tradição liberal do Ocidente. Para Hayek, comunismo e nacional-socialismo são dois produtos de uma mesma atitude intelectual, que gradualmente levou ao abandono dos ideais liberais e da própria tradição assente no respeito pela esfera de autonomia individual que está na base da civilização ocidental. Numa altura em que muito poucos estavam dispostos a reconhecê-lo, Hayek afirmou explicitamente que a ascensão do fascismo e do nazismo, longe de serem reacções à difusão das ideias socialistas eram o seu corolário inevitável.Nesta obra, Hayek não se limita, no entanto, a demonstrar o carácter anti-liberal que é matriz essencial de todos os totalitarismos, por maiores que aparentem ser as diferenças entre eles. A principal mensagem de Hayek, cuja actualidade se mantém inalterada, consiste em alertar-nos para o facto de que as democracias liberais enfrentam uma ameaça interna que é, em certo sentido, mais perigosa do que as ameaças externas colocadas pelo totalitarismo. Essa ameaça consiste na gradual expansão do intervencionismo estatal, motivado pela aceitação das teorias colectivistas e pela invocação de ideais aparentemente nobres, como a noção de «Justiça Social».Partindo da observação de Hume de que a liberdade raramente é perdida toda de uma só vez, Hayek avisa-nos que as sucessivas concessões a um maior intervencionismo estatal que se foram gradualmente introduzindo nas democracias liberais, resultado da sedução exercida por utopias colectivistas, acabarão por reduzir os cidadãos a uma condição de absoluta servidão. O mais importante contributo de Hayek nesta obra é provavelmente a demonstração de que, à medida que são levantadas (sempre por motivos aparentemente nobres) as barreiras à acção do Estado e que as noções liberais de governo limitado e igualdade perante a lei são progressivamente abandonadas, caminhamos inexoravelmente para o totalitarismo e para a negação dos direitos e liberdades individuais.Ao longo dos vários capítulos de “O Caminho para a Servidão”, Hayek desenvolve as questões centrais que aqui muito sucintamente apresentamos, abordando um vasto conjunto de temas que vão desde a caracterização do totalitarismo sob vários aspectos até às razões que podem explicar a defesa do colectivismo por parte de muitos intelectuais, sem esquecer a relação entre segurança e liberdade e o funcionamento dos processos políticos.Não se pense no entanto que Hayek é um irredutível pessimista relativamente às perspectivas de evolução das democracias liberais. Na base do sério e profundo aviso que nos faz em “O Caminho para a Servidão” está precisamente a crença de que esse caminho pode ser invertido pelo poder das ideias. Para que essa inversão seja possível, é no entanto urgente recuperar e aprofundar de forma consistente a tradição liberal, promovendo e defendendo os ideais do governo limitado, dos direitos individuais e da igualdade perante a lei.

André Azevedo Alves

Fonte: http://www.causaliberal.net

Abstêmio

Antes de saborear o frango assado
com uma belíssima taça suco de uva

sento-me na cadeira giratória
imagino um poema da infância

onde o musgo mais verde
onde as formigas aos encontrões
trocavam impressões sobre o quintal vizinho.

Meus pulmões tão limpos, bem.
O coração sempre batendo tambor.

Levanto-me agora:
a saliva prende-se no canto da boca.

Engulo.

Nuvens Alaranjadas

Preciso da candura infantil
senão viro bicho.

Saio por aí com olhos vermelhos
presas pontiagudas
garras afiadas.

Por demais enfadonho
canibal dos próprios sentimentos.

Morder o pescoço.
Sorver o mesmo sangue.

Esperar o amanhecer:
enfiar a estaca no peito,
descansar da vida.

Andreas Smetana - fotografias com nus


O rosto da atleta australiana Cathy Freeman foi recriado pelo fotógrafo Andreas Smetana para um programa da SBS-TV intitulado Who do you think you are. Para o representar, Smetana não se limitou a fotografá-la; escolheu um processo muito mais complexo: fotografou grupos de pessoas nuas dispostas de tal modo que formassem partes do rosto da atleta - boca, nariz, olhos, etc. A tarefa foi difícil e imensa. Mas a de reunir todos estes grupos de imagens, montá-las como peças de um puzzle e retocá-las digitalmente não lhe ficou atrás. Para isso foi escolhida a Electric Art.

A Electric Art é um estúdio de criação de efeitos visuais e pós-produção de imagem sediado em Sidney, na Austrália. O trabalho da EA é integralmente dirigido para a vertente comercial (campanhas publicitárias, etc. ) e muito variado mas a sua especialidade são os retoques. Foi por este motivo que Andreas Smetana a escolheu para fazer a montagem e tratamento digital das suas fotografias. Smetana é um fotógrafo austríaco a trabalhar há vários anos na Austrália. É considerado internacionalmente como um dos grandes profissionais da fotografia publicitária, a quem as grandes marcas recorrem frequentemente.

É espantoso como todos estes corpos nus, aglomerados, colocados na posição correcta e com uma iluminação adequada, se transformam no fim no rosto de Cathy Freeman. Afinal, a imagem da atleta foi o início de todo este trabalho.

Fonte: Obvius – um olhar mais demorado
Para conhecer este excelente site clique AQUI

"Uniban: a espetacular fábrica de canalhas"

Uniban: a espetacular fábrica de canalhas
Mauro Carrara

"Em anúncios publicados nos jornalões paulistas de 8 de Novembro, a Universidade Bandeirante (Uniban) anuncia que decidiu expulsar a aluna Geisy Arruda. A estudante de Turismo sofreu bárbaro assédio coletivo no dia 22 de Outubro, na unidade de São Bernardo do Campo. O motivo: trajar na ocasião um vestido curto, num tom cereja.O texto publicado pela Uniban deve converter-se imediatamente em peça de estudo para juristas, educadores, antropólogos e sociólogos. A universidade preferiu punir a vítima e inventar uma justificativa pitoresca para o espetáculo do bullying, registrado por câmeras do próprios alunos e vergonhosamente exposto ao mundo pelo Youtube.Segundo os negociantes da educação, "a atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar". Seria cômico se não fosse trágico. A Uniban, mais uma das uniesquinas do Brasil, considera "defesa do ambiente escolar" a agitação do bando que ameaçava estuprar a colega e que a perseguiu aos gritos de "puta, puta, puta". Alheia a valores e princípios, a Uniban pautou-se unicamente pela doutrina da preservação do lucro. Expulsou a mocinha da periferia e manteve as centenas de vândalos que a molestaram.
Defendeu, assim, a receita, a contabilidade, mesmo sob o risco de macular para sempre sua imagem. Em "Psicologia das Multidões", Gustave Le Bon refere-se com clareza ao fenômeno da sugestão em movimentos de multidões. Diz ele: "Os indivíduos de uma multidão que possuem uma personalidade bastante forte para resistirem à sugestão são em número tão diminuto que acabam por ser arrastados pela corrente". Le Bon lembra que, em determinadas situações, a multidão transforma o indivíduo civilizado num bárbaro, num ser primitivo, movido pelo instinto, que vibra com o ataque ao inimigo inferiorizado.

Poucas vezes se viu isso tão claramente quanto no episódio de 22 de Outubro. Há garotas inconformadas com a sina; afinal, não têm o corpão de Geisy. Há machões conquistadores não correspondidos, movidos pelo instinto de vingança. Por fim, a turba ignara que se diverte com a perseguição, algo muito semelhante à farra do boi. A curvilínea e voluptuosa Geisy, que concedeu entrevistas aos programas televisivos vespertinos, exibiu-se no mesmo vestido que gerou a fúria de seus colegas de universidade. Nada formidavelmente pecaminoso como se poderia imaginar. Aliás, fosse ela mirrada e poucos notariam a ousadia de suas vestes.Esses aspectos objetivos da questão foram ladinamente desconsiderados pela direção da universidade. Em nome do "negócio", a Uniban preferiu investir na fabricação de canalhas. A decisão funciona como um sinal verde para os moralistas cafajestes de todos os tipos. Esse incentivo criminoso, pois, não se limita aos clientes da instituição, mas ao conjunto dos estudantes brasileiros. Paulo Freire, costumava advertir os educadores com a seguinte frase:
"Conhecer é tarefa de sujeitos, não de objetos. E é como sujeito, e somente enquanto sujeito, que o homem pode realmente conhecer".No caso em debate, a Uniban fez exatamente o contrário. Desprezou o sujeito, deseducando-o. Concomitantemente, priorizou o objeto, isto é, seu negócio, o prédio iluminado vendedor de diplomas.Dessa forma, trocou todas as regras da civilidade por um repugnante código de carceragem.

O episódio Geisy revela a decadência do ensino universitário brasileiro, transformado em oportunidade de mercado. Essa é a herança do regime militar e dos governos conservadores que o seguiram, sobretudo aquele do privateiro Fernando Henrique Cardoso. Ironicamente, o bajulado professor uspeano de tudo fez para esculhambar o ensino público de qualidade, entregando o sagrado ofício da educação às máfias dos certificados e aos traficantes de títulos acadêmicos.Tempos de provação. E, como formigas, os canalhas saem aos montes dessas instituições, prontos a divinizar o pensamento neoliberal e a Lei de Gérson, seduzidos à barbárie por diversão."

sábado, 7 de novembro de 2009

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária


Dia 07/11, sábado

Atividades Infantis - CRIANÇA E ARTE
14h Bibliotequinha Virtual. 240min.
14h Teatro Infantil: O Mistério do Boi Mansinho. 60min.
15h30 Oficina de Arte e Recreação Educativa. 90min.
16h Teatro Infantil: O Mistério do Boi Mansinho. 60min.
17h Sessão Curumim: Os Piratas que não Fazem Nada. 85min.

Cinema - CURTA MUITO
Local: Crato
19h Centopéia. 8min.

Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte
Fone (88) 3512.2855 - Fax (88) 3511.4582